Mês: fevereiro 2013

The Master

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É difícil colocar em palavras a grandiosidade da atuação de Joaquin Phoenix, no novo filme de Paul Thomas Anderson, The Master. Ele não somente atua, mas constrói todas as características perturbadoras do personagem somente com a sua expressão facial. É magnífico. Sendo um dos concorrentes ao Oscar de Melhor Ator deste ano, que inclusive acontece no próximo domingo (24), é o meu favorito para ganhar o prêmio. Em comparação com a atuação de Denzel Washington (outro concorrente ao Oscar de Melhor Ator por O Voo), Phoenix faz o eterno Hurricane parecer aspirante a ator. Para fazer uma comparação mais justa, em determinados momentos do filme Joaquin Phoenix me lembrou muito de Klaus Kinski. A forma de atuar e construir as facetas de seus personagens com olhares, gestos, expressões. Coisa que a grande parte dos atores conhecidos do cinema mundial hoje em dia não consegue fazer; Fugir de si mesmos, incorporar um pensamento e estilo de interpretação. Joaquin é grandioso.

Quanto ao filme, confesso que esperava um pouco mais de intensidade. Talvez ele tenha suficiente, mas eu particularmente esperava mais. Sempre se espera mais de Paul Thomas. O filme tem um ar épico deste a sua introdução. É indiscutível sua beleza artística. Senti falta de indicações ao Oscar nas categorias Fotografia e Melhor Trilha Sonora. Duas coisas que são constantes e muito bem executadas o tempo inteiro. The Master é o primeiro filme em 16 anos a ser filmado inteiramente no formato de 65mm. O último havia sido Hamlet (1996).

É um filme de uma mente incansável e talentosa. Fico com a sensação de que ele poderia ter sido mais.Ter passado a barreira de grandioso para inesquecível. Podia ser melhor, mas não acho que Paul Thomas tenha se perdido em algum momento durante sua obra, é mais fácil que eu não tenha experiência o suficiente para compreender hoje em dia. São poucos filmes como esse que temos o prazer de ver serem feitos. O prazer de separar um tempo para assistir. E com certeza estar aberto a sutilidades que acontecem durante o filme, como a bela cena da motocicleta no deserto.

The Master concorre em 3 categorias ao Oscar: Melhor Ator (Phoenix), Melhor Ator Coadjuvante (Hoffman) e Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams). Minha torcida está toda com o Joaquin Phoenix.

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O Mestre (The Master). EUA 2012. 144 min. Direção de Paul Thomas Anderson. Com Joaquin Phoenix, Phillip Seymour Hoffman, Amy Adams e Laura Dern.

NC: 9     NP: 9     IMDB: O Mestre

Por: Ricardo Lubisco

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O Voo

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É o novo filme de Robert Zemericks. Somente esta frase já tornou o filme mais interessante para mim, antes mesmo de saber do que se tratava a história. Diretor cultuado dos anos 90, dirigiu ótimos filmes como De Volta Para o Futuro (I, II, III), A Morte lhe Cai Bem e Forrest Gump, que nos últimos anos estava trabalhando somente com Live Action/Animação, (O Expresso Polar, A Lenda de Beowulf, Os Fantasmas de Scrooge) sendo que seu mais recente filme sem ser neste estilo havia sido O Náufrago, em 2000.

E valeu a expectativa. O Voo é grandioso em vários momentos, ao mesmo tempo em que deixa a sensação de ficar devendo algo a mais em alguns. É um filme balanceado por não ser uma grande produção comercial, mas que encontra no seu personagem principal, a excelente atuação de Denzel Washington. O ator faz a desconstrução emocional de seu personagem de forma vibrante e eficaz, colocando este piloto de avião álcoolatra e desestruturado que salva dezenas de vidas com sua experiência ao aterrissar um voo destinado a cair, entre uma de suas melhores atuação no cinema.

Apesar de tudo, o filme não deixa de ser mediano. Acredito que Denzel leve o filme nas costas e que o mérito de Zemericks não é tão notável quanto deveria. Fica desta obra, um ótimo Denzel Washington para todos aqueles que são fãs de uma grande atuação.

O ator foi indicado para o Oscar 2013 na categoria Melhor Ator. Acredito que o prêmio deva ficar entre ele ou Daniel Day Lewis por Lincoln. Se Denzel vencer, será extremamente merecido.

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O Voo (Flight). EUA 2012. 138 min. Direção de Robert Zemeckis. Com Denzel Washington, Tamara Tunie, Don Cheadle, Kelly Reilly, John Goodman.

NC: 7     NP: 7     IMDB: O Voo

Por: Ricardo Lubisco

Deus da Carnificina

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Deus da Carnificina é, desde o começo, somente a realidade refletida nas câmeras. Todas as mentiras, a felicidade superficial, o excesso de trabalho, as manias irritantes, o engajamento excessivo, todas as formas de excesso de masculinidade (o modo John Wayne de ser) e o papel de “esposa” em uma relação, são questionados nesse filme do célebre Roman Polanski. A história baseada na peça entitulada Le Dieu du Carnage, de Yasmina Reza, mantém todos os aspectos de uma peça, e é filmada praticamente em apenas um cômodo. O mais interessante da história, com certeza, é o desencadeamento de todas essas situações perante uma única, que acontece com os filhos dos casais, estes personagens principais da trama. 

Houve momentos em que pensei seriamente que veria Jodie Foster tendo um infarto perante as câmeras, tamanho nervosismo que sua personagem é submetida. Em geral, magníficas atuações, como eu realmente já esperava desse elenco. Destaque para Jodie Foster, mas superior a ela, o brilhante Cristoph Waltz. Este austríaco com uma carreira de atuação desde os anos 70, e que já participou de mais de uma centena de filmes, é o que faz o filme permanecer no topo o tempo inteiro. É sensacional e único vê-lo em cena. Certamente uma descoberta tardia do cinema mundial (Obrigado, Tarantino). A maioria dos filmes de Waltz são para a televisão, infelizmente.

Com uma estrutura muito bem montada, estrutura esta que se desmorona aos poucos, Polanski apresenta com toda sua classe artística, sentimentos, pensamentos, manias e todo o temperamento conjugal que em algum momento da vida, após tanta superficialidade, emerge e gera uma situação constrangedora e realista.

O filme foi indicado para dois Globos de Ouro, curiosamente na mesma categoria. Para Jodie Foster e Kate Winslet na categoria Melhor Atriz Comédia/Musical. Achei um tanto ridículo o filme ser taxado de comédia, e particularmente não concordo nem um pouco.

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Deus da Carnificina (Carnage). FRA/ALE/POL/ESP 2011. 80 min. Direção de Roman Polanski. Com Kate Winslet, Christoph Waltz, Jodie Foster. John C. Reilly.

NC:     NP: 8     IMDB: Deus da Carnificina

Por: Ricardo Lubisco

Ted

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Um ursinho de pelúcia que fala e vive como um humano, além de fazer piadas ácidas sobre o cotidiano e com celebridades do cinema e da Tv. Você provalvemente não verá esta situação acontecer com qualquer outro filme, a não ser na continuação deste longa do diretor Seth MacFarlane (Uma Família da Pesada). E provavelmente esta seja a maior relevância do filme, que acaba caindo em clichês de comédia romântica e de outros filmes do cenário Hollywoodiano. Ou seja, acaba sendo um filme balanceado. Os diálogos ágeis e o humor “sem limites”, que funciona e inclusive tira sarro das comédias escrachadas e sem graça, são um contrapeso para preencher a história do filme, que acaba sendo um grande vazio, sem criatividade alguma. Muda o personagem, um pouco da história, mas é mais do mesmo.

O filme tem uma cotação muito boa em sites como Omelete e IMDB, tem o atrativo de ser um filme do criador de Uma Família da Pesada (que inclusive faz a narração de Ted no filme), uma atuação normal de Mark Wahlberg, mas as boas piadas de um urso de pelúcia boca suja e um romance sem açúcar, não salvam o longa de ser uma comédia mediana e, de certa forma, decepcionante.

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Ted. EUA 2012. 106 min. Direção de Seth MacFarlane. Com Mark Wahlberg, Mila Kunis, Seth MacFarlane, Giovanni Ribisi e Joel McHale.

NC: 5     NP: 5     IMDB: Ted

Por: Ricardo Lubisco