Mês: maio 2013

#15 Sempre ao Seu Lado

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O que me incomoda nos filmes que tem os animais como protagonistas, principalmente os cachorros, é o excesso de dramatização que se coloca para contar determinada história. É o que acontece com Sempre ao Seu Lado, que faz de cada situação, um eterno momento dramático.

Aí você se pergunta, mas não é uma história sensível e triste? Sim, é. Mas isso não significa dramatização, e sim nobreza. Coisa que falta muito nesse filme do diretor sueco Lasse Hallström (Gilpert Grape, Chocolate). Além da história verdadeira se passar no Japão e não nos Estados Unidos. Se você está filmando uma história real, porque mudar o país e a época dos acontecimentos? Fora a música triste que embala o filme de seu minuto incial até o fim. Ou seja, Sempre ao Seu Lado é um filme feito para fazer as pessoas chorarem, e não para contar a nobre história de Hachi. Uma pena.

PS: Sempre ao Seu Lado é uma refilmagem de Hachikô monogatari, filme japonês de 1987.

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Sempre ao Seu Lado (Hachi: A Dog’s Tale). EUA/UK 2009. 93 min. Direção de Lasse Hallström. Roteiro de Stephen P. Lindsey, Kaneto Shindô (roteirista do filme original). Com Richard Gere, Joan Allen, Cary- Hiroyuki Tagawa.

NC: 5     NP: 4     IMDB: Sempre ao Seu Lado

Por: Ricardo Lubisco

 

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#14 Pixote: A Lei do Mais Fraco

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Para mim, assistir a Pixote: A Lei do Mais Fraco tem um significado muito maior do que apenas assistir mais um filme. Pixote foi um dos primeiros livros que li quando era criança (o primeiro eu lembro até hoje, foi Robinson Crusoé) e um dos que mais me marcou pela tristeza daqueles meninos, assim como por toda a violência narrada na história. 

O filme do diretor Hector Babenco repassa para a tela a mesma sensação que eu tive lendo a obra, há mais de 15 anos atrás. Mostra toda a miséria, dificuldade, maus tratos e tudo de ruim que são submetidas essas crianças carentes seja nas ruas, ou na FEBEM (hoje chamada FUNDAÇÃO CASA). Pixote tem um trabalho visual sensacional, captando todo este sentimento, misturado a grandes atuações de atores conhecidos e desconhecidos. O primeiro grande filme brasileiro a tocar nesse tema, sem qualquer tipo de glamour, apenas a realidade crua. Uma de suas grandes cenas mostra as crianças brincando com armas encenando um assalto, ao invés de brincadeiras normais.

Fiquei mais impressionado ainda quando fui pesquisar sobre o filme e descobri que o ator Fernando Ramos da Silva, o Pixote, foi morto com apenas 19 anos pela ROTA de São Paulo, após algumas tentativas de continuar sua carreira de ator e algumas passagens pelo mundo do crime. Um pouco desconcertante saber isso, após presenciar uma marcante atuação de Fernando com apenas 13 anos. Aqui vai um trecho retirado da página sobre Fernando na Wikipédia: 

O jornalista Caco Barcellos entrevistou três mulheres que viram Fernando Ramos da Silva ser alvejado por homens da Rota. Nenhuma delas confirmou a versão oficial de troca de tiros e tampouco viram o rapaz armado. As três fontes disseram ter ouvido dos policiais “Dessa vez você não escapa, Pixote!”

A dona da casa na qual Fernando foi alvejado confirma a seguinte narrativa: ele se escondeu no portão da casa dela, três policiais da Rota o encontraram e o tiraram debaixo de uma mesa. Ele pediu “por favor não me mate, tenho uma filha para criar.” Morreu com oito tiros. Os assassinos, após uma longa disputa judicial, ainda se encontram em liberdade.

O filme de Hector Babenco é icônico por ser um excelente exemplar de cinema brasileiro, um verdadeiro clássico, e pela triste e irônica história do menino que viveu Pixote no cinema, e acabou sendo morto por policiais anos mais tarde.

Pixote foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 1982, e venceu uma série de Festivais nos Estados Unidos.

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Pixote: A Lei do Mais Fraco. Brasil 1981. 128 min. Direção de Hector Babenco. Roteiro de Jorge Durán, Hector Babenco, José Louzeiro (Livro). Com Fernando Ramos da Silva, Jorge Julião, Gilberto Moura, Marília Pêra, Tony Tornado.

NC: 8    NP: 8     IMDB: Pixote: A Lei do Mais Fraco

Por: Ricardo Lubisco

#13 Angel- A

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Angel- A é um filme do incansável Luc Besson, conhecido do grande público por ter realizado os excelentes O Profissional (1994) e O Quinto Elemento (1997). Incansável, pois ele é produtor de mais de uma centena de filmes na carreira, além de ter escrito dezenas de roteiros.

Angel- A é um filme simplista com uma filmagem em preto e branco, um acerto por parte do diretor, além de ter apenas dois protagonistas além da cidade de Paris, é claro. A cidade é o personagem principal da história que nela se resume a uma alma perturbada e que quando resolvida consigo mesmo, consegue enxergar a beleza em si escondida, assim como todas as nuances da cidade luz. Uma história de amor simples e muito bem contada.

Os atores se encaixaram muito bem nos papéis e o filme a meu ver é bem divertido e original.

Um detalhe que particularmente gostei muito foi o enquadramento das pontes parisienses. Mais de uma vez o diretor nos brinda com essa imagem que atesta uma ótima direção de fotografia no filme.

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Angel- A. FRA/ESP 2005. 91 min. Direção e Roteiro de Luc Besson. Com Jamel Debbouze, Rie Rasmussen, Gilbert Melki.

NC: 6     NP: IMDB: Angel- A

Por: Ricardo Lubisco

#12 Terapia de Risco

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Recentemente comentei sobre o primeiro trabalho de direção de Steven Soderbergh com Sexo, Mentiras e Videotape. Aliás, foi o filme que deu início a esta saga de 1000 filmes/1000 dias. Na metade do ano passado, Soderbergh anunciou a sua “aposentadoria” do cinema para se dedicar a pintura. Apesar de haver um registro para o lançamento de um filme com Matt Damon ainda esse ano, Terapia de Risco é para ser o último trabalho de Soderbergh na direção (sobre essa informação, Terapia de Risco pode ter sido finalizado após Behind the Candelabra, filme anunciado para junho nos cinemas de Londres).

O fator de maior importância nesse filme é o roteiro de Scott Z. Burns, que traz uma história que remete aos grandes suspenses do cinema, me arrisco inclusive a dizer que é uma história digna de Hitchcock (imaginem esse filme nas mãos dele). E por ter um roteiro tão bom, fica difícil o filme ser ruim. Claro que talentos compartilhados criam algo grande, e acho que foi isso que aconteceu aqui.

O filme ainda tem a participação da atriz Rooney Mara, indicada ao Oscar por seu papel em Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (2009). Outro ator que está excelente aqui é Jude Law. Na minha opinião, um dos grandes atores do cinema atualmente, ofuscado por suas escolhas cinematográficas.

Soderbergh já havia trabalhado com o roteirista Scott Z. Burns em O Desinformante (2009) e Contágio (2011). O diretor ainda diz que sua maior influência durante a realização do filme foi o trabalho de Adrian Lyne, principalmente Atração Fatal (1987).

Não leia críticas que contem a história do filme, ou que digam mais do que o necessário. Apenas assista com o intuito de que é um filme bem interessante.

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Terapia de Risco (Side Effects). EUA 2013. Direção de Steven Soderbergh. Roteiro de Scott Z. Burns. Com Jude Law, Rooney Mara, Channing Tatum, Catherine Zeta-Jones.

NC: 7     NP: 7     IMDB: Terapia de Risco

Por: Ricardo Lubisco 

#11 Amigos Inseparáveis

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O filme começa sereno como a expressão de Christopher Walken. Essa serenidade permanece por algum tempo, e até cheguei a me enganar de que seria apenas uma reunião de bons atores para a realização de um longa sem muito o que falar. Mas aos poucos a situação foi se invertendo, e assim como em Sete Psicopatas e Um Shih Tzu, não queria que o filme terminasse.

Apesar do título podre e que vende o filme como uma comédia bobinha (o título original é Stand Up Guys), o primeiro filme roteirizado por Noah Haidle, e também o primeiro longa metragem dirigido pelo conhecido ator Fisher Stevens (seu rosto é caricato demais para olhar uma foto e não lembrar dele em algum filme), é de um esplêndido bom gosto. Assim como seus personagens, Al Pacino, Christopher Walken e Alan Arkin mostram a melhor das qualidades de uma pessoa madura e vivida: classe.

E o filme que havia começado de uma maneira serena, permanece em um grande status, assim como o de seus protagonistas. É charmoso, muito bem feito, e com muito bom gosto.

Não deixe de assistir se tiver a oportunidade.

O filme concorreu ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original em 2013, pela música de Jon Bon Jovi “Not Running Anymore”.

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Amigos Inseparáveis (Stand Up Guys). EUA 2012. Direção de Fisher Stevens. Roteiro de Noah Haidle. Com Al Pacino, Christopher Walken, Alan Arkin, Mark Margolis, Addison Timlin, Julianna Margulies.

NC: 7     NP: 8     IMDB: Amigos Inseparáveis

Por: Ricardo Lubisco

10# Palhaços Assassinos

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Palhaços Assassinos, ou Killer Klowns from Outer Space como é mais conhecido, é uma pérola dos filmes B. 

Ganhou status de cult pela dificuldade em ser encontrado, geralmente apenas em fita VHS. Hoje em dia claro, é muito fácil achá-lo pela internet.

É um filme dos irmãos Chiodo, especializados pelo departamento de Arte e Efeitos Especiais de muitos filmes. Neste filme em particular, além dos efeitos, eles foram também responsáveis por praticamente tudo, inclusive roteiro e direção.

Killer Klowns é divertido e absurdo. A cada minuto que passa você tenta não acreditar que realmente está vendo o que aparece na tela, de tão ridículo que é. É justamente o absurdo que torna o filme engraçado. Apesar disso, o trash não deixa o filme mais interessante, o que acaba o colocando bem abaixo da média. De bom no filme, temos a maquiagem dos palhaços (muito bem feita) e a criatividade para tanta loucura.

Quem é fã de filmes B certamente irá se divertir, e uma coisa é certa, os irmãos Chiodo merecem o reconhecimento não só pela criatividade, mas também pela coragem em lançar esse trash movie. O filme hoje é altamente reconhecido e tem toda aquela aura de filmes estranhos dos anos 80.

* Os irmãos Chiodo estão preparando uma sequencia em 3D.

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Palhaços Assassinos (Killer Klowns from Outer Space). EUA 1988. Direção de Stephen Chiodo. Roteiro de Stephen Chiodo, Edward Chiodo e Charles Chiodo. Com Grant Cramer, Suzanne Snyder, John Allen Nelson.

NC: 2     NP: 4     IMDB: Palhaços Assassinos

Por: Ricardo Lubisco

#9 Warriors – Os Selvagens da Noite

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Warriors – Os Selvagens da Noite é um cultuado filme oitentista. Apesar de ser realizado em 1979, fez a alegria de toda uma geração nos corujões da vida.

Apesar de ser simples, é muito divertido passear de madrugada por Nova York acompanhando a longa jornada da gangue dos Warriors de volta para casa. Um grande destaque do filme é o figurino das dezenas de gangues que aparecem na história.

Um comentário bem mais simplista que o comum hoje pela minha falta de tempo, mas pelo menos fica aqui o registro.

Se você assim como eu já ouviu muito falar desse filme mas nunca assistiu, reserve algum tempo para ele. Vai te lembrar as melhores Sessões da Tarde.

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