Anos 70

#73 O Panaca

The Jerk

Este filme de 1979 do diretor Carl Reiner é tido como uma das grandes comédias já feitas, o que para mim, não faz o menor sentido.

Com poucos momentos realmente engraçados, a comédia parece exatamente igual com os filmes pastelões feitos hoje em dia, lembrando muito o humor sem noção e absurdo. Talvez tenha funcionado naquela época, mas hoje em dia com certeza não tem o mesmo impacto sobre o público.

Steve Martin caiu muito bem para o papel, encarnando com todo vigor o panaca do título. É ele que faz o filme ganhar um pouco de divertimento. Mas o que eu realmente pensava enquanto via o filme, é que Steve Martin sempre teve cabelos brancos para mim. Não me lembro dele em algum filme sem os cabelos grisalhos. E olha que aqui ele tinha apenas 39 anos. Mas a minha atenção nos cabelos do Steve, deixa bem claro o meu interesse no filme.

Vale lembrar que Bill Murray chegou a gravar uma participação no filme que foi cortada na edição, e que este foi o filme que alavancou a carreira de Martin no cinema.

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O Panaca (The Jerk). EUA 1979. 94 min. Direção de Carl Reiner. Roteiro de Steve Martin, Carl Gottlieb, Michael Elias. Com Steve Martin, Bernadette Peters, Catlin Adams.

NC: 5     NP: 4     IMDB: O Panaca

Por: Ricardo Lubisco

#46 Ensina-me a Viver

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Hal Ashby foi um diretor de grande importância no cinema, mas de segundo escalão. Aqueles diretores que não fizeram nenhuma obra-prima, mas filmes muito bons. Com Amargo Regresso (1978), Muito Além do Jardim (1979) e Ensina-me a Viver no currículo, construiu um nome forte e importante da indústria cinematográfica americana do começo dos anos setenta.

Ensina-me a Viver tem muitas qualidades. Um ótimo elenco, um roteiro agradável, e um estilo de filmagem simples e bonito. Enquanto assistia ao filme fiquei imaginando ele sendo feito nos dias de hoje, e não consegui pensar que ele ficaria do mesmo jeito ou tão bom quanto. Por um lado, é um filme que retrata discretamente o fim dos anos sessenta.

É um exemplo de comédia romântica bem sucedida, sem apelar demais para os momentos engraçados, assim como para o romance. Ilustra também de uma forma muito bem executada, o que comentei outro dia sobre filmes em que o personagem fala ou olha para a câmera. Aqui temos uma cena em que o ator Bud Cort olha para a câmera e sorri, o que segundo Hal Ashby foi um ato espontâneo do ator, resultando em um desfecho diferente para a cena, e encaixando perfeitamente bem no momento.

Além das diversas qualidades, tem uma trilha sonora impecável de Cat Stevens. Um filme muito agradável e memorável para muitas pessoas até hoje. Um dos meus preferidos.

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Ensina-me a Viver (Harold and Maude). EUA 1971. 91 min. Direção de Hal Ashby. Roteiro de Colin Higgins. Com Ruth Gordon, Bud Cort, Vivian Pickles, Charles Tyner, Cyril Cusack.

NC: 7     NP: 9     IMDB: Ensina-me a Viver

Por: Ricardo Lubisco

#41 Queimando Tudo

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O primeiro filme dos hoje cultuados Cheech & Chong é um sonho de consumo para os maconheiros de plantão, mas como cinema não vai muito além de um par de boas piadas e muita coisa ruim.

É o primeiro filme de um total de sete que envolvem a dupla Cheech & Chong. Este primeiro considerado por muitos como o melhor, foi dirigido por Lou Adler.

A premissa de dois maconheiros que se encontram e acabam viajando entre Estados Unidos e México funciona em alguns momentos, mas em grande parte do filme eu achei longe de um cinema significativo. O que marca mesmo esses dois personagens e suas aventuras são os seus bigodes e suas surreais maneiras de conseguir se drogar. O filme é de 1978, o que explica bastante todo o conteúdo do filme, bem como os últimos resquícios do movimento hippie.

Se for comparado com a maioria das comédias com esse tema que são feitas hoje em dia, é uma jóia rara do cinema. Mas como cinema em geral, não vai muito adiante.

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Queimando Tudo (Up in Smoke). EUA 1978. 86 min. Direção de Lou Adler. Roteiro de Cheech Marin e Tommy Chong. Com Cheech Marin, Tommy Chong, Ellen Barkin.

NC: 4     NP: 6    IMDB: Queimando Tudo

Por: Ricardo Lubisco

#16 Rede de Intrigas

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O cineasta Sidney Lumet fez a sua estréia no cinema com o sensacional 12 Homens e Uma Sentença em 1957, e durante sua vida realizou uma série de excelentes filmes, seja pela formidável direção ou pelo tema sempre ser interessante. É o caso desde Rede de Intrigas, filme que venceu um bom número de Oscar, bateu recordes, ao mesmo tempo que aborda um assunto atual até os dias de hoje. O maligno mundo das corporações, redes de televisão, e a meu ver, tudo que possa ser chamado de negócio.

Lumet conta através de um roteiro bem trabalhado (e aqui está um ponto negativo, o filme é demasiado longo, a meu ver, sem necessidade) e de atores extremamente competentes, a história nos bastidores de um canal de televisão, e a guerra pelos pontos de audiência e faturamento. Através dos diálogos mostra muito mais do que isso, esfrega na cara de todos que assistem que a civilidade e humanidade como conhecemos não mais existe. O mundo é dominado por corporações. O mundo é um negócio.

Por excelência, fica a maneira com que toda essa complicada conversa é colocada no filme, alternando entre momentos de profunda reflexão e o efeito causado nos protagonistas. Destaque para Robert Duvall, sempre brilhante em cena.

Rede de Intrigas perdeu o Oscar de Melhor Filme em 1977 para Rocky, o que deixou Lumet profundamente irritado. Porém venceu nas categorias de Melhor Ator (Peter Finch, que morreu poucos dias antes da cerimônia, tornando-se o primeiro ator a receber o prêmio postumamente), Melhor Atriz para Faye Dunaway, Melhor Atriz Coadjuvante para Beatrice Straight (uma cena de apenas 5 minutos rendeu o prêmio para a atriz, tamanha performance) e Melhor Roteiro Original para Paddy Chayefsky. Rede de Intrigas foi o primeiro filme desde 1951 (Uma Rua Chamada Pecado) a vencer em três categorias de atuação.

“I’m as mad as hell and I’m not going to take this anymore!”

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Rede de Intrigas (Network). EUA 1976. 121 min. Direção de Sidney Lumet. Roteiro de Paddy Chayefsky. Com Peter Finch, Faye Dunaway, William Holden, Robert Duvall, Ned Beatty, Beatrice Straight.

NC: 9     NP: 8     IMDB: Rede de Intrigas

Por: Ricardo Lubisco

#9 Warriors – Os Selvagens da Noite

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Warriors – Os Selvagens da Noite é um cultuado filme oitentista. Apesar de ser realizado em 1979, fez a alegria de toda uma geração nos corujões da vida.

Apesar de ser simples, é muito divertido passear de madrugada por Nova York acompanhando a longa jornada da gangue dos Warriors de volta para casa. Um grande destaque do filme é o figurino das dezenas de gangues que aparecem na história.

Um comentário bem mais simplista que o comum hoje pela minha falta de tempo, mas pelo menos fica aqui o registro.

Se você assim como eu já ouviu muito falar desse filme mas nunca assistiu, reserve algum tempo para ele. Vai te lembrar as melhores Sessões da Tarde.

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#3 Amargo Pesadelo

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Uma obra recheada de lendas sobre a sua produção, Amargo Pesadelo é um clássico do cinema impossível de ser esquecido.

Para a época de realização, 1972, Amargo Pesadelo tinha uma história muito pesada. Fora isso, o diretor John Boorman não havia dinheiro o suficiente para a contratação de dublês, sendo que os atores teriam que realizar todas as suas cenas (e assim fizeram), mesmo as mais perigosas, sem qualquer tipo de ajuda. Esse é um dos motivos de Burt Reynolds ter quebrado uma costela durante as filmagens. Por conta disso, muitos atores foram cogitados para os papéis principais (Lewis e Ed) mas acabaram rejeitando justamente por não haver dublês, questões de idade, e temática. Nomes como Marlon Brando, Jack Nicholson, Lee Marvin, Donald Sutherland, Charlton Heston, entre outros.

Há também uma história que circula por aí, que o garoto da cena do “duelo de banjos” seria um autista que a produção acabou encontrando por acaso quando foi filmar uma cena, e que a cena que aparece no filme não estava no roteiro e o diretor acabou captando sem querer. Uma besteira sem tamanho. O garoto que parece um autista (ele foi maquiado justamente para este propósito) é na verdade um ator, que acabou trabalhando posteriormente com Tim Burton em Peixe Grande (2003).

Amargo Pesadelo pode ser lembrado por muitas coisas hoje em dia, suas lendas, todos os atores que não aceitaram participar do filme, seja pelas cenas perigosas ou pela temática pesada, mas o principal de tudo é que é um baita filme. Memorável por sua história, pelas excelentes atuações de John Voight, Burt Reynolds, Ned Beatty (seu primeiro filme) e Ronny Cox, pela trilha sonora exata em suas participações.

Um filme e tanto.

Amargo Pesadelo foi indicado para três Oscar em 1972. Melhor Filme, Melhor Edição e Melhor Direção.

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Amargo Pesadelo (Deliverance). EUA 1972. 110 min. Direção de John Boorman. Roteiro de James Dickey. Com Burt Reynolds, John Voight, Ned Beatty, Ronny Cox, Billy Redden.

NC: 8     NP: 7     IMDB: Amargo Pesadelo

Por: Ricardo Lubisco