2013

The Crash Reel

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Um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, é o documentário O Equilibrista (2009), que conta a história de Phillippe Petit e a sua travessia entre as torres gêmeas em uma corda bamba. Mas o filme não é apenas sobre isso, ele fala sobre a vida e sensações, coisas que são impossíveis colocar em palavras. Este é um trecho do comentário que fiz quando assisti à O Equilibrista:

“Se existem coisas no mundo em que vivemos que não tem explicação, uma delas, é o que se passa em nossas mentes quando vivenciamos algo único. É o que sentimos quando algo nos faz bem, quando algo significa para nós diferentemente do que significa para outra pessoa. Esta breve descrição acredito que sirva para a Arte. Seja ela uma pintura, seja um filme, um desenho, uma escultura, um recorte. Até mesmo, andar em uma corda bamba. Arte é aquilo que fazemos de melhor, e não somente isso, somos criativos ao ponto de fazer determinada coisa das mais diferentes maneiras.”

Tudo isto que falei serve muito bem para contar a história do snowboarder americano Kevin Pearce, um talento raro e único neste esporte, que sofreu um grave acidente em 2009 e quase morreu. O documentário acompanha a vida de Pearce desde quando era pequeno, seu início no esporte, a sua relação com familiares e amigos, a sua dedicação e evolução no snowboard, o acidente e a sua recuperação. É um relato completo de sua história, o que de fato é muito interessante e que nos dá a oportunidade de conhecer a pessoa Kevin Pearce, e não só o esportista.

O resultado deste belo trabalho da diretora Lucy Walker (Lixo Extraordinário) não só mostra a brilhante história de Pearce, como abre fortemente uma discussão sobre os limites do esporte como competição. É difícil não se impressionar e nem ficar emocionado com a história de superação desse garoto, e do amadurecimento dele após o acidente, assim como a importância de ser ter o apoio da família nos momentos mais difíceis.

Ver um artista não poder realizar a sua arte é um sentimento muito estranho.

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The Crash Reel. EUA 2013. 108 min. Direção de Lucy Walker. Roteiro de Pedro Kos e Lucy Walker. Com Kevin Pearce, Shaun White.

NC: 8      NP: 9     IMDB: The Crash Reel

Por: Ricardo Lubisco

Ninfomaníaca – Vol. I e Vol. II

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Vol. I

Ninfomaníaca foi uma grande estratégia de marketing do diretor dinamarquês Lars Von Trier. Somente isso e mais nada. Eu não vou dizer que é pretensioso, pois não há pretensão alguma a não ser essa aura polêmica instaurada no filme.

Desde o momento em que foi anunciado o conteúdo do filme, milhares de vozes na internet profetizavam um longa-metragem revolucionário e chocante, que mostraria a vida de uma ninfomaníaca desde a sua infância até a velhice. E só por isso a curiosidade tomou conta de todos, ainda mais sabendo que o filme não teria pudores com o público e mostraria cenas de sexo explícito. Apenas isso bastou para transformar Ninfomaníaca no filme mais aguardado do ano passado e ter gerado milhares de comentários a favor e contra o diretor. Uma estratégia de marketing genial nos dias de hoje, em que as notícias veiculadas na internet tomam proporções gigantescas, dependendo da maneira com que são processadas, e claro, do seu conteúdo.

Não sou um daqueles radicais que dizem aos quatro cantos que o cinema de Von Trier é para pseudo-intelectuais que adoram dizer que entenderam filmes de arte quando ninguém mais entendeu. Tenho lembranças muito boas de Dançando no Escuro (2000) e Dogville (2003), filmes que me surpreenderam por sua frieza e qualidade. A questão aqui em Ninfomaníaca – Vol. I, é que sobra frieza e falta muita qualidade.

O principal defeito do filme é a maneira com que o diretor resolveu contar a história da sua ninfomaníaca, que não consegue conversar sem contar as suas experiências sexuais, por mais que o outro personagem (Stellan Skarsgard) aborde outros assuntos. É como conversar com uma parede, aonde você não escuta e só fala. Outra coisa irritante no filme, é como todas as metáforas que o personagem de Stellan diz para a ninfo, são projetadas na tela em imagens. Um didatismo desnecessário, que faz realmente parecer que o diretor quer ensinar algo em uma aula de faculdade.

O filme tem muitos momentos ruins, mas quando escorre uma “lágrima” entre as pernas da personagem, tive a impressão de ter ouvido milhares de ecos nos meus ouvidos com a expressão: pseudo-intelectual.

Ninfomaníaca – Vol. I foi lançado com um status que não lhe pertence: a de filme mais esperado do ano e de obra inteligente compreendida por poucos. Sobra status e falta qualidade. Parece, de fato, que Lars Von Trier assumiu a postura de pseudo-intelectual que tanto tentaram lhe impor.

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Vol. II

O segundo volume da obra de Lars Von Trier é tudo o que o primeiro não foi.

Esqueça o ritmo monótono e o didatismo insuportável. Da metade para o final o diretor conseguiu realizar um filme muito interessante e válido. Ele assumiu outra postura, lembrando o poético Lars Von Trier de Anticristo (um alô para a cena da criança chegando perto do parapeito). O que faz uma enorme diferença no filme, fazendo com que uma metade seja completamente diferente da outra. Nós vemos um lado muito mais humano da personagem principal, assim como conhecemos muito mais a sua personalidade. Como um todo, o filme ganha uma perspetiva diferente. O questionamento que Seligman faz a Joe, sobre como a sociedade a veria se ela fosse homem, é genial. É justamente o que questionamos nos dias de hoje ao procurar o machismo na sociedade, e infelizmente, é exatamente como ela é. Uma sociedade consumida pela burrice.

Muita coisa o diretor poderia ter consertado na edição, cortando muitas cenas desnecessárias na primeira parte do filme, e que não só poderiam deixar de dividi-lo, como também torná-lo muito mais interessante. Mas, ele deve ter os seus motivos para ter aceitado esta divisão, na minha opinião, o que tornou o filme menos do que ele poderia ser.

Talvez quando a versão do diretor for comercializada as perspectivas sobre o filme sejam outras, mas por enquanto, Ninfomaníaca foi muito marketing para pouco cinema.

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Ninfomaníaca Vol. I (Nymphomaniac Vol. I). DIN/FRA/ALE/BEL/UK 2013. 118 min. Direção de Lars Von Trier. Roteiro de Lars Von Trier. Com Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgard, Stacy Martin, Shia LeBeouf, Christian Slater, Uma Thurman.

VOL. 1     NC: 5     NP: 3     IMDB: Ninfomaníaca Vol. I

VOL. 2     NC: 7     NP: 6     IMDB: Ninfomaníaca Vol. II

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos Vol. I:

Francisco Russo (Adoro Cinema) – ♠♠♠♠½

Pablo Villaça (Cinema em Cena) – ♠♠♠♠

Marcelo Hessel (Omelete) – ♠♠

Chico Fireman (Filmes do Chico) – ♠♠

Michel Simões (Toca do Cinéfilo) – ♠♠

Adriano de Oliveira (Cine Revista) – ♠♠

Cotação dos Críticos Vol. II:

Lucas Salgado (Adoro Cinema) – ♠♠♠♠

Pablo Villaça (Cinema em Cena) – ♠♠♠♠

Michel Simões (Toca do Cinéfilo) – ♠♠½

Marcelo Hessel (Omelete) – ♠♠

Trapaça

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Antes de tudo, é preciso dizer que o diretor David O. Russel realizou um belo trabalho neste filme. Li muitas críticas após assistir ao filme, e em todas havia algo relacionando-o ao cinema de Martin Scorsese (como reverência ou cópia), o que eu acho de certa forma um exagero.

Scorsese é um diretor clássico, foi um dos pioneiros de sua geração ao fazer cinema de qualidade nos Estados Unidos, influenciado pela nouvelle vague. Um exemplo de sua qualidade de criador, é a cena final de Taxi Driver (76) com um ângulo de câmera diferenciado. David O. Russel a meu ver, faz um tipo de cinema completamente diferente do de Scorsese. Ele não se importa tanto com o roteiro do filme, dando liberdade para os seus atores improvisarem o quanto for necessário, e desta forma criar grandes personagens. Qualidade inegável de Russel, reconhecida com as indicações a Melhor Ator/Atriz em todas as categorias do Oscar neste ano, e no ano passado também.

Em Trapaça, são os atores que tornam o filme mais atrativo em todos os sentidos. É por um Christian Bale (mais uma vez com alterações de peso) espetacular em cena, por Amy Adams roubando a cena em quase todos os momentos, por um Bradley Cooper motivadasso a construir um personagem sagaz ao extremo, e por uma pequena mas elegante participação de Robert De Niro, que Trapaça merece ser visto e saboreado sem comparações com Scorsese ou qualquer outro diretor, e sim com um certo reconhecimento pela competência de Russel em dirigir um elenco tão forte como esse e conseguir extrair os melhores resultados possíveis.

Claro que nem tudo é maravilhoso e o filme, sim, é um pouco arrastado e pretensioso. Existem algumas cenas que poderiam facilmente ter sido removidas durante a edição final e deixado o filme mais dinâmico. A cena com a Jennifer Lawrence surtando dentro de casa ao som de “Live and Let Die” é completamente descartável e por instantes transformou o filme em um clipe da MTV. A atuação de Lawrence, inclusive, não surpreende em momento algum. É a pior entre todos os atores.

Fica a sensação de que David O. Russel poderia ter construído um filme emblemático e memorável, mas não é o que acontece aqui. Ainda assim, é uma obra interessante e que merece uma atenção maior do que apenas a mera comparação ao cinema de Scorsese.

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Trapaça (American Hustle). EUA 2013. 138 min. Direção de David O. Russel. Roteiro de David O. Russel e Eric Warren Singer. Com Amy Adams, Christian Bale, Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Jeremy Renner, Robert De Niro.

NC: 7     NP: 7     IMDB: Trapaça

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos: 

Marcelo Hessel (Omelete) – ♠♠♠

Lucas Salgado (Adoro Cinema) – ♠♠♠♠

Matheus Pannebecker (Cinema e Argumento) – 6,0

Adriano de Oliveira (Cine Revista) – ♠♠

Michel Simões (Toca do Cinéfilo) – ♠♠½

Pablo Villaça (Cinema em Cena) – ♠♠♠♠

Chico Fireman (Filmes do Chico) – ♠♠

Rubens Ewald Filho (Rubens Ewald Filho) – ♠♠♠½

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

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Assisti à Walt nos Bastidores de Mary Poppins, filme que entrou em cartaz recentemente nos cinemas do país, e que recebeu uma recepção bem morna da crítica especializada por não retratar com mais realidade a conturbada relação do poderoso Walt Disney com a escritora P. L. Travers, criadora da famosa babá voadora, e que roteirizou o musical de 1964, tema deste filme.

O problema deste longa, dirigido por John Lee Hancock (Um Sonho Possível), é a passividade em contar uma história que poderia render um grande filme. O que na verdade não é uma grande surpresa quando foi a própria Disney que produziu o filme, certamente com uma ideia de celebração dos 50 anos do clássico de 1964.

Então aqui temos Tom Hanks, com uma atuação mediana encarnando Walt Disney, e mostrando alguns detalhes pessoais e interessantes do criador do Mickey Mouse, como o hábito de fumar escondido de todos. Temos Paul Giamatti, em um pequeno papel, mas que se torna um dos melhores personagens do filme devido a grandeza do ator, que nos brinda há tempos com ótimos momentos no cinema. Temos Jason Schwartzman, como um dos irmãos Sherman, responsáveis pela premiada trilha-sonora do filme original, que está de certa forma ofuscado (o famoso não fede, nem cheira) e não faz jus as ótimas atuações que estamos acostumados a ver nos filmes de Wes Anderson. A principal atuação vem de Emma Thompson, que interpreta de maneira excelente a escritora mal humorada e cheia de manias, tema principal do filme.

A história que envolve os acontecimentos da vida pessoal da escritora com a criação da personagem Mary Poppins, assim como a sua relação intransigente de trabalho durante a construção do musical de 64, erra feio ao misturar flashbacks da infância de Travers na história principal do filme, que é a relação dela com Disney, e com o trabalho de roteirizar a sua personagem para o cinema com os funcionários do estúdio. São momentos descartáveis em que o filme perde o espectador, para tentar dar sentido ao comportamento da escritora, o que torna o filme demasiado longo e cansativo. Falta uma instigação de querer fazer cinema de verdade, de se aprofundar na história e nos personagens. É um filme sobre a escritora P. L. Travers, mas falta muita personalidade de P. L. Travers para o filme ser bom.

Contudo, é uma boa opção para os cinéfilos curiosos com a criação do clássico musical, e para conferir a ótima atuação de Emma Thompson. Fora isso, parece ser um desperdício de uma boa história a ser contada, pois John Lee Hancock criou um filme padrão Disney, para a Disney.

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Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks). EUA/UK/AUS 2013. 125 min. Direção de John Lee Hancock. Roteiro de Kelly Marcel e Sue Smith. Com Emma Thompson, Tom Hanks, Colin Farrel, Paul Giamatti, Jason Schwartzman.

NC: 5     NP: 6     IMDB: Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos:

Natália Bridi (Omelete) – ♠♠♠

Francisco Russo (Adoro Cinema) – ♠♠♠

Michel Simões (Toca do Cinéfilo) – ♠♠½

Pablo Villaça (Cinema em Cena) – 

12 Anos de Escravidão

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Foi com o intuito de assistir aos principais filmes indicados ao Oscar, premiação norte americana que acontece neste domingo, que separei um tempo para prestigiar 12 Anos de Escravidão. O curioso é que no começo do filme eu fui rapidamente enganado (não costumo ler sinopses e nem críticas antes de assistir algo) imaginando que estava prestes a assistir um dramalhão construído basicamente para colecionar as famosas estatuetas douradas, devido a trilha-sonora (o excelente tema do filme composto por Hans Zimmer) emocional executada logo no princípio da história. Mas bastaram apenas alguns minutos para eu ver que estava prestes a assistir uma obra visualmente impressionante e extremamente bem realizada.

Escravidão é um tema muito delicado de se tocar em qualquer discussão e mostrar imagens reproduzindo aqueles tempos é mais delicado ainda de se assistir. No meu caso, fiquei imaginando se eu estivesse passando por aquela experiência não teria a paciência e força necessária para aguentar o que estas pessoas passaram, incluindo Solomon Northup, personagem principal deste filme que é baseado em sua história de vida, escrita por ele em 1853.

Surpreendente foi a brilhante condução que Steve McQueen (Shame), diretor relativamente novo, manteve durante a construção do filme e nas interpretações que conseguiu extrair de seu elenco. A fotografia do filme tem momentos sublimes, enquanto a trilha-sonora de Hans Zimmer não nos deixa esquecer, mesmo em uma belíssima cena em que árvores cortam um céu azul em um fim de tarde, os tensos dias de escravidão que estão sendo representados. É assim o tempo inteiro. Uma realidade crua que insiste em permanecer ativa e pulsante em todos os momentos, tal qual  aquelas pessoas sofreram, mas deixando de pender para um drama excessivo, fácil armadilha em filmes de biografia. A atuação de Chiwetel Ejiofor (que recentemente ganhou o Bafta de Melhor Ator por sua intensa interpretação neste filme) é ótima e ponderada. Ele demonstra muito bem a raiva que o personagem guarda por toda a injustiça que vive, e a desconta nos devidos momentos, em explosões de temperamento muito bem registradas. O elenco conta ainda com a ótima Lupita Nyong’o, Michael Fassbender (que participou de todos os três longa-metragens do diretor), Paul Dano, Brad Pitt, Paul Giamatti e Benedict Cumberbatch.

Minha consideração final é a de que 12 Anos de Escravidão é um filme que surpreende por sua profunda imersão no tema e nas dores da escravidão, mantendo seu ar épico do começo ao fim, tornando-o um filme equilibrado e muito bem realizado. Dos que assisti até agora, é um dos meus favoritos para vencer o Oscar.

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12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave). EUA/UK 2013. 134 min. Direção de Steve McQueen. Roteiro de Solomon Northup (autobiografia) e John Ridley. Com Chiwetel Ejiofor, Lupita Nyong’o, Michael Fassbender, Paul Dano, Brad Pitt, Paul Giamatti, Benedict Cumberbatch.

NC: 9     NP: 8     IMDB: 12 Anos de Escravidão

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos:

Pablo Villaça (Cinema em Cena♠♠♠♠♠

Érico Borgo (Omelete♠♠♠♠♠

Lucas Salgado (Adoro Cinema♠♠♠♠½

Michel Simões (Toca do Cinéfilo♠♠♠♠

Clube de Compras Dallas

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Posso afirmar que mesmo com uma certa expectativa gerada por todas as indicações à prêmios que recebeu, Clube de Compras Dallas não deixa de ser surpreendente em momento algum. Matthew McConaughey abraça o seu personagem e é grandioso em todos os momentos, dividindo a atenção com Jared Leto, que após cinco anos voltou a atuar em um filme (sua última aparição havia sido no excelente Mr. Nobody de 2009). Não foi a toa que os dois foram premiados na última edição do Globo de Ouro, com os prêmios de Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante, respectivamente. Resultado justíssimo devo reconhecer, tendo em vista que a minha confiança nas grandes premiações americanas não é lá essas coisas.

As atuações são o grande lance do filme. McConaughey está realmente impressionante, fisicamente, e na maneira com que conduz a transformação do seu personagem perante os acontecimentos na história. Com uma maestria no ar, eu poderia dizer. É interessante quando uma atuação é capaz de ofuscar outros elementos do filme, e simplesmente parecer que ele é carregado nas costas por ela. Acredito que tenha sido uma junção muito bem aproveitada, de ótimo elenco, direção e uma grande história. Os outros personagens além do duo principal são muito bem interpretados, mas um pouco rasos na história. Talvez pudessem ter sido melhor aproveitados, mas isso não faz muita diferença no resultado final. Detalhe para a pequena participação do ótimo Griffin Dunne.

Fiquei com uma música da trilha-sonora na cabeça (Life is Strange – Marc Bolan/T-Rex), e eu geralmente costumo ficar muito feliz quando descubro música nos filmes. E sempre que eu absorvo uma música boa de um filme, é um sinal de que o filme é muito bom, porque filmes ruins dificilmente tem bom gosto. Essa é apenas uma mania minha, mas achei que valia a pena compartilhar com vocês. A cena poética das borboletas é outra jóia rara desse filme. Um momento único.

E com manias ou não, eis aqui um dos grandes filmes que você verá este ano. Aproveite!

 

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Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club). EUA 2013. 117 min. Direção de Jean-Marc Vallée. Roteiro de Craig Borten e Melisa Wallack. Com Matthew McConaghey, Jared Leto, Jennifer Garner, Denis O’Hare, Steve Zahn, Griffin Dunne.

NC: 8     NP: 9     IMDB: Clube de Compras Dallas

Por: Ricardo Lubisco

Questão de Tempo

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Richard Curtis é um cara que mantém um nível muito alto como diretor. Até agora pelo menos ele não realizou nenhum filme ruim, e a cada trabalho tenho a percepção que ele nasceu para contar histórias, pois faz isso de uma maneira muito boa e natural.

Questão de Tempo é uma história muito bem escrita, e não é fácil escrever sobre viagens no tempo e manter a relatividade disto na história sem se perder. Muito pelo contrário, Curtis faz uso de toda essa liberdade para transformar uma história que à primeira vista pode parecer apenas um simples romance, em um grande conto sobre vida e família. Para muitas pessoas que como eu pensavam que seria praticamente impossível que ele criasse algo tão bom quanto Simplesmente Amor (2003), Questão de Tempo é uma grata surpresa, e provavelmente o melhor filme da carreira deste neozelandês.

Muitos irão dizer que faltaram explicações para as viagens no tempo, mas a questão principal do filme não é detalhar e explicar isso para o público. É apenas um artifício que o diretor têm para incrementar a história e torná-la mais interessante. O amor à vida que muitas vezes deixamos de lado pela rotina do dia-a-dia é representada não só na vida pessoal do personagem principal, mas principalmente na sua relação com o pai, o que é sensacional. O personagem de Bill Nighy é absolutamente brilhante e é o que realmente faz diferença na obra. São muitos bons momentos construídos por ele e por Domhnall Gleeson (personagem principal) que as suas cenas são indiscutivelmente preciosas.

Fora algumas bobagens que poderiam ter sido retiradas do corte final (a parte do metrô com o casal e os músicos é uma delas), temos aqui certamente um dos melhores filmes do ano passado. Vale muito a pena separar um tempo para ver esse filme, e por mais ingênuo que ele possa parecer, tem uma profundidade do tamanho da vida. Uma grande história.

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Questão de Tempo (About Time). UK 2013. 123 min. Direção e Roteiro de Richard Curtis. Com Domhnall Gleeson, Rachel McAdams, Bill Nighy, Lindsay Duncan, Lydia Wilson.

NC: 8     NP: 8     IMDB: Questão de Tempo

Por: Ricardo Lubisco