Mês: julho 2013

#72 Cassino

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Foi preciso passar um café para pensar com mais calma neste épico (178 min!) de Martin Scorsese, que é inquestionavelmente um grande filme. Mesmo com um “porém” me incomodando severamente, Cassino têm uma combinação fatal para ser um sucesso.

Tudo começa no livro escrito por Nicholas Pileggi, de mesmo título do filme, com uma história sensacional sobre a máfia e o mundo dos cassinos em Las Vegas. Soma-se a isso, uma direção segura e criativa de Martin Scorsese, Pileggi sendo co-roteirista ao lado do diretor de Táxi Driver (1976), e uma carta de ótimos atores, entre eles Robert De Niro, Sharon Stone e Joe Pesci.

Cassino foi naturalmente concebido uma excelente produção cinematográfica. Seus personagens são marcantes, a sua história muito bem explicada, técnicas de câmera a que estamos acostumados nos filmes de Scorsese, mas apesar de todo esse sucesso, aquele “porém” que eu já relatei estar me incomodando, é bem significativo. Significativo o bastante para os 178 minutos de filmagem não serem o suficientes para ele ser deixado de lado. É inclusive uma das coisas que mais me desanimam em um filme, e a minha surpresa em encontrar um erro tão absurdo em um filme do Scorsese foi do tamanho de um abismo.

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Bem no começo do filme, mais precisamente na primeira cena, quando o carro em que está o Robert De Niro explode, é nítida a visão da película do filme sendo editada e um manequim (pois é, José), explodindo junto com o carro. Manequim este que seria o De Niro. Mas ora, aonde está o trabalho de edição que foi capaz de cometer tamanho deslize? Eu fiquei envergonhado pelo Scorsese, que deve ter visto esse erro e começar a ter a sensação de um ataque cardíaco. E todo o resto do filme, na minha visão, foi prejudicado por um erro infantil. Claro, quem sou eu para julgar um dos diretores mais reconhecidos no meio, e que eu tenho o maior respeito e aprecio a maior parte de sua filmografia. Sou um apaixonado por filmes, provavelmente como você que está lendo este texto, que acredita em uma preocupação e perfeição estética no cinema. Um cuidado que nunca faltou em diretores que eu considero mestres do cinema como Stanley Kubrick, Sérgio Leone e Federico Fellini.

O resultado final é um filme muito bom, marcante, e que apesar de um pequeno erro comprometer toda a sua grandeza, irá manter um status de “filme a ser visto” durante muito tempo.

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Cassino (Casino). EUA/FRA 1995. 178 min. Direção de Martin Scorsese. Roteiro de Martin Scorsese e Nicholas Pileggi. Com Robert De Niro, Sharon Stone, Joe Pesci, James Woods, Frank Vincent, Kevin Pollack.

NC: 8     NP: 7     IMDB: Cassino

Por: Ricardo Lubisco

#71 O mesmo amor, a mesma chuva

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Este filme é um daqueles em que redescobrimos o porquê gostamos tanto de cinema.

O mesmo amor, a mesma chuva, foi realizado por Juan José Campanella quando o diretor argentino ainda não era reconhecido pelo seu enorme talento cinematográfico, o que inevitavelmente faz este filme ser não só o primeiro grande filme realizado pelo diretor, como uma maravilhosa obra deixada para o cinema em geral.

Ricardo Darín (um desconhecido do grande público naqueles tempos) é um gigante em cena, sendo um dos responsáveis pela felicidade do longa, mais precisamente por conseguir encontrar o equilíbrio para interpretar um personagem com tantas características diferentes. Culpa do roteiro, muito bem escrito e englobando não apenas um par de protagonistas, mas vários personagens que fazem o filme soar como música.

Um filme charmoso e marcante. Não leve em consideração o título que apela para um romance cafona. Leve para o lado da poesia, do cinema, de contos, de possibilidades, de vida. O mesmo amor, a mesma chuva não é tão grandioso quanto O Segredo de Seus Olhos (2009), filme que Campanella realizou dez anos mais tarde e que com certeza absoluta, não tem o charme encontrado neste filme. Entrou para a minha lista de favoritos.

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O mesmo amor, a mesma chuva ( El mismo amor, la misma lluvia). ARG/EUA 1999. 100 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Fernando Castets. Com Ricardo Darín, Soledad Villamil, Ulises Dumont, Eduardo Blanco, Alfonso de Grazia.

NC: 8     NP: 10     IMDB: O mesmo amor, a mesma chuva

Por: Ricardo Lubisco

 

 

#70 Mama

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Um filme criativo e interessante, mas que peca nos maneirismos dos filmes de terror.

Extensamente divulgado como o novo filme produzido por Guillermo del Toro, Mama foi perseguido desde o seu começo por uma onda de otimismo em relação ao seu conteúdo. O nome de del Toro como produtor (muitas pessoas devem ter comprado a idéia do filme imaginando que fosse um filme do mexicano) foi um dos grandes responsáveis pela campanha de marketing do filme, e de uma boa recepção na bilheteria mundial.

De certa forma, o filme tem sim um universo parecido com alguns filmes de del Toro, principalmente A Espinha do Diabo (2001) e O Labirinto do Fauno (2006), mas com uma grande diferença. Mama se entrega em enormes clichês, fazendo com que toda a ótima fantasia criada em torno do filme se evapore. O que não desmerece o bom argumento que teve Andrés Muschietti.

Primeiramente, Mama foi concebido e realizado como um curta-metragem que  se destacou em alguns festivais e pela internet. O que de cara chamou a atenção de del Toro, famoso por encarar a produção de diretores desconhecidos e com boas idéias. O que nesse caso foi de certa forma um bom achado. O curta-metragem, que pode ser encontrado na internet, bota na tela um mistério bem inventivo e que não é resolvido, o que despertou a curiosidade de del Toro, e o reconhecimento no trabalho bem feito pelo diretor argentino.

É um filme feliz em apresentar um mistério diferente e muito bem realizado para o público, e por manter uma história coerente, claro que descontando vários clichês que tanto conhecemos nos filmes de terror. Tendo em vista que é o primeiro longa-metragem do argentino, o resultado é bem satisfatório.

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Mama. ESP/CAN 2013. 100 min. Direção de Andrés Muschietti. Roteiro de Andrés Muschietti, Barbara Muschietti, Neil Cross. Com Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nélisse.

NC: 6     NP: 5     IMDB: Mama

Por: Ricardo Lubisco

#69 A Grande Família – O Filme

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O filme baseado na série de TV que está no ar desde 2001 (expressivos 12 anos), não é nada além do que pode ser visto semanalmente no seriado. É apenas um extenso episódio, com um bom roteiro, mas que obviamente não fugiria muito do seu enredo tradicional em um longa-metragem.

De fato, o filme deixa muito a desejar nos quesitos técnicos de cinema. São diversas as vezes que os microfones aparecem em cena, uma situação vergonhosa para os realizadores, que parece não se preocuparam muito com isso. E não conseguir fugir do óbvio na realização deste filme, é mais um ponto negativo.

Vale como curiosidade, e para aqueles que não conseguem assistir toda a semana aos episódios que passam na TV, mas como trabalho cinematográfico, deveria nem ter sido realizado. Fica algo de bom, pelo ótimo entrosamento do elenco e suas devidas interpretações, motivo de sucesso do seriado até hoje.

Maurício Farias parece ser mais um acomodado da equipe da Rede Globo, que pensa, ser hábil o suficiente para realizar um filme. Mas esqueceram de avisá-lo, que a arte cinematográfica é bem diferente da mesmice noveleira.

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A Grande Família – O Filme. BRA 2007. 104 min. Direção de Maurício Farias. Roteiro de Guel Arraes, Cláudio Paiva. Com Marco Nanini, Andrea Beltrão, Paulo Betti, Lúcio Mauro Filho, Pedro Cardoso, Marieta Severo, Guta Stresser.

NC: 3     NP: 4     IMDB: A Grande Família – O Filme

Por: Ricardo Lubisco

#68 Ela Sonhou que Eu Morri

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Um documentário diferente, que tinha tudo para se tornar um excelente registro de estrangeiros presos no Brasil, mas que acaba sendo apenas um bom registro destas vidas aleatórias que o sistema penal brasileiro acabou acolhendo.

O diferencial não existe aqui neste documentário. Aquele algo a mais que o simples enquadramento da câmera tradicional, e todas as sub-histórias escondidas por trás do simples relato. Faltou um olhar sobre o que aqueles presidiários deixaram de citar, um contato com a família, uma preocupação maior com o que foi feito.

É sim uma obra de conceito. Observar a visão de estrangeiros que vieram parar de diferentes maneiras em presídios aqui no Brasil, é um grande feito. Mentiroso, mas grande. Mentiroso porque todos os homens mostrados nas filmagens, estrangeiros, estão em uma penitenciária de São Paulo somente com presos estrangeiros. E isso não me lembro de ter sido citado no documentário. É uma visão sutilmente enganadora a partir do momento que estas pessoas vindas de diversos países estão presas aqui no Brasil, mas não com Brasileiros. Pra mim, ao descobrir esta informação, o documentário perdeu um pouco de credibilidade.

Fica o bom registro das curiosas histórias por trás destas pessoas, e de como são os pensamentos delas. Um registro de estudo social.

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Ela Sonhou que Eu Morri. Brasil 2011. 72 min. Direção de Matias Mariani. Roteiro de Maíra Bühler e Matias Mariani.

NC: 5     NP: 5     IMDB: Ela Sonhou que Eu Morri

Por: Ricardo Lubisco

#67 Crown, o Magnífico

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Este clássico do diretor Norman Jewison é um ótimo filme americano do fim dos anos 60.

O filme tem muitos atrativos. Steve McQueen em seu auge, assim como a musa de uma geração cinematográfica, Faye Dunaway, apenas um ano após ela ter realizado o filme que iniciou uma nova cultura no cinema dos Estados Unidos, Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas. Como era bela.

Mas o filme não é apenas seus atores. Deve-se muito ao sucesso do filme ao carisma deles, mas há muito mais. O diretor, Jewison, já era experiente quando fez este filme. O editor era Hal Ashby, célebre diretor americano que realizou entre grandes filmes, Ensina-me a Viver e Muito Além do Jardim.

A força de Crown (terrível título brasileiro) vêm de seu roteiro, o carisma dos protagonistas, e uma equipe que sabia estar realizando algo muito bom. É um filme sobre crime, ao mesmo tempo em que é romance e drama. Deveria ser um exemplo para a maioria dos filmes que são realizados hoje em dia com esta temática. Podemos perceber a qualidade do filme citando apenas uma cena: a da partida de xadrez. Não há falas durante cinco minutos. Apenas expressões, música e jogadas de xadrez. É uma cena brilhante, que mostra toda a grandeza deste filme.

Houve uma refilmagem do filme em 1999, com Pierce Brosnan interpretando o papel que foi originalmente de McQueen. Curiosamente o roteirista desta refilmagem foi o mesmo do original, Alan Trustman. De qualquer maneira, uma refilmagem de um filme excelente é um insulto à produção daquela época, principalmente a McQueen. Um ícone carismático como ele não merecia ter um de seus grandes papéis interpretado pelo Brosnan, um ator de caras e bocas que não tem nada parecido com estilo.

Um ótimo filme.

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Crown, o Magnífico (Thomas Crown Affair). EUA 1968. 102 min. Direção de Norman Jewison. Roteiro de Alan Trustman. Com Steve McQueen, Faye Dunaway, Paul Burke, Jack Weston.

NC: 7     NP: 8     IMDB: Crown, o Magnífico

Por: Ricardo Lubisco

#66 O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas

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Um dos primeiros filmes dirigidos por Joel Schumacher, que retrata uma época da vida de grandes amigos nos anos 80.

Como este bom título brasileiro (em inglês é St. Elmo’s Fire) entrega, o filme retrata jovens recém formados na faculdade, enfrentando o seu primeiro ano de fase “adulta”. O prestígio por trás da história está no grupo de atores recrutados  para darem vida a estes sete amigos. Emilio Estevez, Rob Lowe, Demi Moore, Judd Nelson, Ally Sheedy, todos eles conhecidos da geração oitentista. E me parece que eles tinham realmente algo especial, pois contracenando juntos, eles são o retrato de uma época, assim como vários outros atores que estamos acostumados a ver em filmes dos anos 80.

Com uma história madura, ótimos atores, baita trilha-sonora, Joel Schumacher imprimiu um bom ritmo de direção, e o filme flui naturalmente, inclusive imprimindo o humor sarcástico de um dos personagens que em vários momentos fala “Love Sucks”, e que coincidentemente ou não, lembra o estilo do Chandler, na tão querida série dos anos 90. Friends inclusive acredito ter sido muito inspirada neste filme em particular, pois as semelhanças são muitas, principalmente o fato de um grupo de amigos se encontrarem quase que diariamente em um bar.

Apesar de tudo, é um filme limitado artisticamente. Coisa que em momento algum, tira o brilho desse registro de Schumacher.

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O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire). EUA 1985. 110 min. Direção de Joel Schumacher. Roteiro de Joel Schumacher e Carl Kurlander. Com Emilio Estevez, Rob Lowe, Andrew McCarthy, Demi Moore, Judd Nelson, Ally Sheedy, Mare Winningham, Andie MacDowell.

NC: 6     NP: 7     IMDB: O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas

Por: Ricardo Lubisco