2010

#79 Um Lugar Qualquer

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É preciso deixar a regra de que sempre estamos esperando algo que nos surpreenda nos filmes de lado. Há muito tempo que escuto as pessoas falando “mas eu fiquei todo o tempo esperando algo acontecer, e o filme acabou sem mais nem menos”, frase que me deixa uma dúvida na cabeça: o que as pessoas realmente esperam de um filme quando o assistem? Certamente uma grande história, algo memorável. Mas existem filmes que são apenas filmes, e não obras-primas. Filmes que fazem apenas um relato visual de alguma situação, de alguma história sem começo, meio e fim. Pode-se dizer que Um Lugar Qualquer de Sofia Coppola está entre estes filmes, que transitam entre uma cena e outra sem dizer muito a que vieram, chatos em certos momentos, mas que tem um visual marcante e belo.

Sofia que será eternamente lembrada pelo seu melhor trabalho no cinema com Encontros e Desencontros (2003), ápice de criatividade da diretora, realiza aqui um trabalho justo às suas perspectivas, com ótimos ângulos e uma bela fotografia (como sempre), assim como uma trilha-sonora muito agradável, mas isso não é o suficiente para fazer de Um Lugar Qualquer um bom filme. Me parece que ela se superestimou um pouco, deixando as suas características guiarem um filme sem um roteiro bem trabalhado, que deixa por vezes o filme alongado demais em algumas cenas e sem parecer convincente, até porque já havíamos visto este universo que a diretora apresenta aqui em Encontros e Desencontros, apenas de uma maneira diferente.

Um Lugar Qualquer se sustenta pela beleza que Sofia coloca na maioria das cenas, uma característica natural dela. Mas fica devendo muito, vindo de uma pessoa que eu absolutamente esperava mais. Talvez esse algo a mais venha no seu próximo filme, talvez não. Qualidade eu sei que ela tem.

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Um Lugar Qualquer (Somewhere). EUA/ITA/JAP/UK 2010. 97 min. Direção e Roteiro de Sofia Coppola. Com Stephen Dorff, Chris Pontius, Elle Fanning.

NC: 5     NP: 6     IMDB: Um Lugar Qualquer

Por: Ricardo Lubisco

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#61 O Solteirão

Untitled Noah Baumbach Project

Impossível existir um título em português mais cretino para este filme do diretor Noah Baumbach, que no original chama-se apenas Greenberg. Sério, deveria ter uma lei em que fosse proibido destoar a tradução de um título de filme. Muita gente estaria com falência bancária neste momento.

Tirando a maldita tradução, o filme não é tão ruim quanto aparenta. Na verdade ele é agradável, apesar de demorar um pouco de tempo para se acostumar a ele, e aos personagens. Ele não é tão significante quanto ao filme mais conhecido do diretor, A Lula e a Baleia (2005), mas é notável um amadurecimento de Baumbach na maneira de se contar uma história.

O par de atores principais funciona muito bem juntos. Ben Stiller, que já me agrada bastante como ator e que acho bem carismático faz uma interpretação muito boa, e funciona tanto no drama quanto na comédia. E Greta Gerwig é uma boa surpresa.

Noah trabalha muito bem o desenrolar da história, e o roteiro evita os clichês dos filmes de depressão. Até porque o tema é encarnado aqui por um protagonista de meia-idade, ao contrário dos adolescentes sempre retratados. Os jovens aqui inclusive são o oposto da depressão, sempre antenados e felizes, a nata da adolescência burguesa da Califórnia, exceto pela personagem de Greta, uma adolescente de 25 anos que não é uma depressiva, mas é tão problemática quanto o personagem de Ben Stiller.

Um bom filme. Considere a trilha-sonora um bônus!

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O Solteirão (Greenberg). EUA 2010. 107 min. Direção de Noah Baumbach. Roteiro de Noah Baumbach, Jennifer Jason Leigh. Com Ben Stiller, Greta Gerwig, Jennifer Jason Leigh, Rhys Ifans.

NC: 6     NP: 6     IMDB: O Solteirão

Por: Ricardo Lubisco

#54 No Distance Left to Run

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Um documentário musical feito em estilo convencional, mas que surpreende pela importância do registro.

Ultimamente todas as grandes bandas que encerraram atividades e resolveram se reunir novamente estão ganhando documentários. E não foi diferente com o Blur,  banda de grande importância no cenário musical britânico no começo da década de 90. Enquanto nos EUA o movimento grunge surgia desenfreado, as bandas londrinas faziam um som semelhante ao Stone Roses, referência dos anos 80, o Blur inovou a sua música a ponto da mídia especializada criar um novo gênero para classificar o som que eles faziam, o famoso Britpop (pop britânico).

Sem muitas inovações no estilo de filmagem e mantendo pedaços de show com as entrevistas dos integrantes da banda, os iniciantes diretores Will Lovelace e Dylan Southern conseguiram captar essa reunião da banda de uma forma simples, mas mágica. Com inúmeros detalhes de bastidores e com explicações sobre brigas, afastamento e criação das principais músicas, o documentário acaba captando com muita sensibilidade aquele momento que era vivido pelo Blur quando decidiram se reunir novamente para uma turnê na Europa.

Recomendo muito para os fãs, e para quem apenas conhece pouco a banda, pois acabará descobrindo uma sonoridade bem peculiar.

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No Distance Left to Run. UK 2010. 104 min. Direção de Will Lovelace e Dylan Southern. Com Damon Albarn, Graham Coxon, Alex James e Dave Rowntree.

NC: 5     NP: 8     IMDB: No Distance Left to Run

Por: Ricardo Lubisco

#53 Senna

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Um documentário que relata a carreira de uma lenda, desde as primeiras corridas até a fatalidade que completará 20 anos em 2014. Hoje em dia após tanto tempo, é difícil até de lembrar a sensação que existia no Brasil por causa de Ayrton Senna. Não é por acaso que ele virou um ídolo mundial, mas aqui no Brasil, ele era um exemplo de ser-humano, um modelo de pessoa íntegra e humilde, inteligente e honesta.

Eu era muito pequeno quando o Senna faleceu, tinha apenas 7 anos, mas me lembro de acordar todo domingo de manhã para assistir ele na Fórmula 1. E eu não fazia isso porque gostava de corrida (hoje em dia se assisto uma por ano é muito), eu acordava para vê-lo. Porque a atmosfera que existia nessa época e que eu me lembro, era a de um verdadeiro exemplo, um herói a ser seguido. E tudo isso é captado no documentário do diretor Asif Kapadia, não muito conhecido no meio cinematográfico, mas que aqui realizou um excelente trabalho.

O documentário é bem completo, e foge um pouco da clássica biografia para se concentrar na carreira de Senna na Fórmula 1. O que definitivamente é um acerto, pois acompanha detalhadamente a ascensão do piloto, as mudanças que aconteciam ano após ano, as experiências boas e ruins, os absurdos que aconteciam nos bastidores (como o que tirou um campeonato mundial de Senna, por Alain Prost ser amigo pessoal do presidente da FIA) e todos os momentos tensos que aconteceram o acidente. Mas o mais interessante do documentário, é a análise sobre a pessoa que era Senna e o que ela representava para as pessoas. A sua dedicação no trabalho, a insatisfação que tomava conta dele quando não atingia os resultados que esperava, mas acima de tudo, a pessoa maravilhosa que era Ayrton Senna. Fica claro em todos os momentos o porquê ele era considerado tão especial, porque ele era exemplo pra muitas pessoas ao redor do mundo. Ele era uma pessoa justa, honesta. Lutava pelo melhor, para superar a si mesmo, e não aceitava quando acontecia qualquer tipo de desonestidade. Uma visão completa da pessoa Ayrton Senna, e do profissional incansável. A lenda que todos conhecemos.

Talvez a maior curiosidade deste documentário, é ele ter sido realizado por um inglês, e não um brasileiro.

Senna é um exemplo de pessoa e um herói até hoje. Claro, nada pode ser igual para quem viveu naquela época de transição no Brasil, um momento em que todos precisavam de um herói para seguir em frente. Este filme recupera esta atmosfera, e assim como Senna, nos faz ter orgulho de fazer parte da mesma nação que ele. De ter vivido isso. E todo o esforço que ele fez em vida para superar seus objetivos, ficará para sempre na história do esporte, da vida, do Brasil.

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Senna. UK/FRA 2010. 106 min. Direção de Asif Kapadia. Roteiro de Manish Pandey. Com Ayrton Senna, Alain Prost, Frank Williams, Ron Dennis.

NC: 7     NP: 8     IMDB: Senna

Por: Ricardo Lubisco

#49 O Viajante

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Ainda estou tentando entender como alguém pode realizar um filme tão ruim. O diretor Michael Oblowitz deveria seriamente pensar em fazer outra coisa da vida, porque todos os filmes no seu currículo são terríveis.

Este em particular, que tem como protagonista Val Kilmer, consegue superar em fatores negativos qualquer filme que eu tenha visto até hoje. É a filmagem de uma história sem pé nem cabeça de Joseph C. Muscat, e eu faço questão de citar seu nome, para quando qualquer pessoa ver ele, possa reconhecê-lo como um péssimo profissional cinematográfico. Seu roteiro é esdruxulo, raso e sem sentido.

A atuação de Val Kilmer é uma piada, e isso é possível perceber com dez minutos de filme. Aliás, não leva muito tempo para perceber a porcaria que está se assistindo.

É tão ruim, mas tão ruim, que não vale nem a pena falar algo a respeito.

É a primeira nota 0 da história do blog.

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O Viajante (The Traveler). EUA/CAN 2012. 96 min. Direção de Michael Oblowitz. Roteiro de Joseph C. Muscat. Com Val Kilmer.

NC: 1     NP: 0     IMDB: O Viajante

Por: Ricardo Lubisco

#26 Biutiful

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O mais recente filme do diretor consagrado Alejandro González Iñárritu, é um retrato duro e belo dos últimos dias de uma pessoa com doença terminal. Que fique claro que dizendo isso, eu não estou revelando algo do filme, pois isso é exposto logo no começo do longa.

O filme é sensível demais, e o que faz ele ser tão especial é a atuação inspirada de Javier Bardem, que faz de uma interpretação que poderia ser banal, um retrato forte de um roteiro muito bem escrito. Ele é praticamente o único personagem principal, sendo que me lembro de apenas uma ou outra cena em que ele não apareça. E essa atuação sensacional dele não é novidade. Há tempos Javier vêm fazendo um excelente trabalho de atuação.

Outra qualidade é o título do filme, retirado de uma simples conversa, mas que tem significados muito maiores do que apenas aquele mostrado. É um título que engloba tudo o que vemos. O amor do pai com as crianças, as belíssimas cenas poéticas registradas ao longo do filme, e até mesmo o dom do personagem de Bardem em suavizar a partida dos mortos. Esse sendo um pequeno detalhe do roteiro, mas ainda assim, muito obscuro.

Em geral, um filme diferente das obras anteriores de Iñárritu, mas um filme muito bem realizado por quem entende de cinema. Como disse anteriormente é duro, sendo que pode não agradar a todos, mas quanto mais assistimos o filme, fica mais nítida a impressão de que estamos assistindo a uma obra bela e única.

O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011, assim como o de Melhor Ator em 2011. Bardem levou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes em 2010.

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Biutiful. MEX/ESP 2010. 148 min. Direção de Alejandro González Iñárritu. Roteiro de Alejandro González Iñárritu, Armando Bo, Nicolás Giacobone. Com Javier Bardem, Maricel Álvarez, Hanna Bouchaib, Guillermo Estrella.

NC: 8     NP: 8     IMDB: Biutiful

Por: Ricardo Lubisco

A Rede Social

David Fincher (Clube da Luta) apresenta em seu mais recente trabalho, um filme inteligente permeado por diálogos ágeis. O ritmo dado ao longa é um acerto de Fincher, dando um tom não muito distante de um documentário para contar a história da criação do Facebook. Os destaques deste filme vão para a atuação de Andrew Garfield, a excelente edição e fotografia, fazendo valer a pena os 120 minutos de produção, assim como a ótima trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross . Não é toa que o filme foi premiado com o Oscar de Melhor Trilha Sonora e Melhor Montagem. Recebeu também um Oscar por Melhor Roteiro Adaptado, premiando o bom trabalho de Aaron Sorkin (Questão de Honra). A questão é: O filme poderia ter rendido muito mais nas mãos de Fincher. Não vejo nenhuma surpresa em sua boa direção, e não existe a impressão de que ele acrescentou algo de tão grandioso a ponto de ser lembrado por este trabalho. Fica a sensação de ser um filme superestimado, assim como a história (idolatrada por muitos) de Mark Zuckerberg.

The Social Network. EUA 2010. 120 min. Direção de David Ficher. Com Jesse Eisenberg, Rooney Mara, Bryan Barter e Andrew Garfield.

NC: 7     NP:    IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1285016/

Por: Renata Sobrosa