Mês: dezembro 2013

Filmes para assistir sobre o Natal

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Com o Natal chegando, resolvi fazer uma pequena lista de bons filmes para se assistir nessa época do ano. Alguns são verdadeiros clássicos, outros são extremamente divertidos. Na verdade esta lista está mais para um Top 5 dos filmes com essa temática que me lembro de gostar bastante.

1 – A Felicidade Não Se Compra (1946) – de Frank Capra

Impossível não listar esse clássico natalino, talvez o maior filme sobre o gênero já realizado. Com toda a fé na humanidade que Frank Capra sentia.

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2 – Os Fantasmas Contra Atacam (1988) – de Richard Donner

Todo o carisma de Bill Murray na clássica história de Charles Dickens. Bem divertido.

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3 – Os Gremlins (1984) – de Joe Dante

A história se passa no Natal, é bizarra e muito divertida, os Gremlins já são um clássico.

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4 – Esqueceram de Mim (1990) de Chris Columbus

Um dos filmes mais divertidos do Natal, que marcou época e ainda é referência no gênero. John Hugues é mestre!

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5 – O Estranho Mundo de Jack (1993) – de Henry Selick

Com a história de Tim Burton, este é outro exemplo de filme natalino que virou referência no gênero pela criatividade.

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Para complementar ainda gosto bastante de Simplesmente Amor (2003), O Grinch (2000), Papai Noel às Avessas (2003), Férias Frustradas de Natal e Uma Noite de Fúria (2005).

 

E você, tem alguma lista de filmes favoritos de Natal?

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Gravidade

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Remando contra a maré, achei Gravidade um filme superestimado tanto por público quanto por críticos, elevando-o a um patamar de clássico instantâneo que não condiz com a realidade do filme, nem com a história do cinema.

Alfonso Cuarón é um cineasta que há tempos demonstra um grande talento para a direção. Muitas pessoas acabaram conhecendo seu trabalho a partir de E Sua Mãe Também (2001), mas é desde o bom remake de Grandes Esperanças (1998) que o mexicano demonstrava que levava jeito para a profissão. O ponto alto de sua carreira é certamente Filhos da Esperança (2006), uma das melhores ficções científicas realizadas na década passada. E este seu mais recente trabalho em Gravidade é muito bem feito, mas está longe de ser uma obra-prima como todos estão pintando em críticas e comentários.

Gravidade realiza o que se compromete de uma maneira muito competente. É um filme blockbuster com um tema muito interessante e pouco explorado no cinema, que é a solidão dos astronautas em suas missões espaciais. Aliado a este tema está o deslumbrante visual do filme, todo digital, que serve como “fundo de tela” para tudo que está acontecendo ao redor. E qualquer coisa filmada com este visual já ganha uma importância natural. Para completar as boas coisas do filme, alguns momentos isolados (como a suposta homenagem à 2001 – Uma Odisséia no Espaço [1968], em que Sandra Bullock flutua como um feto), e o bem construído personagem de George Clooney, este destaque inegável do filme. Há ainda a melhor qualidade do filme, que é a sensação angustiante/sufocante que é transmitida com muito louvor por Cuarón.

Fica notável a ausência de uma expressão artística maior, aonde a pretensão de criar algo genuíno, maior do que apenas mais um filmão pipoca de Hollywood, é colocada de lado. Sandra Bullock tem alguns bons momentos de interpretação graças a uma pequena transformação de personalidade da personagem, mas não deixa de ser mais do mesmo.

Quando o filme estava disponível somente para jornalistas e críticos, foi criada uma expectativa na mídia que não condiz com a realidade do filme. Comparar este filme com as grandes ficções, com Stanley Kubrick por exemplo, é uma besteira sem tamanho. Gravidade só é grande o suficiente até o sucesso de bilheteria como um blockbuster, tipo Armageddon (1998). Cinematograficamente é um filme mediano, sendo relevante pelos excelentes efeitos digitais aqui realizados, que tornaram o filme visualmente perfeito.

O melhor trabalho do diretor mexicano continua sendo o mundo utópico aonde as mulheres não mais engravidam, pois falta muito para Gravidade alcançar o patamar em que supostamente o colocaram.

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Gravidade (Gravity). EUA 2013. 91 min. Direção de Alfonso Cuarón. Roteiro de Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, George Clooney (colaborador não creditado). Com Sandra Bullock, George Clooney, Ed Harris.

NC: 7     NP: 6     IMDB: Gravidade

Por: Ricardo Lubisco

O Segredo dos Seus Olhos

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Este filme dispensa qualquer tipo de apresentação. O Segredo dos Seus Olhos foi um sucesso artisticamente e comercialmente sendo reverenciado na Argentina, seu país de origem, e no mundo todo, culminando com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Oscar este que não reflete a importância do longa, pois com todos os filmes que estavam disputando a premiação, este era um que poderia concorrer e ter levado o prêmio em no mínimo mais três categorias.

Juan José Campanella é sem dúvida alguma um dos melhores cineastas da nossa geração. Ele não faz filmes essencialmente de arte, como  Bergman ou  Godard fizeram, ou filmes tecnicamente perfeitos e grandiosos como Stanley Kubrick ou Sergio Leone. Diferentemente destes mestres de outras gerações, Campanella faz igualmente ótimos filmes, apenas com uma maneira diferente de realizá-los. É a partir do cotidiano, das relações pessoais, das memórias, de uma conversa em um café, de uma conversa na chuva.

É perceptível em seus filmes que o diálogo entre os personagens é quase sempre o protagonista. E é feito de uma maneira muito inteligente, sempre adicionando bom humor as falas, deixando-as dessa maneira interessantes e nem um pouco cansativas. A evolução do diretor vem desde o ótimo o mesmo amor, a mesma chuva (1999), filme com os mesmos protagonistas de O Segredo dos Seus Olhos, e que encanta pela simplicidade e competência. Simplicidade aliás, pode ser a palavra que define os filmes do diretor argentino. Neste que estamos comentando, em especial, Campanella realizou uma cena em plano-sequencia que deixou todos de boca aberta e foi a mais comentada do cinema no ano de 2010. Tanto por público como por cineastas e especializados nas questões técnicas. E o orçamento do longa foi de apenas 2 milhões de euros.

O Segredo dos Seus Olhos é um filme grandioso. Não só pela ótima cena em plano-sequencia que citei anteriormente, mas por todas as cenas muito bem construídas que podemos assistir no longa. Uma delas é a de Sandoval solucionando o mistérios dos nomes, em um bar. É um momento de êxtase interpretado da melhor forma possível. E são nestas cenas que está a grandiosidade deste filme. Não por ter uma história de mistério e deixar o espectador intrigado querendo descobrir o que aconteceu. Se fosse apenas isso, seria um filme comum com uma grande história. A diferença (e Campanella sabe muito bem disso) está no cuidado com as relações pessoais e na maneira com que o filme é conduzido até o seu desfecho final.

O mundo inteiro se rendeu ao cinema do diretor argentino a partir desta obra. Campanella com o seu cinema simplista e baseado nas relações pessoais, realizou algo muito melhor do que apenas um grandioso filme. Ele realizou algo que temos orgulho de assistir.

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O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos). ARG/ESP 2009. 129 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Eduardo Sacheri (romance e roteiro). Com Ricardo Darín, Soledad Villamil, Carla Quevedo, Pablo Rago, Javier Godino, Guillermo Francella.

NC: 9     NP: 10     IMDB: O Segredo dos Seus Olhos

Por: Ricardo Lubisco

O Lugar Onde Tudo Termina

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Contrariando as massivas críticas que podem ser encontradas na internet dizendo que o filme é previsível e arrastado, o trabalho do diretor Derek Cianfrance (Namorados Para Sempre) é notável, e talvez tenha passado despercebido pela grande parte do público devido ao seu estendido tempo de duração (2h20). O Lugar Onde Tudo Termina é um filme muito bem realizado, com um excelente nível de atuação de todos os envolvidos, com uma marcante trilha-sonora (com o gênio Ennio Morricone matando a pau) ditando o ritmo dos momentos mais tensos do filme, e uma direção segura e arrojada, bem como o personagem principal da história interpretado por um ator em ascensão no cinema desde O Mundo de Leeland (2003), e que atualmente é um dos favoritos de Hollywood devido ao seu carisma e aos recentes ótimos trabalhos, Ryan Gosling.

Para mim, não existe essa história de filme muito longo, cansativo, e etc. Se é uma obra bem realizada ninguém fica de saco cheio do que está vendo. E O Lugar Onde Tudo Termina é um daqueles filmes que nos prendem a atenção em todos os momentos. É uma história muito bem construída, dividida em três períodos de tempo diferentes, mas o que realmente faz a diferença aqui é a maneira como os atores carregam a intensidade da história nos personagens. À primeira vista, pode parecer um drama barato com uma história pesada. Mas o filme está longe, muito longe disso. É possível perceber isso logo nos minutos iniciais, com uma excelente sequencia de introdução comandada pelo diretor, em que o personagem de Gosling vai de seu camarim até o “Globo da Morte” para fazer o seu número, atravessando todas as tendas, imprimindo em seu personagem a mesma atmosfera inquietante até o fim.

Ryan Gosling é um caso a parte. É o ator do momento, mas vêm fazendo ótimos trabalhos no cinema há pelo menos dez anos. Pode-se creditar o excelente Drive (2011) como o filme responsável pelo “boom” em sua carreira, mas as escolhas por papéis diferenciados foram certamente decisivas para o seu sucesso. Neste filme em particular, ele é o grande responsável pela introdução da história, mas ela continua viva e pulsante nos demais atores. Ótimos trabalhos de Eva Mendes, Bradley Cooper, Ray Liotta, e dos jovens Emory Cohen e Dane DeHaan.

Em uma época de muitos filmes ruins e poucos filmes com alguma qualidade latente, pode-se dizer que O Lugar Onde Tudo Termina é ótimo, mesmo eu acreditando que bons trabalhos realizados sejam atemporais. E a beleza deste filme está repartida por diversos momentos, assim como a história que ela apresenta. Desde uma panorâmica de uma motocicleta na estrada, passando pelas descobertas de um passado obscuro, até uma fotografia dobrada em uma carteira. O diretor Derek Cianfrance realiza aqui um filme que vai além de uma história filmada. Ele registra a história em momentos distintos mas relacionados, pelos personagens, pelos lugares, pelos objetos, e claro, pela vida.

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O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines). EUA 2012. 140 min. Direção de Derek Cianfrance. Roteiro de Derek Cianfrance, Ben Coccio, Darius Marder. Com Ryan Gosling, Eva Mendes, Bradley Cooper, Ray Liotta, Emory Cohen, Dane DeHaan.

NC: 8     NP: 8      IMDB: O Lugar Onde Tudo Termina

Por: Ricardo Lubisco