Mês: abril 2013

Jack Reacher – O Último Tiro

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Baseado no Best Seller do escritor Lee Child, “O Último Tiro” é um filme policial convincente e muito bem realizado. Com uma passagem um tanto discreta pelos cinemas, é um dos grandes lançamentos do primeiro semestre cinematográfico em 2013.

O filme produzido e estrelado por Tom Cruise traz uma trama muito bem bolada, um protagonista ágil e lógico, que em certos momentos lembra os astros do cinema nos anos 80, e coadjuvantes de se tirar o chapéu. Um deles, o grande cineasta Werner Herzog (Aguirre – A Cólera dos Deuses, 1972). Além de me deixar muito contente, ver Herzog, Robert Duvall e Richard Jenkins no mesmo filme, o torna maior do que parece. E o maior que eu quero dizer significa que há muito tempo não assistia um filme policial com uma trama bem escrita e protagonizada. Acho que desde “Os Homens Que não Amavam as Mulheres, 2009“. Você ao ler isso pode dizer: “Ah, Ricardo, tu vem me dizer que um blockbuster policial do Tom Cruise é um filmão?” É exatamente isso. Guardadas as devidas proporções, é um baita filme.

O diretor, Christopher McQuarrie, é mais conhecido por seus trabalhos de roteirista em “Os Suspeitos, 1995” (filme que deu o Oscar de Roteiro Original para Christopher), “Operação Valquíria, 2008“, e “O Turista, 2010“. É principiante na direção, tendo realizado apenas um longa em 2000 chamado “The Way of The Gun“.

Enfim, uma recomendação que faço com prazer à todos que possam se interessar. Li em alguns sites que não faz muita diferença ler o livro ou ver o filme primeiro. Além disso, o filme recebeu muitos méritos por ser leal aos acontecimentos do livro.

O Último Tiro” é o nono, de um total de 13 volumes escritos sobre Jack Reacher. Ou seja: acredito que muita coisa boa vai pintar no cinema relacionada a esta série, isto é, se for mantida a mesma competência e desempenho deste filme. Fico meio tranquilo quanto a isso, pois na telona, Jack Reacher não é Jack Reacher sem Tom Cruise.

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PS: Que pôster terrível hein? Bã!

O Último Tiro (Jack Reacher). EUA 2012. 130 min. Direção de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise, Werner Herzog, Robert Duvall, Richard Jenkins, Rosamund Pike.

NC: 7     NP: 8     IMDB: Jack Reacher

Por: Ricardo Lubisco

Especial Thomas Vinterberg – Querida Wendy

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Querida Wendy é o trabalho mais controverso de Thomas Vinterberg até aqui. Apenas um ano após a realização de Dogma do Amor, o diretor apresentou um filme violento e que, ao mesmo tempo que não recrimina o uso de armas de fogo, também não as incentiva. A polêmica em torno do filme certamente foi muito grande por todos os eventos que já ocorreram nos Estados Unidos relacionados a jovens portando armas. A história do filme inclusive se passa lá.

Escrito pelo sempre parceiro Lars Von Trier (a esta altura, Von Trier já havia ganho muito mais notoriedade no cinema mundial do que Vinterberg), Querida Wendy têm muitos resquícios de Dogville, filme de Von Trier de 2003. Para quem já o assistiu, a alusão fica evidente na cena em que é mostrado o mapa da cidade. Apesar das semelhanças, é possível notar a mão de Vinterberg na obra. No roteiro original de Von Trier, o elenco principal de jovens estava na casa dos 20 anos para cima. Vinterberg então optou por torná-los mais jovens, na casa dos 16, o que segundo Von Trier foi uma idéia brilhante.

Fora a estranha obsessão por armas e algumas cenas em particular, a obra não chama tanta atenção. Tem uma ótima trilha-sonora embalada pela banda sessentista The Zombies, grandes atuações, encabeçadas pelo sempre bom Jamie Bell (Billy Elliot), além de uma atmosfera agradável. mas não é o tipo de filme que se têm como referência do cinema de Vinterberg.

Essa parte da carreira do cineasta Dinamarquês é interessante, pois aqui creio eu que ele não poderia ser encaixado em nenhum tipo de característica. Opostamente ao seu colega fundador de Dogma 95, que sempre gerou grandes discussões sobre sua obra. Querida Wendy é sim um filme polêmico por tratar de um assunto delicado para os americanos (porte de armas, jovens com acesso à armas, etc) mas surpreende por essa liberdade em tocar no assunto sem se penalizar ou fazer qualquer tipo de propaganda. Permanecer neutro quanto a isso e realizar um longa-metragem com cenas bem interessantes é um mérito. Mas com certeza, algo que sempre irá se esperar de Thomas Vinterberg, Mesmo que não faça obras-primas, é inegável o brilhantismo de algumas cenas de seus filmes, o que certamente o deixa em um lugar privilegiado no cinema.

Querida Wendy não é um filme imperdível. Mas quando tiver um tempo, assista. Assim como na história do longa, o filme no fundo parece apenas uma brincadeira entre amigos.

No próximo Especial Thomas Vinterberg, a volta à origem dinamarquesa com Quando um Homem Volta para Casa.

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Querida Wendy (Dear Wendy). ITA/EUA/HOL/ESP/DIN/FRA/ALE/UK 2004. 105 min. Direção de Thomas Vinterberg. Com Jamie Bell, Bill Pullman, Michael Angarano, Danso Gordon, Chris Owen, Alison Pill.

NC: 5     NP: 5     IMDB: Querida Wendy

Por: Ricardo Lubisco

Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo

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A primeira coisa que veio a minha mente ao tentar definir Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo foi: diarréia mental. Mas isso é muito vago e ofensivo, então vou tentar explicar um pouco o meu descontentamento com essa pérola do cinema recente.

O filme é simples, e não é por isso que é ruim, muitos filmes simplistas são bons. O problema aqui é que o filme não consegue expor essa emoção desenfreada e louca que os protagonistas estão vivendo nos últimos dias do planeta terra. Seja pela direção novata de Lorene Scafaria, que co-roteirizou Uma Noite de Amor e Música (2008), seja pelo roteiro despreparado para uma abordagem mais intensa dos personagens. Imagine que este é um romance (que de comédia não tem praticamente nada) com as mesmas coisas impossíveis que acontecem nos filmes de ação (os ruins).

Steve Carrel é uma das poucas coisas boas que o filme apresenta, se esforçando para extrair algo interessante do personagem, além da trilha-sonora, pouco aproveitada na minha opinião. Já Keira Knightley, desenvolve uma expressão de loucura sem sentido conforme o filme avança, que com certeza me faria evitá-la caso a encontrasse andando pelas ruas de um mundo prestes a ser destruído. Este tema, inclusive, não passa de um pano de fundo para a história de romance descabido se desenrolar. Todas as esperanças que eu tinha sobre algo do filme ser bom, foram por água abaixo com o “fim do mundo” apresentado.

Vi muitas críticas positivas sobre o filme e não consigo entender como um romance inventado as pressas e raso, pôde conquistar algumas pessoas. Assistir à participação especial de Martin Sheen, é praticamente como poder respirar antes de morrer afogado.

Para concluir: o filme superou as minhas expectativas de ruindade. Um ponto negativo na carreira de Carrel e da diretora Lorene Scafaria que havia começado bem com o roteiro de seu filme anterior.

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Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (Seeking a Friend for The End of the World). EUA/SIN/MAL/IND 2012. Direção de Lorene Scafaria. Com Steve Carrel, Keira Knightley, Martin Sheen, Adam Brody, Mark Moses.

NC: 4     NP: 3     IMDB: Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo

Por: Ricardo Lubisco

Bigas Luna

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Infelizmente, ontem morreu um importante diretor espanhol bem desconhecido pela nova geração. Bigas Luna fez preciosidades do cinema, como As Idades de Lulu (1990), Jámon, Jámon (1992), e Os Olhos da Cidade São Meus (1987), entre outros. Não sou um exímio conhecedor do cinema de Bigas, mas gostava muito de “Os Olhos da Cidade…”. Fica a minha nota de pesar, e parece que já sei então qual será o próximo diretor abordado em um Especial aqui no Blog! Obrigado, Bigas!

Especial Thomas Vinterberg – Dogma do Amor

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Cinco anos após ter realizado o cultuado Festa de Família, o diretor Thomas Vinterberg surpreendeu muitas pessoas ao anunciar seu mais recente filme, Dogma do Amor. Um título um tanto interesseiro que a distribuidora brasileira colocou no filme, fazendo uma relação com o movimento Dogma criado por Vinterberg e Lars Von Trier, como explicado no post anterior. O título original do filme é It’s All About Love.

Dogma do Amor, antes de tudo, é um filme muito, mas muito subestimado. Eu inclusive cheguei a ler críticas dizendo que era a pior interpretação de Joaquin Phoenix e Claire Danes no cinema, um insulto à dois atores que caíram muito bem no papel que foram escolhidos. O filme tem sim muitos defeitos. É demasiado maçante em alguns momentos ficar completamente perdido na história do filme, um misto de romance, suspense e ficção científica.

Ao mesmo tempo, existem algumas coisas que devem ser esclarecidas. É uma história extremamente criativa. Se Vinterberg não soube usar seu poder de direção e finalizar o roteiro com uma história mais conclusiva e dinâmica, ele incrementou a história com elementos que para mim, foram surpreendentes. Corpos humanos mortos nas ruas e as pessoas passando por cima do corpo sem se importar, apenas seguindo com as suas vidas (isso praticamente acontece nos dias de hoje, metaforicamente ou não), as mudanças climáticas fora de época em todo o mundo, e o mais impressionante, a perda de gravidade.

As atuações de Joaquin Phoenix e Claire Danes não deixam a desejar em nenhum momento, eles praticamente complementam a história com esse romance desconcertado, esse contraste do amor, em um mundo em que o amor é algo em extinção. O personagem representado por Sean Penn, este sim, não existe propósito algum. É desconexo com o restante da história, e se Vinterberg optou por não explorá-lo (como deveria), seria melhor se o tivesse cortado do filme.

Dogma do Amor foi massacrado pela crítica na época do seu lançamento, pois se esperava muito mais do prodigioso Thomas Vinterberg. A minha impressão é que não é para tanto. Eu havia visto Dogma do Amor há uns 6 anos atrás, e a minha impressão era completamente negativa. Revendo ele hoje, o que posso afirmar é que ao mesmo tempo em que o filme apresenta uma série de problemas, ele tem momentos muito relevantes, que o colocam em um patamar mediano perante muitos filmes. Vinterberg pode ter até tremido um pouco a mão na realização deste longa, mas não deixou em momento algum a criatividade e sutileza que guiam um cineasta para o mundo cinematográfico serem perdidas.

Na sequencia do Especial Thomas Vinterberg, o desconhecido mas adorável, Querida Wendy.

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Dogma do Amor (It’s All About Love).  ITA/FRA/CAN/ESP/EUA/JAP/SUE/UK/DIN/ALE/HOL 2003. Direção de Thomas Vinterberg. Com Joaquin Phoenix, Claire Danes, Sean Penn, Douglas Henshall, Alun Armstrong, Margo Martindale, Mark Strong.

NC: 5     NP:6     IMDB: Dogma do Amor

Por: Ricardo Lubisco