A Paixão de Joana d’Arc

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É necessário ver – ou rever – um dos maiores filmes, não apenas do Cinema Mudo, mas da Sétima Arte como um todo: A Paixão de Joana d’Arc (1928), do dinamarquês Carl Theodor Dreyer (1889-1968). Uma oportunidade rara de se fazer isso em tela grande é conferi-lo na mostra Grandes Personagens Femininos da História do Cinema, que começou ontem (terça-feira, 5 de março) e segue até o próximo dia 10, no Cine Bancários (Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico de Porto Alegre).

Trata-se de uma experiência interessante não apenas pela importância que esse título representa, porém inclusive pelo modo como é exibido: sem banda musical enxertada, ele se apresenta mudo tal qual foi gerado. Quando assistido coletivamente, torna-se um evento insólito: apenas a respiração e as expressões sonoras de emoção da plateia são ouvidas, pois o filme é totalmente silencioso.

E nem precisaria haver eloquência maior. Mesmo econômica no uso de intertítulos, a película fala através de cada cena pelo uso poético da linguagem do cinema, tornando a sua mensagem universal, independentemente de país, credo ou época, e exibindo indiscutível beleza.

A atuação de Maria (também chamada de Renée e aqui creditada como Melle) Falconetti como a personagem-título é simplesmente antológica e, desde sempre, um marco. Tão sublime que parece estar em transe o tempo todo.

A Paixão de Joana d’Arc se mostra um filme revolucionário em sua gramática, uma vez que faz extenso emprego de close-ups na narrativa, bem como angulações e movimentos de câmera inusitados para o seu tempo, tornando-se assim um expoente da vanguarda cinematográfica.

O longa se acha repleto de simbologias e, a cada que vez que se assiste a ele, acaba por revelar novas camadas de significado. A sequência final, que une o martírio de Joana d’Arc a uma insurreição popular duramente reprimida, é a apoteose delirante e deleitante de uma tão genuína quanto singular aula de Cinema.

* Texto publicado originalmente no site Cine Revista

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A PAIXÃO DE JOANA D’ARC (La Passion de Jeanne d’Arc, França, 1928)

Direção: Carl Theodor Dreyer.

Elenco principal: Melle Falconetti, Eugene Silvain, Antonin Artaud, Michel Simon, Maurice Schutz, André Berley, Louis Ravet.

NC: 10     NP: 10     IMDB: A Paixão de Joana d’Arc

Por: Adriano de Oliveira (Coordenador do site Cine Revista e membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, e da Associação Brasileira de Críticos de Cinema)

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