#80 Amor

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Amor é um filme que segue genuinamente a maneira com que Michael Haneke, um dos meus diretores preferidos (por muitas razões que deixarei para explicar em outro momento), desenvolve a maioria das histórias de seus filmes: De uma maneira muito direta e sem sentimentalismo barato. Uma das grandes qualidades do diretor austríaco. Fico imaginando este filme sendo realizado em Hollywood e todos os Oscar que ele teria ganho se fosse americano.

Pode parecer um comentário um pouco ríspido de início, mas não há como pensar em Amor não vencendo os prêmios que disputou no Oscar, e principalmente perdendo para Argo na categoria de Melhor Filme e Emmanuelle Riva não recebendo o prêmio de Melhor Atriz. É uma piada este ainda ser considerado o maior prêmio do cinema mundial, sendo que ele reconhece em quase sua totalidade somente o cinema americano. É uma visão do absurdo, e tomei a decisão de nunca mais levar o Oscar a sério, assim como nunca mais irei escrever algo sobre as cerimônias de premiação.

O filme segue uma linha realista muito particular e que Haneke construiu durante toda a sua carreira. Muitos começaram a acompanhar seus filmes devido ao enorme sucesso de Caché (2005), um de seus grandes filmes de impacto visual, que contém uma das cenas mais perturbadoras do cinema, mas eu recomendo as pessoas à assistirem o primeiro longa-metragem do diretor, O Sétimo Continente (1989). Este filme é tão realista e impactante quanto Amor, e é um exemplo do cinema que Haneke realizou durante todos estes anos até agora. Ele é um diretor que nunca se deixou levar pela emoção de realizar um drama comovente apenas para ser aplaudido pela crítica.

As atuações de Jean-Louis Trintignant (Haneke escreveu o papel para ele) e Emmanuelle Riva são esplêndidas. O que estes dois atores fizeram em cena nesse filme é um incrível trabalho de dois enormes talentos do cinema, eternizando para sempre a imagem de suas atuações em uma idade muito avançada. O reconhecimento pela atuação é ainda maior pelo filme retratar exatamente esta situação: a velhice. Mas não apenas a velhice, como também a proximidade da morte, e o amor que nos resta quando estamos no momento mais difícil da vida.

Amor tem tantas belas cenas, que a verdadeira impressão do filme é o sentimento que ele deixou em mim. Como bem explica o personagem de Trintignant em uma certa parte do filme, depois de um tempo lembramos de poucas cenas dos filmes, de apenas alguns detalhes da história, mas o sentimento que temos ao pensar no filme é único. E este é um desses filmes. Pela construção (ou desconstrução) da história, pelos momentos apresentados (reais ou surreais), e pelas expressões magníficas desses atores que tanto me marcaram.

De qualquer maneira, palavras não traduzem a beleza artística e sentimental que Amor é capaz de produzir. A obra-prima de um mestre.

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Amor (AMOUR). FRA/ALE/AUT 2012. 127 min. Direção e Roteiro de Michael Haneke. Com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud.

NC: 10     NP: 10     IMDB: Amor

Por: Ricardo Lubisco

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