Anos 00 – 09

Maldito Futebol Clube

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Maldito Futebol Clube talvez seja um filme desconhecido do grande público (acredito que não tenha sido lançado nos cinemas por aqui), dirigido pelo premiado Tom Hopper de O Discurso do Rei (2010). Ele é baseado na biografia do famoso técnico inglês Brian Clough, durante a década de 60 e 70.

O mais interessante aqui é o ótimo realizado por Hopper e toda  a equipe técnica que trabalhou no filme. A reprodução das cidades inglesas dos anos 60 e 70, não deve ter sido coisa fácil, assim como a excelente edição que mistura imagens reais desde o começo do filme. Outro destaque são as atuações de Michael Sheen e Timothy Spall, protagonistas exemplares o tempo inteiro.

A simplicidade aparente é resultado da ótima qualidade técnica, e a preocupação de realizar uma cine biografia a altura da personalidade que foi Brian Clough. É um filme sobre futebol, mas que pode ser visto até por quem não curte muito o esporte, pois são poucos os momentos que realmente enfatizam a prática, abraçando muito mais os bastidores e as relações pessoais e rivalidades do treinador.

Imperdível para aqueles que gostam de uma boa história verídica, ou de um bom filme inglês. Aqui, Tom Hopper despeja todo o talento que o levaria a vencer o Oscar no ano seguinte com O Discurso do Rei.

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Maldito Futebol Clube (The Damned United). UK 2009. 98 min. Direção de Tom Hopper. Roteiro de Peter Morgan, David Peace (romance). Com Michael Sheen, Timothy Spall, Colm Meaney, Jim Broadbent, Stephen Graham.

NC: 7     NP: 7     IMDB: Maldito Futebol Clube  

Por: Ricardo Lubisco

 

O Segredo dos Seus Olhos

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Este filme dispensa qualquer tipo de apresentação. O Segredo dos Seus Olhos foi um sucesso artisticamente e comercialmente sendo reverenciado na Argentina, seu país de origem, e no mundo todo, culminando com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Oscar este que não reflete a importância do longa, pois com todos os filmes que estavam disputando a premiação, este era um que poderia concorrer e ter levado o prêmio em no mínimo mais três categorias.

Juan José Campanella é sem dúvida alguma um dos melhores cineastas da nossa geração. Ele não faz filmes essencialmente de arte, como  Bergman ou  Godard fizeram, ou filmes tecnicamente perfeitos e grandiosos como Stanley Kubrick ou Sergio Leone. Diferentemente destes mestres de outras gerações, Campanella faz igualmente ótimos filmes, apenas com uma maneira diferente de realizá-los. É a partir do cotidiano, das relações pessoais, das memórias, de uma conversa em um café, de uma conversa na chuva.

É perceptível em seus filmes que o diálogo entre os personagens é quase sempre o protagonista. E é feito de uma maneira muito inteligente, sempre adicionando bom humor as falas, deixando-as dessa maneira interessantes e nem um pouco cansativas. A evolução do diretor vem desde o ótimo o mesmo amor, a mesma chuva (1999), filme com os mesmos protagonistas de O Segredo dos Seus Olhos, e que encanta pela simplicidade e competência. Simplicidade aliás, pode ser a palavra que define os filmes do diretor argentino. Neste que estamos comentando, em especial, Campanella realizou uma cena em plano-sequencia que deixou todos de boca aberta e foi a mais comentada do cinema no ano de 2010. Tanto por público como por cineastas e especializados nas questões técnicas. E o orçamento do longa foi de apenas 2 milhões de euros.

O Segredo dos Seus Olhos é um filme grandioso. Não só pela ótima cena em plano-sequencia que citei anteriormente, mas por todas as cenas muito bem construídas que podemos assistir no longa. Uma delas é a de Sandoval solucionando o mistérios dos nomes, em um bar. É um momento de êxtase interpretado da melhor forma possível. E são nestas cenas que está a grandiosidade deste filme. Não por ter uma história de mistério e deixar o espectador intrigado querendo descobrir o que aconteceu. Se fosse apenas isso, seria um filme comum com uma grande história. A diferença (e Campanella sabe muito bem disso) está no cuidado com as relações pessoais e na maneira com que o filme é conduzido até o seu desfecho final.

O mundo inteiro se rendeu ao cinema do diretor argentino a partir desta obra. Campanella com o seu cinema simplista e baseado nas relações pessoais, realizou algo muito melhor do que apenas um grandioso filme. Ele realizou algo que temos orgulho de assistir.

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O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos). ARG/ESP 2009. 129 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Eduardo Sacheri (romance e roteiro). Com Ricardo Darín, Soledad Villamil, Carla Quevedo, Pablo Rago, Javier Godino, Guillermo Francella.

NC: 9     NP: 10     IMDB: O Segredo dos Seus Olhos

Por: Ricardo Lubisco

O Filho da Noiva

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Como bem disse Marcelo Hessel em sua crítica na época de lançamento do filme para o site Omelete, O Filho da Noiva é um exemplar de cinema.

O filme do hoje consagrado Juan José Campanella, é o resultado de um excelente roteiro (misturando ficção e realidade, pois a mãe do diretor sofre de Alzheimer), a grande atuação do elenco principal, e do bom gosto e naturalidade que permanece o tempo inteiro no filme.

No período entre 1999 e 2009, o diretor argentino concluiu um ciclo de 10 anos com quatro grandes filmes, sendo O Segredo de Seus Olhos (2009), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e o filme que definitivamente fez o mundo se reverenciar ao cinema de Campanella e o apresentou para quem ainda não o conhecia.

Como a maioria dos filmes do diretor, O Filho da Noiva traz uma história sensível permeada por momentos de muito bom humor. Pequenos detalhes que fazem toda a diferença no filme e o deixam com essa naturalidade latente e permeada por momentos geniais, como o da conversa do personagem de Darín com seu melhor amigo na gravação de um filme. Um momento impagável e certamente o meu favorito. Ricardo Darín inclusive tem grande parte no sucesso do filme, pois é um excelente ator. Já havia trabalhado com o diretor em o mesmo amor, a mesma chuva, filme de 1999, e demonstrado toda a sua genialidade. Fez Nove Rainhas em 2000, e este filme em 2001.

O Filho da Noiva concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002, juntamente com o francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, sendo que os dois perderam para Terra de Ninguém, da Bósnia. Fora o Oscar, o filme recolheu prêmios mundo afora, incluindo 3 Kikitos no Festival de Gramado.

Um filme charmoso, engraçado e encantador.  Juan José Campanella pode não ser um Eistein, um Bill Gates ou um Dick Watson, mas com certeza é um grande cineasta.

Se for ver o filme, continue assistindo após os créditos.

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O Filho da Noiva (El hijo de la novia). ARG/ESP 2001. 123 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Fernando Castets. Com Ricardo Darín, Héctor Alterio, Norma Aleandro, Eduardo Blanco, Natalia Verbeke.

NC: 8     NP: 9     IMDB: O Filho da Noiva

Por: Ricardo Lubisco

Encontros e Desencontros

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O melhor filme de Sofia Coppola.

Com certeza eu poderia começar o texto descrevendo o filme como um representante do bom cinema e numerar todas as suas qualidades, mas acredito que isso seja desnecessário. É mais justo começar dizendo que é o melhor trabalho da diretora, filha do grande Coppola, pois tudo o que vemos na tela e gostamos foi projetado por ela. Desde as cenas que nos remetem a pinturas ou quadros até o sensacional papel escrito especificamente para Bill Murray, e somente ele poderia ter realizado esse contraste de emoção e tédio. Recentemente fiz uma participação no blog do grande Matheus Pannebecker (Cinema e Argumento), citando a atuação de Bill Murray em Flores Partidas como uma das minhas favoritas, ao invés desta em Encontros e Desencontros. Mantenho a minha escolha, não por aquela atuação ser superior a essa, mas justamente por esta além de ser óbvia, seria a escolha da maioria. Flores Partidas e a atuação do eterno caça-fantasma, ainda devem ser descobertos pelo grande público.

A meu ver, Encontros e Desencontros é onde Sofia encontrou o equilíbrio perfeito em sua carreira, aonde soube criar e colocar cada coisa no seu devido lugar. Não existem exageros nesse filme (apenas um momento confuso no bar, aonde os protagonistas fogem correndo), e igualmente não existem coisas impossíveis acontecendo por que “o amor está no ar”. O filme nos apresenta uma história de paixão natural, sem em momento algum forçar a barra para isso acontecer, exatamente como na vida real. O que provavelmente é o grande motivo de identificação da maioria das pessoas que idolatram o filme. Além disso, a beleza não se aplica somente a paixão dos protagonistas. Ela se espalha por todos os frames, em cada cenário curioso do Japão, na direção de arte (uma obra-prima), fotografia, e na estupenda trilha-sonora. Todos que assistiram ao filme, jamais deixarão de lembrar do momento em que Just Like Honey, do Jesus and Mary Chain, começa a tocar no longa-metragem. Esse é um daqueles momentos eternizados no cinema.

O melhor filme de Sofia Coppola.

 

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Encontros e Desencontros (Lost in Translation). EUA/JAP 2003. 101 min. Direção e Roteiro de Sofia Coppola. Com Bill Murray, Scarlett Johansson, Giovanni Ribisi.

NC: 8     NP: 9     IMDB: Encontros e Desencontros

Por: Ricardo Lubisco

#83 Noel – Poeta da Vila

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O maior problema para mim em Noel – Poeta da Vila, é a eterna mania de muitos filmes brasileiros, em não diferenciar novela de cinema. Isso geralmente acontece com qualquer coisa produzida pela Globo Filmes, mas pode-se estender para um panorama geral do atual cinema. Se um filme brasileiro não tem o padrão de novela, tem um status europeu, que não é o terreno de um filme nacional.

Acredito que uma cinebiografia de um dos maiores gênios do samba, atingido pela tuberculose e falecido precocemente com apenas 26 anos, merecia um cuidado melhor, evitando essa semelhança com novelas e seriados. Definitivamente, uma das coisas que mais me irrita.

Fiquei tão decepcionado com o filme, que não consigo nem exaltar a atuação de Rafael Raposo, mesmo o jovem ator tendo um tipo esquisitão assim como era Noel.

Acredito que o cinema brasileiro tem alguns flashs de coisas boas, e quando eles surgem é maravilhoso (como o recente O Som ao Redor, 2012). Mas ainda há muito o que melhorar, porque potencial e boas histórias não faltam.

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Noel – Poeta da Vila. Brasil 2006. 99 min. Direção de Ricardo Van Steen. Carlos Didier (Livro), João Máximo (Livro), Pedro Vicente. Com Rafael Raposo, Camila Pitanga, Lidiane Borges, Paulo César Pereio, Supla, Jonathan Haagensen.

NC: 2     NP: 1     IMDB: Noel – Poeta da Vila

Por: Ricardo Lubisco

#77 Tenha Fé

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E aqui está um dos filmes que eu gosto bastante e não me canso de assistir. O típico filme escondido entre as prateleiras de uma locadora que você acaba descobrindo quase sem querer.

É o único filme dirigido pelo ótimo ator Edward Norton, que também protagoniza o longa ao lado de Ben Stiller e Jenna Elfman.

O diferencial dessa comédia romântica, é a história diferente que o filme apresenta, colocando questões religiosas e romance de uma forma sutil e natural. Claro que têm os seus exageros, como toda comédia romântica, mas é um filme que tem um carisma latente em seus protagonistas, que contracenam muito bem.

Outro destaque é a trilha-sonora muito bem escolhida.

As críticas do filme que eu encontrei na internet não são muito boas, a maioria das pessoas não achou o filme interessante, e eu fico imaginando ele passando em um cinema Multiplex em uma sessão lotada de domingo. Tenho certeza que ele agradaria 10% da sala, e essa é uma das razões que faz esse filme ser tão charmoso. Ele não é para qualquer público.

Detalhe para a participação especial do diretor Milos Forman.

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Tenha Fé (Keeping The Faith). EUA 2000. 128 min. Direção de Edward Norton. Roteiro de Stuart Blumberg. Com Ben Stiller, Edward Norton, Jenna Elfman, Anne Bancroft, Milos Forman.

NC: 5     NP: 7     IMDB: Tenha Fé

Por: Ricardo Lubisco

#75 Menina dos Olhos

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O típico filme boboca de comédia romântica, recheado de clichês, e para completar, Ben Affleck como protagonista.

A melhor qualidade aqui é o roteiro bem escrito pelo nerd Kevin Smith, juntamente com a sua direção. É um filme muito comum, mas igualmente adorável (tira o canastrão Ben Affleck do elogio e inclui a Liv Tyler por favor, diretor) que cativa com uma história simples mas bem realizada.

Filme esse baseado nas experiências do próprio Smith como pai.

Um filme diferente do que se espera de Kevin Smith (em 2008 realizou o ótimo Pagando Bem, Que Mal Tem?, comédia no mesmo estilo de Menina dos Olhos, mas um filme com uma categoria muito maior), ao mesmo tempo em que surpreende pela simplicidade e eficácia da história. A única tortura é aguentar o Ben Affleck. Acredite em mim, ele é um dos piores atores de todos os tempos.

PS: praticamente um “resumo” de um comentário decente, pois a falta de tempo para me dedicar aos textos está maior do que eu imaginava. Logo mais tudo voltará ao normal, prometo.

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Menina dos Olhos (Jersey Girl). EUA 2004. 102 min. Direção e Roteiro de Kevin Smith. Com Ben Affleck, Liv Tyler, Raquel Castro, Jennifer Lopez, George Carlin, Jason Biggs.

NC: 4     NP: 5     IMDB: Menina dos Olhos

Por: Ricardo Lubisco