Anos 60

Perdidos na Noite

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Eu não me lembrava de todo o surrealismo envolvente no filme mais importante da carreira do diretor John Schlesinger.  Perdidos na Noite nas minhas lembranças, era o imponente John Voight indo para a cidade grande e ficando amigo do personagem de Dustin Hoffman. Talvez todo o clima que percebi hoje assistindo a este longa de 1969, tenha passado por mim há uns 7 anos atrás, quando o vi pela primeira vez. Foi uma descoberta.

Desde o começo, o filme nos dita o ritmo que irá seguir, e nos introduz a forte personalidade e integridade do personagem de Joe Buck, junto com a belíssima canção, hoje clássica, “Everybody’s Talkin”. A partir deste momento, acontece uma viagem com passagem apenas de ida para o personagem, aonde ele nunca mais voltará a ser o mesmo.

Não há o que dizer das interpretações de Dustin Hoffman e John Voight, ambas são maravilhosas. John Voight evidencia os sentimentos do personagem com apenas um olhar. É uma excelente interpretação. Do filme também não. Eu me surpreendi revendo, notando coisas que antes haviam passado despercebidas. John Schlesinger acerta em todos os momentos, desde os mais simples até os psicodélicos. Não é a toa que venceu 3 Oscar, incluindo Melhor Filme, numa época em que ainda podia se dar um pouco de credibilidade ao prêmio. O ano de 1969 era um ano de mudanças em Hollywood, aonde filmes mais baratos e criativos estavam em destaque, diferentemente das grandiosas produções em decadência.

Perdidos na Noite não deixa de ser uma lição de vida. Ele mostra por diversos ângulos a sociedade pretensiosa e a transformação da inocência.

 

Uma bela obra do cinema norte-americano.

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Perdidos na Noite (Midnight Cowboy). EUA 1969. 113 min. Direção de John Schlesinger. Com John Voight, Dustin Hoffman, Sylvia Miles.

NC: 9     NP: 9     IMDB: Perdidos na Noite

Por: Ricardo Lubisco

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#84 Os Pássaros

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Acredito que a beleza de Os Pássaros, filme do consagrado Alfred Hitchcock, está nos detalhes.

O brilhantismo do diretor fica evidenciado nas cenas de suspense com os corvos. No momento em que vi essas cenas (para bom apreciador, imortalizadas) a vontade que eu tinha era apenas de aplaudir e reverenciar tamanha sutileza em cenas tão delicadas do filme, pois eram elas que iriam fazer este ser um grande ou pequeno filme na carreira do diretor. Pois veja bem, filmar uma história em que pássaros atacam as pessoas sem deixar ele em momento algum colocar uma perninha no trash, é um êxito muito grande.

Os detalhes a que me referi no começo do texto, são as histórias paralelas ao ataque dos pássaros, como por exemplo a excentricidade da personagem principal, principalmente no começo do filme até a metade. Mas uma socialite não agiria de forma diferente a que foi mostrada no filme, não é mesmo? Assim como as características protetoras da mãe do protagonista, tão comuns no começo dos anos sessenta.

E para quem ainda não assistiu ao filme, não fique pensando que este é um filme que mostra um bando de pássaros atacando as pessoas. Ele é muito bem feito, com algumas cenas surpreendentemente fortes para a época, e com algumas das melhores cenas de suspense criadas por um grande cineasta, ou seja: Uma baita experiência.

Vale lembrar que Os Pássaros foi um filme realizado três anos após Hitchcock entrar em um gênero de filme mais voltado para o terror com Psicose (1960), seu filme mais conhecido. E obviamente foi deste filme que surgiu a imagem de um homem gordinho e careca com um pássaro no ombro. Referência eternizada ao filme e ao diretor.

Um clássico imperdível.

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Os Pássaros (The Birds). EUA 1963. 119 min. Direção de Alfred Hitchcock. Roteiro de Daphne Du Maurier (história) e Evan Hunter. Com Tippi Hedren, Suzanne Pleshette, Rod Taylor, Jessica Tandy, Veronica Cartwright.

NC: 8      NP: 9     IMDB: Os Pássaros

Por: Ricardo Lubisco

 

#67 Crown, o Magnífico

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Este clássico do diretor Norman Jewison é um ótimo filme americano do fim dos anos 60.

O filme tem muitos atrativos. Steve McQueen em seu auge, assim como a musa de uma geração cinematográfica, Faye Dunaway, apenas um ano após ela ter realizado o filme que iniciou uma nova cultura no cinema dos Estados Unidos, Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas. Como era bela.

Mas o filme não é apenas seus atores. Deve-se muito ao sucesso do filme ao carisma deles, mas há muito mais. O diretor, Jewison, já era experiente quando fez este filme. O editor era Hal Ashby, célebre diretor americano que realizou entre grandes filmes, Ensina-me a Viver e Muito Além do Jardim.

A força de Crown (terrível título brasileiro) vêm de seu roteiro, o carisma dos protagonistas, e uma equipe que sabia estar realizando algo muito bom. É um filme sobre crime, ao mesmo tempo em que é romance e drama. Deveria ser um exemplo para a maioria dos filmes que são realizados hoje em dia com esta temática. Podemos perceber a qualidade do filme citando apenas uma cena: a da partida de xadrez. Não há falas durante cinco minutos. Apenas expressões, música e jogadas de xadrez. É uma cena brilhante, que mostra toda a grandeza deste filme.

Houve uma refilmagem do filme em 1999, com Pierce Brosnan interpretando o papel que foi originalmente de McQueen. Curiosamente o roteirista desta refilmagem foi o mesmo do original, Alan Trustman. De qualquer maneira, uma refilmagem de um filme excelente é um insulto à produção daquela época, principalmente a McQueen. Um ícone carismático como ele não merecia ter um de seus grandes papéis interpretado pelo Brosnan, um ator de caras e bocas que não tem nada parecido com estilo.

Um ótimo filme.

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Crown, o Magnífico (Thomas Crown Affair). EUA 1968. 102 min. Direção de Norman Jewison. Roteiro de Alan Trustman. Com Steve McQueen, Faye Dunaway, Paul Burke, Jack Weston.

NC: 7     NP: 8     IMDB: Crown, o Magnífico

Por: Ricardo Lubisco