Mês: junho 2013

#44 Conta Comigo

stand-by-me-stand-by-me-31423132-1960-13161

Conta Comigo hoje em dia talvez seja mais conhecido pela presença de River Phoenix (astro em ascendência, falecido em 1993 precocemente por insuficiência cardíaca induzida por drogas) e pela trilha sonora que têm a música Stand By Me (nome original do filme).

Baseado em um conto de Stephen King, Conta Comigo é uma história sobre amizade e personalidade na infância/adolescência. Não li a história que originou o filme, mas tenho certeza que o diretor Rob Reiner captou a essência que precisava para tornar a história algo mais. O algo mais que digo, é um pouco além do espírito cinematográfico dos anos 80. É uma história de amizade, que talvez não como no filme, mas todos tivemos quando éramos mais novos e cheios de espírito de aventura.

O resultado final do filme é agradável e hoje em dia é um clássico contemporâneo do cinema. Em relação a técnicas de filmagem e técnicas cinematográficas, não me acrescentou nada demais. Mas este é um daqueles filmes em que a história supera essas qualidades marcantes do cinema. Um filme que nunca é tarde para se assistir, e nunca demais para ser revisto. Fica a sensacional presença em cena do jovem River Phoenix e atuações de ótimos atores do cinema dos anos 80.

É relatado pela internet que este conto é inspirado em uma experiência pessoal de Stephen King.

*Este artigo foi escrito quando eu estava levemente alterado pelo álcool, qualquer erro gramatical ou repetição de frases é puro efeito da bebida.

stand_by_me_ver2

Conta Comigo (Stand By Me). EUA 1986. 89 min. Direção de Rob Reiner. Roteiro de Raynold Gideon, Bruce A. Evans e Stephen King (história). Com Will Weathon, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O’Connell, Kiefer Sutherland, John Cusack.

NC: 7     NP: 6     IMDB: Conta Comigo

Por: Ricardo Lubisco

Anúncios

#43 Um Conquistador em Apuros

cadillac-man-2-1

No cinema existe uma linha muito frágil, que poucas vezes deve ser ultrapassada: A do personagem  olhar para a câmera e falar. Para isso funcionar, tem que ser um momento estratégico, com um motivo de surpreender o espectador, ou se designar a realizar o filme com o personagem conversando com a câmera diversas vezes. Um exemplo de filme que funciona de maneira brilhante com esse movimento é Funny Games (1997) do diretor austríaco Michael Haneke. Neste filme do mesmo diretor de Cocktail (1988), em duas oportunidades Robin Williams com todo seu ar canastrão, de uma hora para outra, como em um estalo, vira para a câmera e troca algumas palavras. Uma situação embaraçosa, em que eu fiquei com vergonha por ele.

Fora isso, como já cansou de me dizer o meu amigo Jackson Soares, Robin Willians tem um ar incontrolável de canastrão. Aqui mais uma vez ele mostra como pode ser um ator péssimo, sem graça alguma em todas as interpretações do texto, fazendo com que o filme que já era mediano ficasse ainda pior. A aparição de Tim Robbins em cena dá um fôlego para o longa-metragem, mas mesmo assim ele não consegue se salvar.

Um péssimo trabalho de Roger Donaldson, principalmente em escalar Robin Williams para ser o protagonista.

cadillac_man

 

Um Conquistador em Apuros (Cadillac Man). EUA 1990. 97 min. Direção de Roger Donaldson. Roteiro de Ken Friedman. Com Robin Williams, Tim Robbins, Pamela Reed, Lori Petty.

NC: 4     NP: 3     IMDB: Um Conquistador em Apuros 

Por: Ricardo Lubisco

#42 De Olhos Bem Fechados

eyeswideshut1999720pmanh

Muita coisa se falou desde que Stanley Kubrick anunciou a produção de De Olhos Bem Fechados, e inevitavelmente segue até hoje como motivo para discussões e argumentações em rodas de amigos cinéfilos, para uma melhor compreensão do último trabalho de um dos melhores cineastas de todos os tempos.

Muitas histórias circulam os bastidores do filme. O tempo que precisou levar para ser completado (algo em torno de três anos), a dureza que Nicole Kidman e Tom Cruise passaram nas mãos de Kubrick (um perfeccionista, muitas vezes taxado de tirano por sua equipe), a reposição de atores por causa da demora nas filmagens (inicialmente, Harvey Keitel e Jennifer Jason Leigh fariam os papéis que acabaram ficando com Sydney Pollack e Marie Richardson), entre outros detalhes.

Há alguns anos atrás, li um livro escrito por Frederic Raphael, co-roteirista do filme ao lado de Kubrick, chamado “De Olhos Bem Abertos”, sobre as conversas que ele tinha com o excêntrico gênio do cinema que envolviam a construção do roteiro do filme. Não me lembro de muitas coisas, mas o que me marcou daquela leitura (aliás, uma ótima maneira de conhecer melhor Kubrick) foi o perfeccionismo e paixão que Stanley Kubrick tinha pelo roteiro que estava construindo e pela maneira como ia fazer isso. Ele analisava cada diálogo, cada cena, cada movimento de câmera, de luz, para criar o melhor ambiente para a história. Se questionava o por quê tal coisa seria importante na cena, se devia mesmo estar lá. Uma leitura reveladora que explica um pouco a demora para realização do filme, e todos os mitos que o envolvem. Na minha opinião, Kubrick não devia explicação alguma sobre isso. Não lembro de existir atualmente um diretor como ele, com tamanho brilho, inteligência, e amor pelo cinema. É uma notícia oficial a de que ele tenha entregue para a Warner Bros a versão final do filme quatro dias antes de morrer, mas eu tenho minhas dúvidas quanto a isso. Kubrick era extremamente perfeccionista, e é claro em alguns momentos do filme um pequeno excesso de tempo, provavelmente descartável nas mãos de Kubrick.

O filme que foi abarrotado de críticas negativas na época de seu lançamento, divide opiniões ainda hoje. Não foi indicado para grandes prêmios e é lembrado por muitas pessoas até hoje como o último trabalho ruim daquele ótimo diretor. Mas a minha opinião é um pouco diferente.

De Olhos Bem Fechados encerra com louvor a carreira de Kubrick. Certamente todos esperavam uma obra-prima do homem que fez 2001 – Uma Odisséia no Espaço, O Iluminado (massacrado na época do lançamento, hoje mais que cultuado), Dr. Fantástico, entre outros. E De Olhos Bem Fechados não é uma obra-prima, não é um clássico do cinema. Mas é um filme tecnicamente de altíssimo nível. Ele tem um roteiro complexo de adaptação, pela maneira como Kubrick o escreveu, mas realiza a direção das cenas magistralmente, como ninguém faria tão bem. É um prazer ver Cruise adentrar algum ambiente e a Steady-Cam o acompanhar até seu destino. É um prazer entrar no universo criado por Kubrick e suas cenas extremamente trabalhadas e caracterizadas, como a excêntrica loja de fantasias, o apartamento dos protagonistas, e a casa de orgias. Uma direção de arte sensacional.

Kubrick mais do que ninguém sabia o que estava realizando, e a meu ver finalizou a sua carreira com um filme digno de Stanley Kubrick. Praticamente impecável.

A história que inspirou Kubrick a realizar este filme se chama Breve Romance de um Sonho, romance austríaco de 1926 escrito por Arthur Schnitzler.

eyes_wide_shut_ver2

De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut). EUA/UK 1999. 159 min. Direção de Stanley Kubrick. Roteiro de Stanley Kubrick, Frederic Raphael e Arthur Schnitzler (romance). Com Tom Cruise, Nicole Kidman, Sidney Pollack, Todd Field, Julienne Davis, Marie Richardson.

NC: 9     NP: 9    IMDB: De Olhos Bem Fechados

Por: Ricardo Lubisco

 

 

#41 Queimando Tudo

Up-in-Smoke-1978

O primeiro filme dos hoje cultuados Cheech & Chong é um sonho de consumo para os maconheiros de plantão, mas como cinema não vai muito além de um par de boas piadas e muita coisa ruim.

É o primeiro filme de um total de sete que envolvem a dupla Cheech & Chong. Este primeiro considerado por muitos como o melhor, foi dirigido por Lou Adler.

A premissa de dois maconheiros que se encontram e acabam viajando entre Estados Unidos e México funciona em alguns momentos, mas em grande parte do filme eu achei longe de um cinema significativo. O que marca mesmo esses dois personagens e suas aventuras são os seus bigodes e suas surreais maneiras de conseguir se drogar. O filme é de 1978, o que explica bastante todo o conteúdo do filme, bem como os últimos resquícios do movimento hippie.

Se for comparado com a maioria das comédias com esse tema que são feitas hoje em dia, é uma jóia rara do cinema. Mas como cinema em geral, não vai muito adiante.

up_in_smoke

 

Queimando Tudo (Up in Smoke). EUA 1978. 86 min. Direção de Lou Adler. Roteiro de Cheech Marin e Tommy Chong. Com Cheech Marin, Tommy Chong, Ellen Barkin.

NC: 4     NP: 6    IMDB: Queimando Tudo

Por: Ricardo Lubisco

#40 Interlúdio

interlud

Este curta-metragem do diretor gaúcho Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil, é de 1983. Mesmo ano que Gerbase fez o longa-metragem Inverno, e um ano antes de Verdes Anos. Duas obras do cinema gaúcho, que acredito até hoje não serem encontradas em DVD, mas procurando na internet é possível achá-las.

Interlúdio se passa quase todo dentro de um supermercado, e é atrativo de diversas maneiras. A narração de Júlio Conte, o argumento de Gerbase que é bem interessante, e como eu sempre gosto de ver em filmes e curtas gaúchos, as referências a Porto Alegre, como o Xis, o Zaffari, o Cine Coral, e o bairro Partenon.

Foi um dos primeiros trabalhos, tanto de Giba quanto de Gerbase. Vale a pena conferir para ver o retrato dessa então jovem geração de cineastas gaúchos, mas também porque os trabalhos de começo de carreira de Gerbase são os seus melhores trabalhos.

Interlúdio. Brasil 1983. 8 min. Direção e Roteiro de Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil. Com Júlio Conte, Marta Biavaschi, Marília Mosnann, Márcia do Canto.

NC: 4     NP: 5     IMDB: Interlúdio

Por: Ricardo Lubisco

#39 Bagdad Café

bagdad-cafe-1988-06-g A

A primeira vez que tomei conhecimento desse filme foi pela indicação do querido Paulinho Chimendes. Fiquei encantado pela maneira como o filme foi realizado, e tantos anos após ter visto esse filme pela primeira vez, o que me vinha a cabeça quando pensava nele era apenas a música, grandiosa e marcante (indicada para o Oscar de Melhor Canção Original).

Mais do que um ótimo filme, com muita arte envolvida, Bagdad Café é daqueles filmes que não seriam a mesma coisa sem a trilha-sonora.

É muitas coisas, e entre elas um recomeçar de vida, uma utopia no deserto, um picadeiro de sonhos. Certamente uma obra muito marcante, ora pela simplicidade, ora pela beleza e vida incrustrada em cada cena.

O filme é do diretor alemão Percy Adlon, que entre outros filmes fez também Rosalie Vai às Compras (1989), com a mesma atriz de Bagdad Café, Marianne Sägebrecht.

bagdad_cafe_ver1

 

Bagdad Café (Out of Rosenheim). ALE/EUA 1987. 95 min. Direção de Percy Adlon. Roteiro de Percy Adlon, Eleonore Adlon e Christopher Doherty. Com Marianne Sägebrecht, CCH Pounder, Jack Palance.

NC: 8     NP: 9     IMDB: Bagdad Café

Por: Ricardo Lubisco 

#38 Nove Rainhas

Nueve Reinas 01

Quando fui convidado pelo meu amigo Adriano de Oliveira (Cine Revista) para compor uma lista com as melhores obras cinematográficas da década de 2000, não tive dúvida alguma em incluir nessa lista o longa argentino Nove Rainhas. Nem o final (para muitos grandioso) desnecessário tira o brilho deste grande filme realizado por nossos hermanos.

A maior qualidade do primeiro longa-metragem de Fabián Bielinsky, é o roteiro muito bem construído, com diálogos dinâmicos e nem um pouco vagos. Aliás, nada que o filme mostre está ali por acaso. Junte ao precioso argumento, um trabalho de atuação sensacional de Ricardo Darín e Gastón Pauls (Alô, Oscar?), e cenas com uma filmagem surpreendentemente segura e bem executada, e temos um dos grandes filmes argentinos desse novo século e de todos os tempos. O estilo de filmagem me lembra grandes filmes Sul-Americanos e Europeus como Whisky (2003) e Irreversível (2002), coincidentemente, filmes do começo da década passada.

Me recordo claramente do filme ser encontrado apenas em VHS até alguns anos atrás, o que aumentou e muito o boca-a-boca dele aqui no Brasil, tornando-o um filme cultuado para os ratos de locadora.

Nove Rainhas tem como ponto de ebulição a vontade de Fabián Bielinsky em realizar um grande filme, e nesse quesito, ele é impecável.

Para variar, o filme ganhou um remake americano em 2004, com produção de Soderbergh e de um bom elenco. Mas como todo bom apreciador de um bom cinema, tenho as minhas convicções, e uma delas é a de que remakes são desnecessários.

Por acaso alguém sabe o nome daquela música da Rita Pavone?

nueve-reinas

 

Nove Rainhas (Nueve Reinas). ARG 2000. 114 min. Direção e Roteiro de Fabián Bielinsky. Com Ricardo Darín, Gastón Pauls, Leticia Brédice.

NC: 8     NP: 8     IMDB: Nove Rainhas

Por: Ricardo Lubisco