Mês: março 2010

Ninguém quer brincar comigo

Curta-metragem do Herzog de 1976. Muito bom, por sinal. Ele é bem simples e sutil. Um gurizinho que é excluído do grupo de brincadeiras dos coleguinhas. Ele fica escondido em um canto da sala observando, mas gostaria muito de brincar com eles, que não o aceitam.

Eu fico imaginando que apesar de parecer simples de ser feito, a maior dificuldade deve ser o próprio trabalho com as crianças. E quase sempre elas se superam. Não olham para a câmera, agem normalmente brincando e interagindo umas com as outras. O trabalho em off  para as deixar confortáveis em cena deve ser grande. E cuidadoso. Mas tudo isso, eu digo de uma forma geral.

O curioso desse curta é que ele mostra os dois lados da coisa. Como as ações podem ser feitas tanto para o lado bom como para o ruim, e como um pequeno gesto faz toda a diferença.

Ninguém quer brincar comigo (Mit mir will keiner spielen). ALE 1976. 14 min. Direção de Werner Herzog.

NC: 7     NP: 7     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0074907/

Por: R. Lubisco

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Obras na Sala Norberto Lubisco

Em contato com o diretor da CCMQ, Luiz Armando Capra Filho, nesta terça-feira, foi confirmado que as obras de readequação da sala já iniciaram. A previsão do diretor da Casa, é de que em no máximo 45 dias a Sala volte a funcionar. Pretendo ir lá para tirar fotos e quando isso acontecer, posto aqui.

Mais uma vez o meu muito obrigado a todos que ajudaram!

🙂

Ilha do Medo

Que o Scorsese é um bom diretor, isso é inquestionável. E dizer que ele ficou devendo algo a mais no seu novo filme, também é. Porque sempre vai se esperar mais dele. É óbvio que é uma obra de qualidade. Qualquer coisa que o cara fizer para o cinema vai ser de alto nível. Mas isso não significa que Ilha do Medo seja algo relevante em sua carreira. Se for pra fazer comparações com filmes anteriores dele, então a situação fica feia. Mas, de qualquer forma, sempre vai ser bom ver qualquer coisa do cara.

Bom elenco, bom suspense, bons efeitos, algumas partes chatinhas, sim, mas nada que tire o prazer de ir ao cinema ver o novo filme de um grande diretor, que tem crédito suficiente para fazer o que quiser daqui pra frente. Em certas partes do filme eu fiquei impressionado com o clima de tensão que o Scorsese foi capaz de criar. E ele já havia mostrado isso em Cabo do Medo.

Enfim, eu seria uma pessoa mais estúpida se falasse mal do filme. Até porque eu gosto de filmes, qualquer tipo de filme (antigamente não era assim), então procuro falar o mínimo possível negativamente. Claro que tem algumas exceções, mas na maioria dos casos é no mínimo um bom passatempo. E Ilha do Medo eu posso garantir que é muito mais do que passatempo, é puro suspense. E quem não gosta de um bom filme de suspense?

O grande mérito dele está na direção, nas atuações, nas reviravoltas da trama, – que podem dizer que é previsível, mas eu me enrolei muitas vezes – e no cenário sombrio e confuso que é Ilha do Medo. Em manter o clima de tensão durante 138 minutos, com uma primorosa trilha sonora. E isso, poucos conseguem fazer.

Bom, Scorsese, bom!

Ilha do Medo (Shutter Island). EUA 2010. 138 min. Direção de Martin Scorsese. Com Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Patricia Clarkson, Emily Mortimer.

NC: 8     NP: 7     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1130884/

Por: R. Lubisco

Fish Tank

Mia cresce num ambiente hostil, aonde a mãe não presta e não existe praticamente nada de bom. O filme se desenrola com essa base. Ao mesmo tempo em que é um tipo de filmagem crua, há também certa desenvoltura em algumas cenas e seqüências muito boas. Mas a história em si prende mais do que qualquer coisa. O assunto do filme é exatamente o mesmo de Lykkefanten (1997), que eu comentei alguns dias atrás. O descaso de pais com a criação dos filhos. Mas é um pouco mais do que isso em Fish Tank. É o desprezo e a indiferença. E como suportar alguma coisa nesse ambiente claustrofóbico? Por que alguns pais não têm a decência de não pensar somente em si mesmos ao terem filhos?

O filme apesar de um pouco longo, é bem conduzido pela diretora Andrea Arnold. Este é o segundo filme dela, que anteriormente fez Red Road (2006), premiado pelo júri do Festival de Cannes. Fish Tank além de concorrer a Palma de Ouro em 2009, acabou levando o prêmio do júri também. Não posso dizer que não foi merecido.

Fish Tank. UK 2009. 123 min. Direção de Andrea Arnold. Com Katie Jarvis, Rebecca Griffiths, Jason Maza, Michael Fassbender, Charlotte Collins.

NC: 7     NP: 6     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1232776/

Por: R. Lubisco

Champagne em meio ao caos

Ok. Até agora eu divulguei e falei muito bem da realização do 6º Festival de Verão do RS de Cinema. E com razão, pois em vias culturais, este evento é de grande valor. Mas vou levantar dois pontos em questão que não podem passar despercebidos.

1º – Existe uma obra de reforma da fachada da Casa de Cultura Mário Quintana, que segundo informações, está sendo realizada há mais ou menos 4 ANOS. E não é uma obra em que o projeto está em discussão, ou foi aprovado e estão esperando para começar a obra, não. A obra começou a ser realizada e foi interrompida na metade do processo (pelo estado das coisas parece nem ter chegado a metade) e está abandonada lá na Travessa dos Cataventos. E isso está lá para ser visto por quem quiser. Há 4 ANOS. O que acontece que a obra nunca é finalizada? E sempre que passo por lá, nunca vejo alguém trabalhando nela. As vigas de madeira estão espalhadas por toda a fachada da Casa, estragando a beleza do Espaço Cultural.

E então chegou o momento de realização do 6º Festival de Verão. E o que acontece? A Secretaria de Cultura realiza o evento de abertura na Travessa dos Cataventos, em sessão gratuita ao público, entre uma e outra viga de madeira. As vigas estão lá todo dia para quem quiser conferir, ocupando grande espaço das laterais (calçadas) da Travessa dos Cataventos, além de ocupar um bom espaço também próximo ao café que é freqüentado todos os dias por uma boa centena de pessoas. Será que eles acham que ninguém se importa com isso? Talvez muitas pessoas não, mas eu me importo. Pela Sala Norberto Lubisco ficar naquele espaço, e mais ainda, por eu freqüentar a Casa de Cultura desde que tinha 6 anos de idade.

2º – O coquetel de abertura do Festival realizado no 6º andar da Casa de Cultura foi simples, mas muito bem feito. Bem no meio do salão ficava uma mesa grande, aonde dois garçons serviam aos convidados champagne e água de coco. Garçons também circulavam pelo ambiente servindo os convidados. E óbvio que muitas pessoas fumavam. As janelas do espaço estavam todas abertas, então os fumantes se dirigiam para lá para dar uma fumadinha. Até aí tudo certo. O problema foi que assim como as outras pessoas que fumavam ali, eu não vi cinzeiros disponíveis. Então o que as pessoas faziam? Elas fumavam o seu cigarrinho ali na janela, jogando as cinzas pela janela (aonde pessoas caminhavam lá na Travessa), e apagavam os cigarros (tchãn tchãn) no PRÉDIO TOMBADO DA CASA DE CULTURA. Isso mesmo. Quando eu fui até a janela, havia 5 ou 6 cigarros apagados e cravados nas paredes do lado de fora da Casa de Cultura. O evento que tem o patrocínio do BANRISUL, GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, FUNDO NACIONAL DE CULTURA E SECRETARIA DE CULTURA DO ESTADO, não tinha verba suficiente para espalhar cinzeiros pelo lugar? Ou pelo menos orientar os seguranças para tomar alguma providencia ao ver um ato como este sendo realizado? É… Não dá pra entender. Ta aí a frase que eu sempre falei quando me dirigia a Sala Norberto Lubisco: Apesar da boa vontade de se ter um Festival bacana como esse em Porto Alegre, a situação é de DESCASO. Tanto pelas vigas, quanto pelos cinzeiros.

Eu como fumo sempre que bebo álcool, coloquei as cinzas num potinho vazio de água de coco, e joguei tudo fora quando desci para a Travessa, a fim de assistir ao filme de abertura.

Assim como eu fiz questão de elogiar o evento com a sua programação e workshops, me vejo no direito de reclamar deste descaso que pode passar despercebido por alguns, mas no fim quem sai perdendo é a imagem da cidade.

All The Real Girls

A vida é um longo caminho desconhecido, e não há forma alguma de mudar o que já foi feito, ou apenas tentar esquecer para seguir em frente. Seja o que for. Algumas pessoas parecem não ligar para isso, fingir que não ligam, ou simplesmente não sentir. E como elas podem sentir alguma coisa?

Como filmes bons passam tão despercebidos?

All The Real Girls. EUA 2003. 108 min. Direção de David Gordon Green. Com Paul Schneider, Zooey Deschanel, Patricia Clarkson, Shea Whigham, Danny McBride, Benjamin Mouton.

NC:     NP: 7     IMDB:  http://www.imdb.com/title/tt0299458/

Por: R. Lubisco

Um Sonho Possível

Eu vou fazer uma comparação tosca e qualquer um pode me crucificar depois, mas Um Sonho Possível é um filme do mesmo nível de Avatar, tirando a tecnologia revolucionária (blábláblá). Ou seja, sim, é um filme repleto de clichês, mas nem por isso ele é ruim. Da mesma forma que Avatar não é. É apenas um filme que quando começa, você sabe como vai terminar. É previsível e limitado. Mas dentro desse parâmetro, ele consegue manter um padrão. A atuação de Sandra Bullock é de alto nível, e não vejo porque ela não ganhar finalmente um Oscar, até porque as concorrentes não apresentavam também um trabalho espetacular. A única coisa que me irritava na Bullock era o sotaque. Se eu fechasse os olhos poderia imaginar o Owen Wilson pronunciando as frases (hehehe).

Não esquecendo que o filme é baseado em fatos reais. Então não dá pra inventar algo completamente mirabolante no roteiro para tornar o filme melhor, e como já disse, dentro dos padrões possíveis o filme se mantém bem até o final, sendo que mal senti  desconforto pela duração de mais de duas horas.  A história que é contada, a meu ver, é positiva. Além de mostrar a merda que sofrem as crianças com pais que não estão nem se importando com o seu futuro, é também virtuoso ao mostrar a importância que uma educação decente tem na vida de uma pessoa. A importância de se ter uma base confiável. No caso, a família.

Acho que a maioria das pessoas deve gostar, porque não é nem de longe um filme ruim.

O diretor John Lee Hancock é o roteirista de Um Mundo Perfeito e Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal. O Álamo (2004) e O Treinador (2002) estão entre seus trabalhos de direção.

Um Sonho Possível (The Blind Side). EUA 2009. 129 min. Direção de John Lee Hancock. Com Sandra Bullock, Tim Mcgraw, Quinton Aaron, Jae Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Kathy Bates.

NC: 6     NP: 6     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0878804/

Por: R. Lubisco