Mês: março 2013

Making Off – O Iluminado

The Shining (1)

O Iluminado (The Shining) é uma obra prima do cinema realizada no ano de 1980 por Stanley Kubrick. É um filme baseado no livro “The Shining”, escrito por Stephen King. São inúmeras as qualidades desse filme, a começar pela direção de Kubrick, que era um diretor extremamente perfeccionista. Um dos melhores diretores de todos os tempos, um revolucionário. Com ótimas atuações de Jack Nicholson e Shelley Duvall, O Iluminado é um filme que deve ser visto, obrigatório para quem gosta de cinema. Fora isso, foi um dos primeiros filmes a utilizar a Steadicam¹ (o primeiro foi Rocky em 1976), e o que a utilizou de maneira mais primorosa no cinema naquela época, sendo uma das cenas mais marcantes do cinema moderno (Você deve se lembrar da cena de Danny andando de triciclo nos corredores do Hotel Overlook).

Enfim, recomendações não faltam, e eu espero comentar ele mais para frente aqui no Blog. Enquanto isso, deixo aqui um Making Off da realização do filme que achei na internet, e que vale muito a pena assistir se você é um fã do filme.

Abraços!

 

 A steadicam é um equipamento criado por Garrett Brown em 1975. Consiste de um sistema em que a câmara é acoplada ao corpo do operador por meio de um colete no qual é instalado um braço dotado de molas, e serve para estabilizar as imagens produzidas, dando a impressão de que a câmara flutua. O principais acessórios que garantem a estabilidade suave são o braço isoelástico, que liga o colete ao poste, onde ficam a câmara, bateria e monitor; e o Gimbal, um sistema de rolamentos que gira livremente e suavemente tanto para os lados, como para cima e para baixo. Sistema esse conhecido por eixos X, Y e Z. O Gimbal por si só já garante a estabilização da câmara, mas juntamente com o braço isoelástico, garante a perfeição do sistema de estabilização. A Steadicam tem como função básica isolar os movimentos do operador, de modo que esse movimento não seja transferido para a câmara, causando as inconvenientes tremidas. Em equipamentos de baixo custo, apenas o Steadicam com Gimbal é usado, sem braço e colete. (Fonte: Wikipedia)

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Especial Thomas Vinterberg – Festa de Família

festen1998

Em 1995 na Dinamarca, há exatos 18 anos, surgia o movimento cinematográfico internacional chamado DOGMA 95. Criado pelos dinamarqueses Thomas Vinterberg e Lars Von Trier, o Dogma 95 é um movimento com 10 simples regras que de forma alguma poderiam ser infringidas na realização de um filme, tais como usar somente luz natural nas filmagens, filmar somente com a câmera na mão, e etc. Um movimento realmente revolucionário na época e do qual surgiram filmes verdadeiramente bons, pois o principal objetivo do Dogma, é a de que o diretor aproveite a sua idéia da melhor forma possível, só que sem aspectos artificiais. Uma exaltação à realidade no cinema.

Festa de Família, do diretor e criador do manifesto Thomas Vinterberg, é o primeiro filme do movimento Dogma. Ao contrário do que muita gente pensa, este não é o primeiro filme do diretor. Vinterberg realizou um longa-metragem em 1996 intitulado De Storste Helte, mas é uma raridade do cinema, não sendo encontrado em locadoras e difícilmente na internet. Eu achei um Torrent único dele, e ainda estou aguardando a sua conclusão.

Em 1998 foi realizado o primeiro filme a receber o certificado Dogma 95, Festa de Família. Um filme que desde os seus primeiros minutos imprime a violência moral que vemos até o fim da projeção. Provavelmente o filme mais conhecido do diretor, e com certeza, o mais impactante dele que assisti até o momento. Festa de Família tem em sua história toda a realidade crua que o movimento dogma sugere. Muito bem montado e realizado, o longa é uma crescente de tensão psicológica e para quem não conhece a história e nunca ouviu falar, traz muitas surpresas ao desenrolar da história. Já faz alguns anos que o assisti pela primeira vez, e hoje revendo, não tive tantas surpresas, mas é inegável que ele continua transbordando qualidade. A câmera na mão, nem um pouco frequente na época de realização do filme, em 1998, é uma virtude. Todas as cenas feitas naturalmente trazem mais do que um charme ao filme, e só acrescentam para a história.

Festa de Família elevou o status de Thomas Vinterberg de desconhecido, para Diretor de Cinema mundialmente reconhecido, merecidamente. É com maestria que o diretor filma muitos momentos do filme e constrói uma história sólida e impactante. O filme concorreu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1998, perdendo para Uma Eternidade e Um Dia, do grego Theodoros Angelopoulos, e acabou levando o Prêmio do Júri. Concorreu ao Globo de Ouro de 1999 como Melhor Filme Estrangeiro, perdendo para o nosso Central do Brasil.

Uma incursão brilhante de Thomas Vinterberg ao reconhecimento mundial, com seu filme independente e realista. Festa de Família foi muito aclamado por Festivais em todas as partes do mundo e elevou o status do diretor, que realizou nos anos seguintes alguns filmes para TV, o clipe do grupo inglês Blur, No Distance Left to Run, e voltaria novamente ao cinema em 2003, com Dogma do Amor, filme que será abordado no próximo post Especial sobre o diretor Thomas Vinterberg.

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Festa de Família (Festen). DIN 1998. 105 min. Direção de Thomas Vinterberg (não creditado, uma norma do Dogma 95). Com Ulrich Thomsen, Henning Moritzen, Thomas Bo Larsen, Paprika Steen, Trine Dyrholm.

NC: 8     NP: 8     IMDB: Festa de Família

Por: Ricardo Lubisco

Especial Thomas Vinterberg

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É com muito orgulho que anuncio hoje uma série de posts abordando todos os filmes disponíveis do Dinamarquês, Thomas Vinterberg. Vinterberg é um importante diretor cinematográfico, tendo contribuído para o cinema com filmes cultuados como Festa de Família, assim como filmes igualmente importantes, mas desconhecidos do grande público como Querida Wendy. Vinterberg foi ainda o criador do Movimento Dogma 95, ao lado do também Dinamarquês, Lars Von Trier. 

É com muita felicidade que realizo este primeiro especial aqui do blog, coisa que tenho vontade de fazer há muito tempo. Que seja o primeiro de muitos! Logo mais, um post sobre o primeiro filme desse Especial!

Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer

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Duro de Matar é Duro de Matar. O que esperar a não ser muita ação, Bruce Willis soltando piadinhas o tempo inteiro, e uma enxurrada de tiros para todos os lados? É exatamente assim o quinto filme da franquia Duro de Matar. E não há mal nenhum nisso, sendo que seguindo a proposta, o filme é pura diversão. Mas é confuso com seu enredo desde os primeiros minutos de projeção, tendo muito pouco fundamento para a realização de um quinto filme, sem ser a de arrecadar dinheiro com a fama do perspicaz John McClane.

Já estou um pouco cansado das cenas mirabolantes em que coisas impossíveis acontecem o tempo inteiro. Acho até válido um ou outro acontecimento, mas o personagem John McClane é bom o suficiente para se criar uma história muito mais interessante do que a que é mostrada nesse filme, que abusa do impossível em um roteiro terrível, deixando todas as qualidades do filme nas mãos de Bruce Willis, que nos proporciona momentos divertidos com suas piadas, e é só.

Bom pra matar a saudade do personagem, mas ruim por expo-lo desnecessariamente a uma história que não faz juz a sua trajetória.

Acredito que o diretor John Moore tenha muita participação na parte negativa do filme, pois não simpatizo muito com seus trabalhos anteriores. É um diretor essencialmente de ação desenfreada, o que pode explicar o filme ter ficado tão “explosivo” e “sem roteiro” como o vemos.

Descartável mas divertido. Entre o novo e o antigo, não tenha dúvida. Se recolher armado dos dois ou três primeiros filmes da franquia é uma escolha muito melhor do que ir ao cinema para rir de algumas piadas, mas se decepcionar por ver um personagem tão carismático ofuscado por incontáveis tiros e explosões.

Ah, e ainda tem o filho do John McClane…

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Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer ( A Good Day to Die Hard). EUA 2013. 98 min. Direção de John Moore. Com Bruce Willis, Jai Courtney, Sebastian Koch, Mary Elizabeth Winstead, Yuliya Snigir.

NC: 4     NP: 5     IMDB: Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer

Por: Ricardo Lubisco

A Paixão de Joana d’Arc

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É necessário ver – ou rever – um dos maiores filmes, não apenas do Cinema Mudo, mas da Sétima Arte como um todo: A Paixão de Joana d’Arc (1928), do dinamarquês Carl Theodor Dreyer (1889-1968). Uma oportunidade rara de se fazer isso em tela grande é conferi-lo na mostra Grandes Personagens Femininos da História do Cinema, que começou ontem (terça-feira, 5 de março) e segue até o próximo dia 10, no Cine Bancários (Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico de Porto Alegre).

Trata-se de uma experiência interessante não apenas pela importância que esse título representa, porém inclusive pelo modo como é exibido: sem banda musical enxertada, ele se apresenta mudo tal qual foi gerado. Quando assistido coletivamente, torna-se um evento insólito: apenas a respiração e as expressões sonoras de emoção da plateia são ouvidas, pois o filme é totalmente silencioso.

E nem precisaria haver eloquência maior. Mesmo econômica no uso de intertítulos, a película fala através de cada cena pelo uso poético da linguagem do cinema, tornando a sua mensagem universal, independentemente de país, credo ou época, e exibindo indiscutível beleza.

A atuação de Maria (também chamada de Renée e aqui creditada como Melle) Falconetti como a personagem-título é simplesmente antológica e, desde sempre, um marco. Tão sublime que parece estar em transe o tempo todo.

A Paixão de Joana d’Arc se mostra um filme revolucionário em sua gramática, uma vez que faz extenso emprego de close-ups na narrativa, bem como angulações e movimentos de câmera inusitados para o seu tempo, tornando-se assim um expoente da vanguarda cinematográfica.

O longa se acha repleto de simbologias e, a cada que vez que se assiste a ele, acaba por revelar novas camadas de significado. A sequência final, que une o martírio de Joana d’Arc a uma insurreição popular duramente reprimida, é a apoteose delirante e deleitante de uma tão genuína quanto singular aula de Cinema.

* Texto publicado originalmente no site Cine Revista

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A PAIXÃO DE JOANA D’ARC (La Passion de Jeanne d’Arc, França, 1928)

Direção: Carl Theodor Dreyer.

Elenco principal: Melle Falconetti, Eugene Silvain, Antonin Artaud, Michel Simon, Maurice Schutz, André Berley, Louis Ravet.

NC: 10     NP: 10     IMDB: A Paixão de Joana d’Arc

Por: Adriano de Oliveira (Coordenador do site Cine Revista e membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, e da Associação Brasileira de Críticos de Cinema)

Convidados

Não é de hoje que o meu blog recebe convidados. Não foram muitos, mas os que participaram fizeram isso com muito carinho, o que é o mais importante de tudo. Aliás, o blog só existe por iniciativa minha juntamente com outra pessoa, o Jacson Soares (Artista Plástico, Tatuador, Desenhista, Cartunista, e claro, Cinéfilo), que há algum tempo deixou a escrita um pouco de lado.

E é uma meta minha para o Blog receber cada vez mais convidados, assim como começar a realizar textos sobre temas especiais, filmografia de diretores e etc.

E tenho o maior orgulho em dizer que o convidado mais novo do Uma Dose de Cinema, é o meu amigo e crítico de cinema, Adriano de Oliveira. O Adriano tem um site muito conceituado, o Cine Revista, no qual escreve críticas extremamente técnicas e ao mesmo tempo, muito pessoais em certos momentos. É uma ótima pessoa  que tive a felicidade de conhecer e que inaugura hoje então, uma colaboração ocasional com o Uma Dose de Cinema, e que eu espero que dure por muito tempo!

 

Cine Revista – 9ª Edição das Listas de Melhores e Piores Filmes do Ano

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Mantendo uma tradição respeitável, as listas de Melhores e Piores Filmes do Ano do site Cine Revista, comandado pelo estimadíssimo Adriano de Oliveira, chegam a sua 9ª edição.

Adriano, um queridão que tive a felicidade de conhecer quando trabalhava na Espaço Vídeo (uma das poucas coisas boas da minha experiência lá), me convidou novamente para participar das Listas. Pela 3ª vez participo, não opinando como anteriormente, mas somente citando os melhores e piores do ano. Para quem quiser conferir segue o link: Listas do Ano Cine Revista 2012.

Novamente gostaria de agradecer ao Adriano pelo convite e reafirmar que acompanho e gosto muito do Cine Revista, que é um dos mais tradicionais sites de crítica cinematográfica aqui do Rio Grande do Sul. Feito por pessoas que são verdadeiramente apaixonadas pelo cinema e levam o site como sua segunda profissão.

Adriano, você é mais do que convidado a escrever um artigo, crítica, ou qualquer texto sobre cinema aqui no meu modesto blog.

Adriano além de Coordenador do site, é membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, e integrante do Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).