2011

#68 Ela Sonhou que Eu Morri

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Um documentário diferente, que tinha tudo para se tornar um excelente registro de estrangeiros presos no Brasil, mas que acaba sendo apenas um bom registro destas vidas aleatórias que o sistema penal brasileiro acabou acolhendo.

O diferencial não existe aqui neste documentário. Aquele algo a mais que o simples enquadramento da câmera tradicional, e todas as sub-histórias escondidas por trás do simples relato. Faltou um olhar sobre o que aqueles presidiários deixaram de citar, um contato com a família, uma preocupação maior com o que foi feito.

É sim uma obra de conceito. Observar a visão de estrangeiros que vieram parar de diferentes maneiras em presídios aqui no Brasil, é um grande feito. Mentiroso, mas grande. Mentiroso porque todos os homens mostrados nas filmagens, estrangeiros, estão em uma penitenciária de São Paulo somente com presos estrangeiros. E isso não me lembro de ter sido citado no documentário. É uma visão sutilmente enganadora a partir do momento que estas pessoas vindas de diversos países estão presas aqui no Brasil, mas não com Brasileiros. Pra mim, ao descobrir esta informação, o documentário perdeu um pouco de credibilidade.

Fica o bom registro das curiosas histórias por trás destas pessoas, e de como são os pensamentos delas. Um registro de estudo social.

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Ela Sonhou que Eu Morri. Brasil 2011. 72 min. Direção de Matias Mariani. Roteiro de Maíra Bühler e Matias Mariani.

NC: 5     NP: 5     IMDB: Ela Sonhou que Eu Morri

Por: Ricardo Lubisco

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#64 Quebrando o Tabu

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Quebrando o Tabu é um documentário realizado no ano de 2011, que acertadamente toca em um tema de difícil compreensão ainda no Brasil: A descriminalização das drogas. Só que ao mesmo tempo em que levanta o assunto e bota ele na roda para discussão, o documentário do diretor Fernando Grostein Andrade é um pouco leviano e parece somente mostrar a superfície de todo o problema, além de ser irônico por muitos acontecimentos no Brasil na época em que Fernando Henrique Cardoso era o presidente do país.

Fernando Henrique tem uma participação importante no filme, e viaja para diversos países europeus junto com o diretor, para debater sobre drogas em países aonde a estatística de usuários, de mortes e doenças transmitidas em virtude das drogas vêm caindo vertiginosamente. Países como a Holanda, aonde a maconha é legalizada para consumo pessoal, e países como a Suiça, que mantém um centro de tratamento especial à usuários, em que inclusive é possível para os consumidores de heroína, utilizarem a droga com agulhas esterilizadas e material higienizado. Nesse ponto é um relato muito bem sucedido, mostrando com fatos aonde a Europa acertou em não tratar um usuário como criminoso, e sim como doente.

A ironia é ver Fernando Henrique após a sua viagem à Europa, debatendo com jornalistas sobre a descriminalização da droga, e defendendo a idéia que deu muito certo no velho continente. O que não é mostrado no documentário, é que durante o mandato do então Presidente do Brasil, em 1996, a banda Planet Hemp, que cantava músicas para legalizar a maconha, foi diversas vezes presa por apologia às drogas, inclusive em um show em Brasília. E 15 anos depois Fernando Henrique aparece diante das câmeras pregando a descriminalização, principalmente da maconha.

Por esse e outros motivos o documentário é imparcial. Mostra apenas o lado de Fernando Henrique vendo o que deu certo na Europa, debatendo se fosse implementado no Brasil, mas deixa uma série de fatores importantes fora de contexto. A idéia dele então, não é a de mostrar o contexto social do Brasil e como viabilizar uma descriminalização e recuperação social, apenas imaginar como aconteceria, mas como de praxe, é dito no filme que o Brasil ainda é um país atrasado, e que as coisas não funcionariam tão bem aqui como na Europa, por causa de toda a pobreza e etc. A mesma coisa que eu sempre ouvi sobre a maioria dos problemas que aqui acontecem. Ora, se nada for feito, será preciso esperar mais 15, 20 anos, para um usuário de drogas ter uma assistência social digna a recuperá-lo contra o vício, ao invés de colocá-lo atrás das grades, aonde o contato com a droga será maior do que nunca?

Sobre a imparcialidade, o que esperar de um documentário produzido por Luciano Huck? E é impressão minha, ou o Dráuzio Varela têm uma expressão de sofrimento por natureza, com as sobrancelhas arqueadas para baixo?

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Quebrando o Tabu. UK/BRA 2011. 80 min. Direção de Fernando Grostein Andrade. Roteiro de Fernando Grostein Andrade, Thomaz Souto Correa, Cosmo Feilding-Mellen, Carolina Kotscho, Ricardo Setti, Illona Szabo. Com Fernando Henrique Cardoso, Dráuzio Varela, Bill Clinton, Gael García Bernal.

NC: 5     NP: 6     IMDB: Quebrando o Tabu

Por: Ricardo Lubisco

#19 Uma Noite Mais Que Louca

Take Me Home Tonight

Uma Noite Mais Que Louca é apenas mais um filme á lá American Pie a ser realizado. O filme do diretor Michael Dowse, mais conhecido por ter realizado It’s All Gone Pete Tong (aquele filme que conta a história de um DJ surdo e muito louco), não traz nenhuma novidade para aquela temática pré (ou pós) faculdade, de jovens perdidos sobre seus rumos, ainda apaixonados pela garota da escola que nunca tiveram coragem de falar, e etc.

O fator mais interessante do filme talvez seja ele se passar nos anos 80, trazendo muitas referências e agradando os saudosistas da época. Além disso, a trilha-sonora embalada por músicas da década é outro ponto positivo.

Lendo na internet descobri que o filem demorou 4 anos para ser concluído, e que ele encontrou uma certa dificuldade em ser produzido por ter cenas explícitas com os personagens consumindo drogas. Segundo o diretor, ele queria algo como se realmente estivessem nos anos 80, e não uma paródia disso. Sendo assim, o filme ficou um bom tempo estacionado até que Ron Howard e Brian Grazer da Imagine Entertainement comprassem a idéia e realizassem o filme com todas as cenas originais.

Após tanto tempo e tanto trabalho, bem que Michael Dowse podia ter dado uma boa melhorada no roteiro para fazer com que o filme fosse interessante. Porque ele não passa de uma comédia bobinha mostrando os mesmos problemas de sempre de pessoas recém saídas do colégio e com paixonites por loiras magras e peitudas.

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Uma Noite Mais Que Louca (Take me Home Tonight). EUA/ALE 2011. Direção de Michael Dowse. Roteiro de Jackie Filgo, Jeff Filgo, Topher Grace, Gordon Kaywin. Com Topher Grace, Anna Faris, Dan Fogler, Teresa Palmer. Chris Pratt, Michael Biehn.

NC: 4     NP: 5     IMDB: Uma Noite Mais Que Louca

Por: Ricardo Lubisco

Deus da Carnificina

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Deus da Carnificina é, desde o começo, somente a realidade refletida nas câmeras. Todas as mentiras, a felicidade superficial, o excesso de trabalho, as manias irritantes, o engajamento excessivo, todas as formas de excesso de masculinidade (o modo John Wayne de ser) e o papel de “esposa” em uma relação, são questionados nesse filme do célebre Roman Polanski. A história baseada na peça entitulada Le Dieu du Carnage, de Yasmina Reza, mantém todos os aspectos de uma peça, e é filmada praticamente em apenas um cômodo. O mais interessante da história, com certeza, é o desencadeamento de todas essas situações perante uma única, que acontece com os filhos dos casais, estes personagens principais da trama. 

Houve momentos em que pensei seriamente que veria Jodie Foster tendo um infarto perante as câmeras, tamanho nervosismo que sua personagem é submetida. Em geral, magníficas atuações, como eu realmente já esperava desse elenco. Destaque para Jodie Foster, mas superior a ela, o brilhante Cristoph Waltz. Este austríaco com uma carreira de atuação desde os anos 70, e que já participou de mais de uma centena de filmes, é o que faz o filme permanecer no topo o tempo inteiro. É sensacional e único vê-lo em cena. Certamente uma descoberta tardia do cinema mundial (Obrigado, Tarantino). A maioria dos filmes de Waltz são para a televisão, infelizmente.

Com uma estrutura muito bem montada, estrutura esta que se desmorona aos poucos, Polanski apresenta com toda sua classe artística, sentimentos, pensamentos, manias e todo o temperamento conjugal que em algum momento da vida, após tanta superficialidade, emerge e gera uma situação constrangedora e realista.

O filme foi indicado para dois Globos de Ouro, curiosamente na mesma categoria. Para Jodie Foster e Kate Winslet na categoria Melhor Atriz Comédia/Musical. Achei um tanto ridículo o filme ser taxado de comédia, e particularmente não concordo nem um pouco.

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Deus da Carnificina (Carnage). FRA/ALE/POL/ESP 2011. 80 min. Direção de Roman Polanski. Com Kate Winslet, Christoph Waltz, Jodie Foster. John C. Reilly.

NC:     NP: 8     IMDB: Deus da Carnificina

Por: Ricardo Lubisco

Compramos um Zoológico

Um filme mediano de um bom diretor. Cameron Crowe (Quase Famosos, Vida de Solteiro, Vanilla Sky, Jerry Maguire) assina o roteiro e direção da história baseada no livro de Benjamin Mee, na qual uma família assume o comando de um zoológico em decadência com a missão de reerguer o lugar, que dispõe de vários animais em extinção, além de resolver seus próprios problemas familiares. Não cheguei a ler o livro, mas pesquisando sobre ele na internet, chega-se claramente a conclusão que Crowe tomou um rumo diferente na história, que é baseada em fatos reais acontecidos com o próprio Benjamin. Não vejo grande destaque na atuação de Matt Damon e Scarlett Johansson, e vejo mais brilhantismo na atuação do pequeno Colin Ford, do que na deles. A trilha sonora composta por Jónsi, integrante da banda Sigur Rós, é uma parte importante e constante do filme, mas desta vez não é tão sedutora como nas outras obras do diretor. Apesar de tudo, é um filme divertido e que se encaixa perfeitamente como um leve entretenimento. Como obra cinematográfica, sabendo de quem vem, deixa muito a desejar.

Compramos um Zoológico (We Bought a Zoo). EUA 2011. 124 min. Direção de Cameron Crowe. Com Matt Damon, Scarlett Johansson, Thomas Haden Church, Colin Ford, Maggie Elizabeth Jones e Elle Fanning.

NC: 5     NP:     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1389137/

Por: R. Lubisco

A Invenção de Hugo Cabret

A Invenção de um sonho. Poderia assim se chamar o mais recente (e um dos mais importantes) filme do grande Martin Scorsese. A tecnologia 3D utilizada no longa é apenas coadjuvante perante a declaração de amor ao cinema que Scorsese faz com seu excelente roteiro. Uma aventura juvenil como pano de fundo, para discorrer sobre a real essência do filme que é a história do lendário cineasta George Méliès. E assim como seu protagonista (Méliès), num passe de mágica, a história do frânces abusa de todos os espaços e preenche o filme com ternura e imaginação. Tudo se completa com a perfeita atuação de Ben Kingsley no papel do gênio Méliès, e a deliciosa trilha sonora, uma daquelas que sempre recordaremos do filme ao ouvir alguns acordes.

Para quem tem um pouco de conhecimento mais profundo da importância do trabalho de Méliès para a configuração de um cinema fantástico e mágico, o filme de Scorsese passa a ser muito mais do que um filme, quase um registro histórico da vida e obra do cineasta francês. Imperdível para todos os tipos de público. A essência do cinema e seu deslumbre visual poetizados por Scorsese em imagens à altura de um grande cineasta.

Das 11 indicações ao Oscar deste ano, Hugo levou 5. Fotografia, Direção de Arte, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais.

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo) – EUA 2011 – 126. Direção de Martin Scorsese. Com: Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Asa Butterfield, Chloe Grace Moretz, Christopher Lee e Helen McCrory.

NC: 8     NP:     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0970179/

Por: R. Lubisco

Don’t Be Afraid of the Dark

O mais interessante em Don’t  Be Afraid of the Dark, é o universo de criaturas estranhas que habitam na mente de Guillermo Del Toro. Diretor, roteirista e produtor de excelentes filmes, como – A Espinha do Diabo (2001), Hellboy (2004) e O Labirinto do Fauno (2006), entre outros, Del Toro é co-produtor e responsável pelo roteiro da refilmagem Don’t  Be Afraid of the Dark, filme feito para a TV originalmente em 1973. A direção de Troy Nixey não é ruim, e mantém a altura o estilo de Del Toro, missão meio complicada para um estreante em longa-metragem. O caso é que o filme gerou uma grande expectativa que não foi correspondida com o resultado final.  Não é um filme ruim, mas deixa a desejar nas cenas de suspense sempre tensas e bem executadas nos filmes do Del Toro. Talvez nessa parte vejamos mais as mãos do diretor, tornando mediano um filme que poderia ser muito bom. Não posso fazer comparações com o filme de 1973 pois ainda não o assisti. A impressão que fica, é que  Don’t  Be Afraid of the Dark vêm com a missão de assustar as crianças que o assistirem antes de dormir, e comparando com o atual cenário de filmes de suspense/terror, cumpre bem a sua missão.

Don’t Be Afraid of the Dark. AUS, MEX, EUA 2010. 99 min. Direção de Troy Nixey. Com Katie Holmes, Guy Pearce, Bailee Madison, Garry McDonald.

NC: 6     NP: 5     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1270761/

Por: R. Lubisco