Mês: janeiro 2013

Luiz Carlos Piguini

Luiz Carlos Piguini (centro) Agosto 1967

Luiz Carlos Piguini (centro) Agosto 1967

Ser um bom padrinho, é muito mais do que receber o convite, ter a honra de aceitar e assumir este compromisso. Ser um bom padrinho é pegar o seu afilhado e levá-lo ao cinema para assistir um dos melhores desenhos de todos os tempos, marco de uma geração (O Rei Leão, 1994). É ser o programador de uma Cinemateca, e transmitir este amor ao cinema para o seu afilhado, e levá-lo para para passear entre os corredores e salas de cinema e conseguir passar todo aquele ar misterioso, que só um lugar assim tem. É convidar inúmeras vezes seu afilhado para tomar um café na charmosa Casa de Cultura Mario Quintana. É ter sempre uma opinião sábia e um olhar de quem já viveu tantas coisas que sabe muito bem o quê e quando falar.

O Piguini além de ser o meu único e melhor padrinho, era uma pessoa que tinha um coração de mãe!

Infelizmente faleceu no último dia 22, por problemas cardíacos. Ele tinha 74 anos, dos quais eu pouco aproveitei. Seja pelos 10 anos que morei em São Paulo, ou pelos 6 que não falei com ele tanto quanto gostaria. Mas os momentos que passamos juntos, padrinho, esses eu sempre lembrarei.

Obrigado por ser um padrinho tão bom, mas, mais do que isso, uma pessoa extraordinária! E quem o conheceu sabe disso! Tenho certeza que agora tu e o pai estão em algum lugar tendo longas conversas, como poucas pessoas fazem hoje em dia, mas que no tempo de vocês era uma das melhores coisas do mundo.

Dizem que o Padrinho tinha uma lista de filmes que achava que todas as pessoas deveriam assistir. Eis então a lista:

Rocco e seus Irmãos – Luchino Visconti – 1960

Vagas Estrelas da Ursa – Luchino Visconti – 1965

O Leopardo – Luchino Visconti – 1963

O Sol por Testemunha – René Clément – 1960

A Doce Vida – Federico Fellini – 1960

Oito e Meio – Federico Fellini – 1963

Acordes do Coração – Jean Negulesco – 1946

Vidas Amargas – Elia Kazan – 1955

Uma Vida em Pecado – Irving Lerner – 1960

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Sete Psicopatas e um Shih Tzu

seven-psychopaths4Um filme que não precisava terminar. É assim que eu me sinto após assistir a este excelente filme do diretor Martin McDonagh. Após uma brilhante estréia dirigindo longa-metragens com Na Mira do Chefe (2008), era difícil imaginar que Martin faria de seu próximo filme algo tão bom, exatamente por Na Mira do Chefe já superar expectativas. Sete Psicopatas (que não precisava de “e um Shih Tzu” no título) é obra de uma inteligência respeitável. Humor negro ao extremo. Impossível escolher esta ou aquela parte para citar como destaques, pois os detalhes são uma crescente no filme, e deixam de ser coadjuvantes para se tornarem a história principal.

Vida longa ao bom humor que desta forma é empregado: Politicamente incorreto, louco, nonsense, vertiginoso, escrachado, absurdo. Sam Rockwell está delirantemente grandioso. Como não foi indicado em nenhuma premiação importante?

Sete Psicopatas é como já disse, um conjunto. De grandes idéias, grandes atuações, grande trilha, e como já constatado em Na Mira do Chefe, obra do brilhante (guardem esse nome Senhoras e Senhores) Martin McDonagh.

Assista sem ler a sinopse, sem ver o trailer, sem ler qualquer crítica que conte a história do filme. Abra uma cerveja, acenda um cigarro (até mesmo você que nao fuma, esse merece uma pitada) e apague a luz do seu abajur:

Um ótimo filme vai começar!

PS: Aos desavisados e críticos de cinema ali da esquina, o filme não tem absolutamente nada a ver com os filmes do Tarantino. É puro humor britânico!

seven_psychopaths_ver15Sete Psicopatas e um Shih Tzu (Seven Psychopats). UK 2012. 110 min. Direção de Martin McDonagh. Com Michael Pitt, Sam Rockwell, Colin Farrel, Christopher Walken, Linda Bright Clay, Woody Harrelson, Gabourey Sidibe e Tom Waits.

NC:   NP: 8     IMDB: Sete Psicopatas

Por: Ricardo Lubisco

Jerry Maguire – A Grande Virada

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Cameron Crowe conseguiu manter uma média de bons filmes durante todos esses anos, desde a sua ótima estréia em 1992 com Singles – Vida de Solteiro. Alguns excelentes, outros apenas bons. Jerry Maguire fica entre o bom e o excelente. Tem coisas que não são tão grandiosas, mas ao mesmo tempo tem momentos inesquecíveis, fazendo com que o filme seja um dos mais queridos da carreira do diretor e um dos mais lembrados.

A sensacional interpretação de Cuba Gooding Jr (a melhor de sua carreira) lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, em 1997. É certamente um personagem inesquecível, assim como a sua fala mais poderosa e uma das cenas mais engraçadas do filme: – “Show Me The Money!!!!!”. Fala essa que virou uma das frases mais conhecidas da história do cinema.

Muitas pessoas me falaram que acharam um dos melhores filmes do Tom Cruise, mas eu não sei se concordo. Achei ele muito bom no filme, mas os filmes de começo de carreira tem o seu valor. Além é claro de outro filme de Cameron Crowe com ele, que eu gosto muito, chamado Vanilla Sky (uma refilmagem do espanhol Abre los Ojos, que por incrível que pareça, nas mãos de Crowe ficou melhor que o original).

Jerry Maguire ainda é virtuoso em sua trilha-sonora (uma das melhores características dos filmes do diretor) trazendo músicas de Paul McCartney, Neil Young, Bruce Springsteen, The Who, Bob Dylan e outros. Mas não se deixe enganar, o melhor do filme está em sua história.

Resumindo, é um filmão que tem muitas características positivas para engrandecer ainda mais a charmosa história do filme. Apela em certas cenas para um draminha que não precisava, mas parando pra pensar, elas não fazem muita diferença no resultado final.

Jerry Maguire é um filme que deve ser assistido.

O filme foi indicado a 5 Oscar em 1997, vencendo apenas na categoria Melhor Ator Coadjuvante. As outras categorias eram Melhor Ator (Tom Cruise), Melhor Edição (Joe Hutshing), Melhor Filme e Melhor Roteiro Original (Cameron Crowe). Tom Cruise ainda ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia/Musical.

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Jerry Maguire – A Grande Virada (Jerry Maguire). EUA 1996. 139 min. De Cameron Crowe. Com Tom Cruise, Renée Zellweger, Cuba Gooding Jr, Kelly Preston, Jay Mohr, Bonnie Hunt, Regina King e Jonathan Lipnicki.

NC: 7    NP: 8     IMDB: Jerry Maguire

Por: Ricardo Lubisco

Ecos do Além

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Um filme mediano, que dá todas as dicas de sua resolução ao longo do filme. Dá para definir assim o filme de David Koepp. Ao mesmo tempo, é o exemplo de um terror que se fazia muito na década de 90 e hoje está quase extinto do cinema. Um filme focado em desenvolver a história antes de começar a “assustar”. Nesse ponto, Ecos do Além é muito positivo. Kevin Bacon numa boa atuação mantém a média do filme, além da interpretação do pequeno Zachary David Cope. O surrealismo da primeira hipnose é outro destaque do longa.

O filme é muito bem visto pelos amantes do terror, sendo um exemplo de bom filme contemporâneo deste gênero. Hoje em dia quando paramos pra assistir um filme novo de terror, a história é o que menos vemos no filme. São exorcismos, torturas, estupros, sequestros, etc.

Se você gosta do gênero, assita sem medo (com o perdão do trocadlho)!

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Ecos do Além (Stir Of Echoes). EUA 1999. 99 min. Direção de David Koepp. Com Kevin Bacon, Zachary David Cope, Kathryn Erbe, Illeana Douglas e Kevin Dunn.

NC: 5     NP:    IMDB: Ecos do Além

Por: Ricardo Lubisco

 

Globo de Ouro 2013 – Comentários

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Posso afirmar que a cerimônia de ontem a noite da 70ª edição do Globo de Ouro, não foi apenas mais uma edição formal e presumível. Alguns filmes sim, já era de se esperar que recebessem vários prêmios, como o longa do diretor Tom Hopper Os Miseráveis. Como eu vi o grande Érico Borgo comentando, Os Miseráveis é um filme feito essencialmente para ganhar prêmios. Um musical que já foi filmado inúmeras vezes no cinema, mas que continua sendo refilmado (desta vez por Tom Hopper, que em 2010 fez o excelente O Discurso do Rei), trocando os seus atores e acrescentando mais efeitos especiais para que possa haver alguma diferença entre os filmes. Os Miseráveis, dentre os filmes, foi o maior vencedor da noite com 3 Globos de Ouro; Anne Hathaway (Melhor Atriz Coadjuvante) que concorria com grandes nomes como Helen Hunt e Nicole Kidman, Hugh Jackman (Melhor Ator Musical/Comédia) concorria com Bill Murray e com o elogiado Bradley Cooper, entre outros, e levou também em Melhor Filme Musical/Comédia.

djangoUnDjango Livre, filme mais recente do diretor Quentin Tarantino saiu do Globo com 2 prêmios: Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz). Esses prêmios ao meu ver, foram provavelmente bem acertados. Conhecemos Tarantino pelo impacto e criatividade de seus roteiros. Foi inclusive assim que ele entrou para a indústria do cinema, escrevendo os roteiros de Amor à Queima Roupa (1993) e Assassinos por Natureza (1994).

argo-still03Outro filme com 2 prêmios na noite, provavelmente os mais importantes e que mais surpreenderam, foi Argo. Tenho certeza que por essa nem o Ben Affleck esperava. Argo levou o Globo de Ouro de Melhor Filme Drama (!) e de Melhor Direção. Concordo com o de direção. Acredito que foi o prêmio mais coerente da noite, pois era o que havia feito a maior diferença atrás das câmeras perante os concorrentes, que eram Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura), Ang Lee (As Aventuras de Pi), Steven Spielberg (Lincoln) e Quentin Tarantino (Django Livre). Todos os concorrentes eram mais do mesmo, mas não Affleck. A sua direção em Argo, foi o grande destaque do filme, anulando até mesmo sua atuação bem ruim. Já o prêmio de Melhor Filme foi uma grande surpresa. Inclusive acho que não era tão bom assim para levar esse Globo, mas aí fica a grande pergunta: Era melhor que os concorrentes? Não sei.

E aqui está a grande dificuldade de se acompanhar filmes que concorrem a qualquer premiação no exterior, principalmente os mais importantes, como Oscar, Globo de Ouro, Cannes, Berlim, etc. Não existe como fazer uma comparação coerente entre os filmes que ganharam e concorriam aos prêmios mais profunda e correta, pois eles ainda não passaram nos cinemas brasileiros. Ou seja: A maioria dos comentários vêm da experiência que temos de cinema, de coerência, de comentários vindos do exterior, de grandes críticos brasileiros que viajam para os Estados Unidos e Europa, para assistir esses filmes. É um tanto complicado. Eu gostaria que a maioria dos filmes fizesse lançamento mundial nos cinemas, e acho que é a maneira mais correta de distribuição de um filme. É um absurdo que filmes grandes como Lincoln, Django Livre, As Aventuras de Pi, A Hora Mais Escura, Os Miseráveis, O Mestre, O Lado Bom da Vida, etc. não tenham sido ainda exibidos em circuito nacional.

vibe-jodie-foster-golden-globesA homenageada do ano, foi a atriz Jodie Foster. Jodie que tem mais de 40 anos de carreira no cinema fez um discurso humano, como poucas vezes se viu na premiação. Com apenas 13 anos, foi um dos destaques do clássico de Martin Scorsese Táxi Driver (1976), e durante todos esses anos atuou em mais de 30 longa-metragens, levando o Oscar de Melhor Atriz por Acusados (1988) e O Silêncio dos Inocentes (1991). Parabéns, Jodie!

A próxima grande cerimônia de premiações, é o Oscar, em 24 de fevereiro. Vem aí, mais um evento de cobertura em tempo real, palpites, surpresas e muito mais. Aguardemos!

 

 

 

Globo de Ouro 2013 – Vencedores

Globo de Ouro

Em tempo real, os vencedores da 70ª edição do Globo de Ouro.

Melhor Ator Coadjuvante:

Christoph Waltz – (Django Livre)

Melhor Filme ou Minissérie feita para TV:
“Virada no Jogo” (2012)

Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para TV:

Julianne Moore “Virada no Jogo” (2012)

Melhor ator em série de TV – Drama

Damian Lewis, “Homeland” (2011)

Melhor série de TV – Drama

“Homeland” (2011)

Melhor trilha sonora

“As Aventuras de Pi” (2012): Mychael Danna

Melhor Canção Original

-Skyfall – Adele, Paul Epworth (“007 – Operação Skyfall”)

Melhor Ator de Minissérie ou Filme para TV

-Kevin Costner – Hatfields & McCoys

Melhor atriz – Musical ou comédia

Jennifer Lawrence, “O Lado Bom da Vida” (2012)

Melhor Ator Coadjuvante de Série, Minissérie ou Filme para TV

-Ed Harris – Virada no Jogo (2012)

Melhor atriz coadjuvante
Anne Hathaway, “Les Misérables” (2012)

Melhor roteiro

“Django Livre” (2012): Quentin Tarantino

Melhor Ator de Série – Musical ou Comédia

-Don Cheadle – House of Lies

Melhor filme estrangeiro

“Amour” (2012) – Michael Haneke

Melhor atriz em série de TV – Drama

Claire Danes, “Homeland” (2011)

Melhor animação
“Valente” (2012)

Melhor atriz em série de TV – Comédia ou musical

Lena Dunham, “Girls” (2012)

Melhor diretor
Ben Affleck, “Argo” (2012)

Melhor série de TV – Musical ou comédia

“Girls” (2012)

Melhor ator – Musical ou comédia

Hugh Jackman, “Les Misérables” (2012)

Melhor filme – Musical

“Les Misérables” (2012)

Melhor atriz – Drama
Jessica Chastain, “A Hora Mais Escura” (2012)

Melhor ator – Drama
Daniel Day-Lewis, “Lincoln” (2012)

Melhor filme – Drama
“Argo” (2012)

O Homem da Máfia

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Um título um tanto ordinário para um exemplo de cinema bem feito. O filme mais recente do diretor neozelandês Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) que em inglês se chama Killing Them Softly (Matando-os Suavemente), não é exatamente tão violento assim como foi comentado na mídia, e dos filmes que vi esse ano, é uma das boas surpresas. Há sim uma violência um tanto quanto parecida com a que vemos nos filmes de Tarantino, mas ela é focada em momentos específicos. É uma violência crua e condizente com a proposta do filme, violência essa que pode ser comparada também com dois filmes recentes do diretor David Cronenberg, Marcas da Violência (2005) e Senhores do Crime (2008).

Baseado no romance de George V. Higgins – Cogan’s Trade – e com diálogos aprofundados e marcantes, o filme se destaca por manter-se em cenas sempre bem encaixadas. Uma excelente edição. Além disso, ótimas atuações de um grande elenco, incluindo uma ponta de Sam Shepard. Brad Pitt, mais uma vez, se destaca pela imersão no personagem. A trilha sonora igualmente boa, pontua os momentos mais marcantes do filme. De Johnny Cash à Lou Reed.

Fica a indicação para quem gosta de bons filmes. Por vezes lembra Marcas da Violência, por vezes lembra Drive (2011), por vezes um filme de Tarantino, mas O Homem da Máfia têm o seu próprio estilo combinado de muitas boas referências, e faz dessa segunda parceria entre Andrew Dominik e Brad Pitt, um filme um tanto destacado. Há uma cena em particular no filme, em que Pitt olha para o discurso da posse de Obama que está passando na TV e diz a seguinte frase:

“Esse cara quer me dizer que nós vivemos em uma comunidade. Não me faça rir. Eu vivo nos Estados Unidos, e nos Estados Unidos, você está por sua conta. Estados Unidos não é um país, é só um negócio.”

A simples verdade. Não poderia ter dito melhor.

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O Homem da Máfia (Killing Them Softly). EUA 2012. 97 min. Direção de Andrew Dominik. Com Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini, Richard Jenkins, Ray Liotta e Sam Shepard.

NC:     NP:    IMDB: O Homem da Máfia

Por: Ricardo Lubisco