Mês: outubro 2013

Truque de Mestre

NOW YOU SEE ME

Enquanto terminava de assistir a este filme ontem a noite, fiquei imaginando como começaria este texto. Poderiam ser de várias formas, desde “este filme não é ruim, é uma bosta” até algo mais sutil como “use seu tempo livre para assistir qualquer outro filme”. Optei por começar dizendo que Truque de Mestre, por todo o seu marketing e reunião de bons atores, é uma das grandes decepções do ano, certamente um dos piores filmes lançados neste 2013.

Há tempos descobri da pior maneira que uma reunião de bons atores não é significado de filme bom, mas este se superou.

Se você tem curiosidade sobre o filme, assista o trailer. São apenas dois minutos que resumem todo o filme e te poupam da lenta dor de assistir a esta peça rara de mau gosto.

Truque de Mestre é um filme sem sentido, feito para surpreender o expectador em um final esperado e com flashbacks “reveladores”. O desenvolvimento dos personagens é raso, sendo todos eles mal construídos no roteiro. Roteiro este que é uma das piores coisas do filme, pois o tempo todo mostra eventos grandiosos sem nenhuma ligação aparente, e com truques de mágica somente possíveis na tela do cinema, e porque o filme aborda o tema de ilusionismo. Junte a isto uma péssima edição, e teremos o resultado final do filme.

É uma pena, pois a idéia do filme é muito interessante, tendo em vista que filmes sobre mágica e ilusionismo quase não existem. Lembro dos recentes O Grande Truque e O Ilusionista, exemplos para este filme do diretor Louis Leterrier (Cão de Briga, Furia de Titãs).

Um filme que após o corte final deveria ter sido recusado pelo estúdio e produtores. Um belo pedaço de nada.

E o pior de tudo é que uma continuação já foi anunciada.

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Truque de Mestre (Now You See Me). FRA/EUA 2013. 115 min (de tortura). Direção de Louis Leterrier. Roteiro de Ed Solomon, Boaz Yakin, Edward Ricourt. Com Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harrelson, Isla Fsher, Dave Franco, Mélanie Laurent, Morgan Freeman, Michael Caine.

NC: 3     NP: 1     IMDB: Truque de Mestre

Por: Ricardo Lubisco

O Filho da Noiva

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Como bem disse Marcelo Hessel em sua crítica na época de lançamento do filme para o site Omelete, O Filho da Noiva é um exemplar de cinema.

O filme do hoje consagrado Juan José Campanella, é o resultado de um excelente roteiro (misturando ficção e realidade, pois a mãe do diretor sofre de Alzheimer), a grande atuação do elenco principal, e do bom gosto e naturalidade que permanece o tempo inteiro no filme.

No período entre 1999 e 2009, o diretor argentino concluiu um ciclo de 10 anos com quatro grandes filmes, sendo O Segredo de Seus Olhos (2009), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e o filme que definitivamente fez o mundo se reverenciar ao cinema de Campanella e o apresentou para quem ainda não o conhecia.

Como a maioria dos filmes do diretor, O Filho da Noiva traz uma história sensível permeada por momentos de muito bom humor. Pequenos detalhes que fazem toda a diferença no filme e o deixam com essa naturalidade latente e permeada por momentos geniais, como o da conversa do personagem de Darín com seu melhor amigo na gravação de um filme. Um momento impagável e certamente o meu favorito. Ricardo Darín inclusive tem grande parte no sucesso do filme, pois é um excelente ator. Já havia trabalhado com o diretor em o mesmo amor, a mesma chuva, filme de 1999, e demonstrado toda a sua genialidade. Fez Nove Rainhas em 2000, e este filme em 2001.

O Filho da Noiva concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002, juntamente com o francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, sendo que os dois perderam para Terra de Ninguém, da Bósnia. Fora o Oscar, o filme recolheu prêmios mundo afora, incluindo 3 Kikitos no Festival de Gramado.

Um filme charmoso, engraçado e encantador.  Juan José Campanella pode não ser um Eistein, um Bill Gates ou um Dick Watson, mas com certeza é um grande cineasta.

Se for ver o filme, continue assistindo após os créditos.

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O Filho da Noiva (El hijo de la novia). ARG/ESP 2001. 123 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Fernando Castets. Com Ricardo Darín, Héctor Alterio, Norma Aleandro, Eduardo Blanco, Natalia Verbeke.

NC: 8     NP: 9     IMDB: O Filho da Noiva

Por: Ricardo Lubisco

A Difícil Arte de Amar

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Essa é uma das raras vezes em que o nome de um título no Brasil é melhor do que o original. Lançado em 1986, Heartburn (título original) é um romance auto-biográfico da escritora e roteirista americana Nora Ephron. Ela mesma escreveu o roteiro para o filme sobre amor, casamento, divórcio e filhos.

A minha visão sobre o filme não é ruim, apesar de as qualidades cinematográficas dele serem muito poucas. Mas partindo do princípio que o filme mostra exatamente a história como ela é, acredito que o diretor Mike Nichols realizou um trabalho competente.

É um filme agradável  e com uma ótima atuação da Meryl Streep, que protagoniza o filme ao lado de Jack Nicholson. Há ainda uma pontinha de Kevin Spacey, que realizou seu primeiro trabalho no cinema neste filme.

Os problemas de casamento são bem retratados e mostrados de maneira natural, representados de uma maneira simples pelos atores, com alguns momentos de destaque. Como disse Roger Ebert em sua crítica na época de lançamento do filme, a história poderia talvez não ser tão auto-biográfica e ser mais envolvente em alguns momentos, principalmente o adultério e como o personagem de Jack Nicholson lidava com isso. A visão que temos é em todo o momento da personagem de Meryl.

Sobre o título em português, ele resume todo o filme em apenas uma frase.

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A Difícil Arte de Amar (Heartburn). EUA 1986. 108 min. Direção de Mike Nichols. Roteiro de Nora Ephron. Com Meryl Streep, Jack Nicholson, Jeff Daniels, Maureen Stepleton, Milos Forman, Kevin Spacey.

NC: 5     NP: 6     IMDB: A Difícil Arte de Amar

Por: Ricardo Lubisco

Filhos do Paraíso

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Há tempos quando surge algum filme iraniano em festivais e mostras, é bom ficar de olho. Esse país tem um faro para o cinema, assim como alguns outros espalhados ao redor do mundo. Já havia assistido ao ótimo Gosto de Cereja (1997) do talvez mais celebrado diretor deste país, Abbas Kiarostami, e já ouvi falar de tantos outros, um deles era este Filhos do Paraíso, que ficou conhecido mundo afora por sua indicação a Melhor Filme Estrangeiro em 1999, disputando o prêmio ao lado de Central do Brasil e A Vida é Bela.

O belo do filme é o simples. A maneira simplista de filmagem mas extremamente competente, perceptível desde o começo do longa. A simplicidade dos personagens e da história, da trilha-sonora entrando apenas nos momentos ideais, da simplicidade dos atores, encarnando os personagens exatamente como eles deveriam ser interpretados.

O roteiro do filme, partindo do princípio de dois irmãos tendo que dividir o mesmo par de tênis, é escrito com o sentimento de uma criança. A inocência infantil representada durante o filme inteiro seja pela expressão dos personagens, seja pelas histórias vividas dentro da história, é uma preciosidade que foi justamente reconhecida pelos cinéfilos. A impressão que tive ao terminar de assistir ao filme, foi a da minha transformação em adulto, e em tantas coisas mesquinhas que me preocupavam nos dias de hoje. Por um momento deixei todas as coisas de lado e voltei a pensar com o sentimento de uma criança. Este enfim, é o sucesso de uma obra artística.

Filhos do Paraíso é em muitos momentos poético e a meu ver, uma daquelas raridades do cinema que sempre voltamos a assistir alguma outra vez.

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Filhos do Paraíso (Bacheha-Ye aseman). Irã 1997. 89 min. Direção e Roteiro de Majid Majidi. Com Mohammad Amir Naji, Amir Farrokh Hashemian, Bahare Seddiqi.

NC: 8     NP: 9     IMDB: Filhos do Paraíso

Por: Ricardo Lubisco

É o Fim

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O primeiro filme dirigido por Seth Rogen e que está entre os dez melhores filmes do ano segundo Quentin Tarantino, é divertido e absurdo.

Isso quer dizer que o filme faz uso do principal item que uma história deve ter: imaginação. E o melhor de se ter imaginação no cinema hoje em dia, é a possibilidade de se poder realizar qualquer coisa. Aqui em particular, acontecem coisas absurdas e inimagináveis o tempo inteiro. O que torna o filme divertido e com a possibilidade de acontecer qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo.

Outra coisa que faz o filme funcionar tão bem, é o elenco e a maneira com que a história foi construída. Ao invés de utilizar personagens, Rogen e Evan Goldberg escreveram a história utilizando seus nomes reais, e descrevendo a história como se ela realmente acontecesse com eles e com outros atores conhecidos. A meu ver, uma sacada genial. Tão bom, que o tempo inteiro vemos piadas relacionadas ao mundo “das pessoas famosas”, além de os personagens em si, já fazerem piadas o tempo inteiro com a pessoa real dos atores. Michael Cera, por exemplo, representa tudo o que ele não é na vida real. Um exemplo da diversão deles em realizarem esse filme.

A participação de um elenco conhecido da nova geração de comédia “Hollywoodiana”, e de mais algumas pessoas famosas (como Rihanna e Emma Watson), contribuem para o sucesso do filme. O papel de Emma Watson é curto, mas sensacional.

Da minha parte, achei um certo exagero de Tarantino ao colocar o filme entre os melhores do ano, mas definitivamente é um bom filme.

O filme estréia nos cinemas brasileiros amanhã, 11 de outubro.

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É o Fim (This is The End). EUA 2013. 107 min. Direção e Roteiro de Seth Rogen e Evan Goldberg. Com Seth Rogen, James Franco, Jonah Hill, Jay Baruchel, Danny McBride, Craig Robinson, Michael Cera, Emma Watson.

NC: 6     NP: 7     IMDB: É o Fim

Por: Ricardo Lubisco

Encontros e Desencontros

Lost In Translation 1

O melhor filme de Sofia Coppola.

Com certeza eu poderia começar o texto descrevendo o filme como um representante do bom cinema e numerar todas as suas qualidades, mas acredito que isso seja desnecessário. É mais justo começar dizendo que é o melhor trabalho da diretora, filha do grande Coppola, pois tudo o que vemos na tela e gostamos foi projetado por ela. Desde as cenas que nos remetem a pinturas ou quadros até o sensacional papel escrito especificamente para Bill Murray, e somente ele poderia ter realizado esse contraste de emoção e tédio. Recentemente fiz uma participação no blog do grande Matheus Pannebecker (Cinema e Argumento), citando a atuação de Bill Murray em Flores Partidas como uma das minhas favoritas, ao invés desta em Encontros e Desencontros. Mantenho a minha escolha, não por aquela atuação ser superior a essa, mas justamente por esta além de ser óbvia, seria a escolha da maioria. Flores Partidas e a atuação do eterno caça-fantasma, ainda devem ser descobertos pelo grande público.

A meu ver, Encontros e Desencontros é onde Sofia encontrou o equilíbrio perfeito em sua carreira, aonde soube criar e colocar cada coisa no seu devido lugar. Não existem exageros nesse filme (apenas um momento confuso no bar, aonde os protagonistas fogem correndo), e igualmente não existem coisas impossíveis acontecendo por que “o amor está no ar”. O filme nos apresenta uma história de paixão natural, sem em momento algum forçar a barra para isso acontecer, exatamente como na vida real. O que provavelmente é o grande motivo de identificação da maioria das pessoas que idolatram o filme. Além disso, a beleza não se aplica somente a paixão dos protagonistas. Ela se espalha por todos os frames, em cada cenário curioso do Japão, na direção de arte (uma obra-prima), fotografia, e na estupenda trilha-sonora. Todos que assistiram ao filme, jamais deixarão de lembrar do momento em que Just Like Honey, do Jesus and Mary Chain, começa a tocar no longa-metragem. Esse é um daqueles momentos eternizados no cinema.

O melhor filme de Sofia Coppola.

 

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Encontros e Desencontros (Lost in Translation). EUA/JAP 2003. 101 min. Direção e Roteiro de Sofia Coppola. Com Bill Murray, Scarlett Johansson, Giovanni Ribisi.

NC: 8     NP: 9     IMDB: Encontros e Desencontros

Por: Ricardo Lubisco