Mês: novembro 2013

Invocação do Mal

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Ouvi muitos comentários de companheiros cinéfilos e amigos em geral de que Invocação do Mal era um baita filme de terror, certamente o melhor do ano. E realmente é.

Fazia um bom tempo que não assistia a um filme de terror bem feito, sem apelar para sangue em cena o tempo inteiro ou histórias bizarras de sadismo assassino ou sexual. E apenas por realizar um filme sem estes itens, tão utilizados hoje em dia, Invocação do Mal já ganha um ponto positivo. O filme traz a velha história de casa mal assombrada, mas realizada de uma maneira muito respeitável e assustadora.

Quando um filme de terror anuncia que é baseado em fatos reais já começa a soar um pouco assustador. Isso perdeu um pouco do sentido após os últimos filmes com esse tema a serem realizados, como [REC] (2007) e Atividade Paranormal (2007), por exemplo. Casos contrários ao que acontece aqui. Invocação do Mal reacende a criança medrosa dentro de nós com cenas realmente assustadoras e uma incrível tensão criada no set de filmagem, fazendo com que a proposta do filme seja cumprida com louvor. A escolha certeira dos atores que participaram do filme é a grande responsável pelo sucesso do filme. A interpretação de Lili Taylor é a que mais se destaca na produção, que tem ainda Patrick Wilson, Vera Farmiga e Ron Livingston.

Outro detalhe que faz toda a diferença no filme é o cuidado com o tipo de filmagem realizado, não se auto-desmerecendo por ser um filme de terror, mérito total do diretor James Wan. Para quem não reconhece, é o diretor do primeiro e ótimo Jogos Mortais (2004), e do mais recente Sobrenatural (2010). Fazendo uma rápida análise, acredito que a curta mas experiente carreira do diretor no gênero do terror contribuíram imensamente para o filme ter este resultado tão bom.

Invocação do Mal é certamente o melhor terror realizado neste ano de 2013. E um dos melhores dos últimos anos, trazendo de volta os sustos e todos os mitos por trás das histórias de fantasmas. Se possível, assista ao filme de madrugada, com as luzes apagadas, e vivencie o melhor que um filme de terror está destinado a realizar: Medo.

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Invocação do Mal (The Conjuring). EUA 2013. 112 min. Direção de James Wan. Roteiro por Chad Hayes e Carey Hayes. Com Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor, Ron Livingston, Shanley Caswell.

NC: 7     NP: 7     IMDB: Invocação do Mal

Por: Ricardo Lubisco

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Filhos do Paraíso – pelo artista Ale Maia e Pádua

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É com muito, mas muito orgulho que publico aqui no blog, uma dose artística de um grande amigo meu.

Após assistir ao filme Filhos do Paraíso, Ale Maia e Pádua, artista plástico niteroiense, compôs esta bela arte retratando o seu sentimento quanto ao filme, e um momento emblemático e representativo da obra. Unir artes maravilhosas como o cinema e a pintura é uma das muitas boas coisas que não tem preço. Palmas para ti meu camarada, por ter um coração grande o suficiente para colocar esta pequena história em algum canto por aí, e retratar ela de forma tão bonita.

Quem quiser acompanhar o trabalho do Ale é só seguir os links abaixo:

Ale Maia e Pádua – Site

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Jogos Vorazes

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Jogos Vorazes apenas é um sucesso devido à burrice das pessoas, a eterna mania de se contentar com qualquer coisa moldada para agradar a gregos e troianos, e a inevitável arte do cinema, a qual diferentemente da pintura, leitura, e tantas outras artes, não precisamos de qualquer discernimento e conhecimento prévio, apenas ter um par de olhos e deixá-los parados em frente a uma tela.

Mas calma, não se espantem com o tom revoltado com o qual dei início a este texto. Jogos Vorazes está longe de ser um filme tão ruim assim, mas se sustenta apenas na atuação da ótima Jennifer Lawrence. Todo o resto que vemos na tela, é uma cópia descarada de tudo que já foi visto em Batoru rowaiaru ou Battle Royale, como é mais conhecido esse filme japonês lançado no ano 2000. Bem, não é exatamente uma cópia descarada, pois devido as proporções Hollywoodianas, foram adicionadas pitadas de romance e açúcar. Resumidamente, me parece o enredo de Battle Royale misturado com a baboseira de Crepúsculo. Um forte indicativo disto, são os fãs dos dois filmes. Exatamente iguais.

Apesar de tantos pontos negativos no filme, as atuações de Woody Harrelson, Donald Sutherland, e da Jennifer Lawrence (já citada anteriormente) são muito boas e garantem os melhores momentos do filme. A jovem atriz carrega o filme nas costas com uma atuação respeitável, demonstrando muito talento, e o motivo pelo qual faturou o Oscar desse ano com O Lado Bom da Vida.

Ainda assim, Jogos Vorazes acaba sendo um entretenimento muito barato, focado no público adolescente para fazer rios de dinheiro.

Me senti um pouco pessimista escrevendo este texto, mas acredito que qualquer apreciador de um bom cinema tenha uma opinião parecida com a minha. Como diz a letra de uma música dos Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Ou seja: não me venha com entretenimento barato, cópia de um filme japonês, e que parece o romance dos vampiros modificado. Me traga algo realmente instigante, um entretenimento leve e divertido, um filme para querer rever, uma ficção utópica. Qualquer coisa que seja original e bem feita. Qualquer idéia, sentimento, ou pensamento único. Mas, por favor, não me faça de panaca com um filme adaptado de um livro para uma faixa etária de 13 à 16 anos, disfarçado de uma ficção surpreendente.

É a triste máquina de Caça-Níqueis trabalhando incessantemente em algum lugar da Califórnia.

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Jogos Vorazes (The Hunger Games). EUA 2012. 142 min. Direção de Gary Ross. Roteiro de Gary Ross, Suzanne Collins (romance), Billy Ray. Com Jennifer Lawrence, Stanley Tucci, Josh Hutcherson, Woody Harrelson, Donald Sutherland.

NC: 6     NP: 4     IMDB: Jogos Vorazes

Por: Ricardo Lubisco

Nascido Para Matar

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É impossível entrar no gênero de guerra e não se lembrar do filme de Stanley Kubrick. Realizado sete anos após o clássico O Iluminado (1980), Nascido Para Matar conta a história específica de alguns soldados americanos desde o treinamento, até o confronto na Guerra do Vietnã.

Revendo o filme, ficou muito claro o apelo visual de Kubrick no cinema. É a parte mais talentosa e que se destaca do diretor, com planos de câmera geniais e surpreendentes. A história do filme parece não ter tanta importância para ele quanto um bom ângulo de filmagem, nada mais normal que isso sendo que antes de se tornar cineasta Kubrick era fotógrafo. Mas não falo isso por achar a história do filme ruim. É interessante acompanhar a formação dos soldados, a pressão vivida durante o treinamento militar, parte mais memorável do filme inclusive, com uma atuação brilhante de R. Lee Ermey como o sargento linha dura e desumano.

Com a segunda parte do filme, completamente diferente e deslocada da primeira parte, Kubrick mostra no filme o dia-a-dia de um pelotão aguardando até o momento de entrar realmente em combate com o inimigo. Assim como na primeira parte, aonde a loucura se junta ao cotidiano, os soldados pouco a pouco começam a ter a sua personalidade alterada devido aos horrores da Guerra. O personagem principal dessa mudança, presente desde a primeira parte do filme é o soldado Joker, que leva a contradição do patriotismo consigo em um momento brilhante do filme, em que confronta a demora em ir para a “guerra de verdade”, e quando ela explode, assustado, diz não estar preparado. A contradição do soldado Joker, inclusive, é mostrada em todos os momentos da segunda parte do filme, usando um broche da paz ao mesmo tempo que em seu capacete está escrito Born to Kill (Nascido para Matar).

Como não poderia deixar de ser em um filme de Kubrick, o filme contém o máximo possível de realidade do que realmente aconteceu nessa Guerra. Os americanos o tempo inteiro com abundância de armamento, enquanto os Vietnamitas em número reduzido, se aproveitaram do desconhecimento do inimigo perante as suas terras, e se rechearam de armadilhas, o que é mostrado no filme de maneira eficiente.

A minha idéia de Nascido Para Matar antes de ontem à noite era uma, e hoje já é outra. Me parece claramente que Apocalypse Now (1979) é um filme muito mais completo, mais ousado e que retrata muito melhor a loucura que foi a Guerra do Vietnã. Está longe de ser o melhor filme de Kubrick, mas continua memorável para muitas pessoas, pela genialidade do diretor em criar momentos inesquecíveis em qualquer um de seus filmes, bem como a melhor atuação que ele poderia ter extraído de seu elenco. Aqui, vemos momentos brilhantes e inesquecíveis. O penúltimo trabalho do diretor antes de sua morte. Kubrick só voltaria a filmar em 1997, dez anos depois, com De Olhos bem Fechados.

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Nascido Para Matar (Full Metal Jacket). UK/EUA 1987. 116 min. Direção de Stanley Kubrick. Roteiro de Stanley Kubrick, Gustav Hasford (romance e roteiro), Michael Herr. Com Matthew Modine, Adam Baldwin, Vincent D’Onofrio, R. Lee Ermey, Dorian Harewood, Arliss Howard.

NC: 9     NP: 8     IMDB: Nascido Para Matar

Por: Ricardo Lubisco

Clube da Luta

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E nem parece que já se passaram 14 anos desde a estréia de Clube da Luta nos cinemas. 

Me lembro que na época (eu tinha 12 anos) não dei muita importância para o filme, a não ser pelas manchetes de todo o país do jovem que havia entrado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping em São Paulo e atirado contra a platéia que assistia ao filme. Revendo o filme ontem a noite, apesar de todo o impacto mental e visual (lembro que a primeira vez que o assisti fiquei realmente impressionado e com uma injeção de ânimo e sabedoria) não consigo imaginar uma pessoa tendo a reação que este estudante teve. Mesmo com as idéias e o estilo de vida retratado, nunca se deve esquecer o que é ficção, e o que é a realidade. Acho que esta introdução no texto do filme serve para acabar de uma vez por todas com a opinião de que filmes e games violentos influenciam nos crimes que algumas pessoas cometem. Não, definitivamente não. A pessoa já têm aquela índole, aquele pensamento, a idéia de se virar contra tudo e contra todos e cometer uma loucura.

O filme Clube da Luta surgiu a partir do livro de 1996 de Chuck Palahniuk, de mesmo título, e virou um clássico instantâneo. Tanto que apenas três anos depois, em 1999, chegava aos cinemas a adaptação feita pelo diretor David Fincher, que vinha de um ótimo trabalho no cinema com Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995). Mas o que David Fincher realizou em Clube da Luta não é nada parecido com o que estávamos acostumados até então. A filmagem clássica de cinema alinhada com incontáveis zoom in e zoom out, além de incrementar o tempo inteiro uma incrível tecnologia digital para ditar o ritmo da história e definir Clube da Luta como um dos melhores filmes dos anos 90, e de 1999 para cá. A exaltação pelo trabalho de Fincher deve existir, pois de maneira alguma seria fácil a adaptação de uma história recheada de detalhes, de uma maneira tão intensa e tão bem realizada.

A história do filme é genial. Como disse anteriormente, é uma injeção de ânimo, sabedoria vontade de mudar as coisas em uma cabeça adolescente. Sabotar as grandes empresas, largar os bens materiais, aproveitar a sua vida. Existem muitos momentos do filme que podem ser apontados como cenas maravilhosas. Uma delas é quando o personagem de Brad Pitt, Tyler Durden, entra em uma loja de conveniência e traz o atendente até o estacionamento, aponta uma arma para sua cabeça e diz: “Fulano, hoje você vai morrer”. Ele assusta um pouco o rapaz, e logo após diz para ele seguir os planos que tinha abandonado ou do contrário ele o perseguiria o resto da vida. No fim, Tyler diz: – Amanhã ele terá o melhor dia de sua vida. Um momento que nós nunca saberemos como é. Você não é as roupas que você usa. O seu emprego não te define.

Momentos como esse fazem de Clube da Luta um filme inigualável e extremamente marcante para todos que o assistem. A atuação do trio de protagonistas é em todos os momentos muito dedicada e emblemática. Não há o que dizer de Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter. Caíram muito bem em seus respectivos papéis e têm o espírito necessário para dar vida a personagens confusos e vibrantes.

Baseado em um roteiro brilhante, Clube da Luta é definitivamente um dos filmes mais importantes dos últimos 20 anos no cinema. Entrou para a cultura popular e definiu toda uma geração que cresceu com as idéias do filme na cabeça. Pode ser colocado ao lado de Trainspotting, filme do diretor Danny Boyle como exemplos de filmes controversos e brilhantes dos anos 90. Nos dias de hoje, quase 15 anos após o seu lançamento, continua muito atual e moderno. Clássico instantâneo e obrigatório para todos que gostam de um bom cinema.

Se você ainda não assistiu, se prepare. Seu ponto de vista sobre o mundo capitalista nunca mais será o mesmo.

Ps: Recomendação feita por Victor Hugo Gavino Silva Turatti, de São Paulo.

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Clube da Luta (Fight Club). EUA/ALE 1999. 139 min. Direção de David Fincher. Roteiro de Jim Uhls e Chuck Palahniuk (romance). Com Brad Pitt, Edward Norton, Helena Bonham Carter, Meat Loaf, Jared Leto.

NC: 9     NP: 10     IMDB: Clube da Luta

Por: Ricardo Lubisco

Melhores Cenas – 8 ¹/²

Retornando as melhores cenas do cinema, deixo vocês com uma das melhores sequencias de abertura de todos os tempos. 8 ¹/² de Federico Fellini é o meu filme preferido, e esta cena em particular, é genial. Lembro que ao assistir este filme, tive que pausar ele na metade para fumar um cigarrinho, tomar um ar, e depois terminar de assistir. É um filme que mexe com os sentidos, que aguça a veia cinematográfica, que nos brinda os olhos. E esta cena resume este clássico do cinema.

 

 

 

O Exterminador do Futuro

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James Cameron pode ser considerado hoje como um dos maiores cineastas americano de nosso tempo. Da mesma forma que John Ford, Steven Spielberg, e outros nomes de grandes produções no cinema marcaram seu tempo. Além de ter uma mente visionária, criou duas das maiores bilheterias atuais no cinema (com Titanic e Avatar), da mesma forma que criou clássicos instantâneos como O Exterminador do Futuro.

O filme se for analisado, tem um roteiro simples, mas complicado de ser realizado devido a seus efeitos especiais para a época. Isso fica evidente, em uma cena aonde Arnold Schwarzenegger arranca o seu olho e no lugar aparece uma luz vermelha do ciborgue que ele é. Neste momento em que aparece a luz, fica claro que não é o ator, e sim um boneco mecânico idêntico a ele, que mexe de uma maneira abobada a cabeça. Esses eram os efeitos especiais da época, assim como a parte em que é mostrado os ciborgues perseguindo a personagem principal, Um diretor saber que seus efeitos são limitados, usar o máximo possível deles para a realização do filme, e imaginar que durante a filmagem pode parecer ridículo, mas que na tela vai encaixar e dar certo, é ser um diretor visionário. Tudo que James Cameron é.

O Exterminador do Futuro é um dos primeiros filmes de Cameron, praticamente o seu cartão de visitas, e não poderia ser melhor. Mesmo sendo limitado em alguns momentos, é um filme clássico dos anos 80. Fez a sua história por ter um bom roteiro e um terminator a altura da história, que é Schwarzenegger.  Se comparado com O Exterminador do Futuro 2, realizado sete anos mais tarde, parece bem inferior, pois a experiência de Cameron e os efeitos especiais são nitidamente superiores, fazendo com que a continuação seja muito mais filme que este primeiro.

O Exterminador do Futuro mantém um charme devido a época em que foi filmado. Muitos clássicos instantâneos brotaram dos anos 80, e considerando os filmes Blockbuster, este é um daqueles imbatíveis. Recomendado em todos os níveis para quem gosta de cinema, pois mesmo não sendo um grande fã de filmes do gênero, Terminator é um daqueles filmes que já fazem parte da história do cinema e da cultura popular. É dele que vem o reconhecimento ao talento de James Cameron e uma boa franquia de filmes com uma história muito interessante.

No site IMDB, ocupa a 175ª posição, dos 250 maiores filmes da história segundo voto popular.

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O Exterminador do Futuro (The Terminator). UK/EUA 1984. 107 min. Direção de James Cameron. Roteiro de James Cameron, Gale Anne Hurd, William Wisher Jr. Com Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Michael Biehn, Bill Paxton.

NC: 7    NP: 7     IMDB: O Exterminador do Futuro

Por: Ricardo Lubisco