Anos 90

Círculo de Paixões

still-of-kathy-baker-billy-crudup-and-joaquin-phoenix-in-inventing-the-abbotts-large-picture-246341569

Foi uma surpresa agradável encontrar este filme após dar uma zapeada pelas opções que o Netflix me oferecia ontem pela manhã. Ver Joaquin Phoenix e Liv Tyler contracenando juntos em um filme de 1997 despertou a minha curiosidade, e deixar o sono um pouco de lado valeu muito a pena.

Ignore o título brasileiro preguiçoso, este não é um filme apenas sobre paixões, mas sobre a vida de uma maneira geral. É sobre a passagem do tempo na vida de uma pequena família do interior dos Estados Unidos, sobre as paixões da adolescência que perduram com o passar dos anos, e na dificuldade de escolher um caminho e deixar todo o seu mundo para trás.

O diretor do filme é Pat O’Connor, mais conhecido por ter realizado Doce Novembro (2001). Ele realiza um trabalho muito simples aqui, mas memorável. Joaquin Phoenix e Liv Tyler, como já mencionados anteriormente, transformam em arte uma pequena história do filme. No elenco ainda estão Jennifer Connelly, estonteante, e Billy Crudup desempenhando uma grande atuação.

Círculo de Paixões é um filme charmoso e que prende a atenção por contar muito bem uma história, por não se prender em um romance barato e explorar questões familiares de uma maneira sutil e profunda. Valeu a pena para mim pelo menos, que deixei de lado um hiato de 5 meses para vir aqui falar sobre ele.

inventing_the_abbotts

Círculo de Paixões (Inventing the Abbotts). EUA 1997. Direção de Pat O’Connor. Com Joaquin Phoenix, Liv Tyler, Billy Crudup, Will Patton, Kathy Baker, Jennifer Connelly, Joanna Going, Barbara Williams.

NC: 7     NP: 7     IMDB: Círculo de Paixões 

Por: Ricardo Lubisco

Anúncios

Clube da Luta

fight-club-1999-06-g

E nem parece que já se passaram 14 anos desde a estréia de Clube da Luta nos cinemas. 

Me lembro que na época (eu tinha 12 anos) não dei muita importância para o filme, a não ser pelas manchetes de todo o país do jovem que havia entrado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping em São Paulo e atirado contra a platéia que assistia ao filme. Revendo o filme ontem a noite, apesar de todo o impacto mental e visual (lembro que a primeira vez que o assisti fiquei realmente impressionado e com uma injeção de ânimo e sabedoria) não consigo imaginar uma pessoa tendo a reação que este estudante teve. Mesmo com as idéias e o estilo de vida retratado, nunca se deve esquecer o que é ficção, e o que é a realidade. Acho que esta introdução no texto do filme serve para acabar de uma vez por todas com a opinião de que filmes e games violentos influenciam nos crimes que algumas pessoas cometem. Não, definitivamente não. A pessoa já têm aquela índole, aquele pensamento, a idéia de se virar contra tudo e contra todos e cometer uma loucura.

O filme Clube da Luta surgiu a partir do livro de 1996 de Chuck Palahniuk, de mesmo título, e virou um clássico instantâneo. Tanto que apenas três anos depois, em 1999, chegava aos cinemas a adaptação feita pelo diretor David Fincher, que vinha de um ótimo trabalho no cinema com Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995). Mas o que David Fincher realizou em Clube da Luta não é nada parecido com o que estávamos acostumados até então. A filmagem clássica de cinema alinhada com incontáveis zoom in e zoom out, além de incrementar o tempo inteiro uma incrível tecnologia digital para ditar o ritmo da história e definir Clube da Luta como um dos melhores filmes dos anos 90, e de 1999 para cá. A exaltação pelo trabalho de Fincher deve existir, pois de maneira alguma seria fácil a adaptação de uma história recheada de detalhes, de uma maneira tão intensa e tão bem realizada.

A história do filme é genial. Como disse anteriormente, é uma injeção de ânimo, sabedoria vontade de mudar as coisas em uma cabeça adolescente. Sabotar as grandes empresas, largar os bens materiais, aproveitar a sua vida. Existem muitos momentos do filme que podem ser apontados como cenas maravilhosas. Uma delas é quando o personagem de Brad Pitt, Tyler Durden, entra em uma loja de conveniência e traz o atendente até o estacionamento, aponta uma arma para sua cabeça e diz: “Fulano, hoje você vai morrer”. Ele assusta um pouco o rapaz, e logo após diz para ele seguir os planos que tinha abandonado ou do contrário ele o perseguiria o resto da vida. No fim, Tyler diz: – Amanhã ele terá o melhor dia de sua vida. Um momento que nós nunca saberemos como é. Você não é as roupas que você usa. O seu emprego não te define.

Momentos como esse fazem de Clube da Luta um filme inigualável e extremamente marcante para todos que o assistem. A atuação do trio de protagonistas é em todos os momentos muito dedicada e emblemática. Não há o que dizer de Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter. Caíram muito bem em seus respectivos papéis e têm o espírito necessário para dar vida a personagens confusos e vibrantes.

Baseado em um roteiro brilhante, Clube da Luta é definitivamente um dos filmes mais importantes dos últimos 20 anos no cinema. Entrou para a cultura popular e definiu toda uma geração que cresceu com as idéias do filme na cabeça. Pode ser colocado ao lado de Trainspotting, filme do diretor Danny Boyle como exemplos de filmes controversos e brilhantes dos anos 90. Nos dias de hoje, quase 15 anos após o seu lançamento, continua muito atual e moderno. Clássico instantâneo e obrigatório para todos que gostam de um bom cinema.

Se você ainda não assistiu, se prepare. Seu ponto de vista sobre o mundo capitalista nunca mais será o mesmo.

Ps: Recomendação feita por Victor Hugo Gavino Silva Turatti, de São Paulo.

fight_club_ver4

Clube da Luta (Fight Club). EUA/ALE 1999. 139 min. Direção de David Fincher. Roteiro de Jim Uhls e Chuck Palahniuk (romance). Com Brad Pitt, Edward Norton, Helena Bonham Carter, Meat Loaf, Jared Leto.

NC: 9     NP: 10     IMDB: Clube da Luta

Por: Ricardo Lubisco

Nada a Perder

american-heart

Uma preciosidade desconhecida que acabei assistindo por acaso na TV quando fui visitar minha mãe esses dias. Nada a Perder é um filme de 1992, que tem Jeff Bridges com uma grande atuação, e segundo as palavras do próprio ator, o filme preferido em que ele atuou.

Sem focar somente na história de adolescentes abandonados e drogados, situação que Kids abordaria de forma muito competente em 1995, a história se concentra na relação pai que acabou de sair da prisão e filho abandonado que aprende a se virar pelas ruas de Seattle. É nessa relação que o “algo a mais” do filme se apresenta, com Jeff Bridges em grandes momentos com o seu bigodão e maneirismos de pai desajeitado, tocando seu ukelele em praças ou dando voltas de bicicleta com seu filho. Simples coisas que acabam se tornando poéticas pela maneira que é conduzida a história.

Chamei o filme de preciosidade desconhecida, porque não me recordo de ver o DVD dele em alguma locadora (ou simplesmente passou despercebido por mim), e porque foi uma surpresa muito agradável. Mais um daqueles filmes dos anos 90 que são bons pra caramba, e que a época, o momento em que foram feitos fazem toda a diferença. Sem contar a excelente trilha-sonora com músicas de Tom Waits. Um ótimo filme.

Vale lembrar que ele é baseado em um documentário de 1984 chamado Streetwise, que mostra a vida de adolescentes nas ruas de Seattle.

american_heart

 

Nada a Perder (American Heart). EUA 1992. 113 min. Direção de Martin Bell. Roteiro de Martin Bell, Peter Silverman, Mary Ellen Mark. Com John Boylan, Jeff Bridges, Edward Furlong, Jayne Entwistle.

NC: 6     NP: 7     IMDB: Nada a Perder

Por: Ricardo Lubisco

Filhos do Paraíso

filhosdoparaiso

Há tempos quando surge algum filme iraniano em festivais e mostras, é bom ficar de olho. Esse país tem um faro para o cinema, assim como alguns outros espalhados ao redor do mundo. Já havia assistido ao ótimo Gosto de Cereja (1997) do talvez mais celebrado diretor deste país, Abbas Kiarostami, e já ouvi falar de tantos outros, um deles era este Filhos do Paraíso, que ficou conhecido mundo afora por sua indicação a Melhor Filme Estrangeiro em 1999, disputando o prêmio ao lado de Central do Brasil e A Vida é Bela.

O belo do filme é o simples. A maneira simplista de filmagem mas extremamente competente, perceptível desde o começo do longa. A simplicidade dos personagens e da história, da trilha-sonora entrando apenas nos momentos ideais, da simplicidade dos atores, encarnando os personagens exatamente como eles deveriam ser interpretados.

O roteiro do filme, partindo do princípio de dois irmãos tendo que dividir o mesmo par de tênis, é escrito com o sentimento de uma criança. A inocência infantil representada durante o filme inteiro seja pela expressão dos personagens, seja pelas histórias vividas dentro da história, é uma preciosidade que foi justamente reconhecida pelos cinéfilos. A impressão que tive ao terminar de assistir ao filme, foi a da minha transformação em adulto, e em tantas coisas mesquinhas que me preocupavam nos dias de hoje. Por um momento deixei todas as coisas de lado e voltei a pensar com o sentimento de uma criança. Este enfim, é o sucesso de uma obra artística.

Filhos do Paraíso é em muitos momentos poético e a meu ver, uma daquelas raridades do cinema que sempre voltamos a assistir alguma outra vez.

children_of_heaven

 

Filhos do Paraíso (Bacheha-Ye aseman). Irã 1997. 89 min. Direção e Roteiro de Majid Majidi. Com Mohammad Amir Naji, Amir Farrokh Hashemian, Bahare Seddiqi.

NC: 8     NP: 9     IMDB: Filhos do Paraíso

Por: Ricardo Lubisco

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes

Lock-Stock-and-Two-Smoking-Barrels

Depois de 15 anos da data de seu lançamento, fica fácil e cada vez mais perceptível a importância e qualidade do primeiro filme do diretor britânico Guy Ritchie.

O filme lançado em 1998, veio embalado no sucesso do também longa britânico Trainspotting (1994), do diretor Danny Boyle. Não só embalado, como em um ritmo igualmente frenético e violento. Pode-se dizer hoje, que surgiu na hora certa, pois após Jogos, Trapaças… Ritchie realizou uma obra cinematográfica superior a esta, com Snatch – Porcos e Diamantes (2000).

O que torna este filme tão interessante, é energia representada no filme como novidade, pois além de ser o primeiro filme do hoje conhecido diretor britânico (que manteve o mesmo estilo desde este filme), era o primeiro filme do hoje consagrado Jason Statham, e primeiro trabalho também de Vinnie Jones, extremamente carismático no filme. Além disso, a ótima trilha-sonora, cortando o som ambiente nos momentos certos, sendo quase um personagem coadjuvante.

De uma confusão de informações no começo do filme até um final detalhista (mas extremamente confuso, no bom sentido), Guy Ritchie imprimiu aqui o seu ritmo no final dos anos 90. E se você é como eu que deixou de assistir o filme durante esses 15 anos, não perca tempo. É uma aventura e tanto a se conhecer e reconhecer. Mesmo sabendo que as coisas boas não têm validade, gostaria de tê-lo assistido há alguns anos atrás.

Não me recordo como foi a receptividade do longa nos cinemas aqui no Brasil, pois não encontrei informações suficientes na internet (na época do lançamento eu tinha 11 anos), mas me recordo que era um filme “cult” das locadoras na metade dos anos 2000.

Somente diversão. Guy Ritchie começa no cinema com o pé direito e despejando técnica e estilo.

lock_stock_and_two_smoking_barrels_ver2

 

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (Lock, Stock, and Two Smoking Barrels). UK 1998. Direção e Roteiro de Guy Ritchie. Com Jason Flemyng, Dexter Fletcher, Nick Moran, Jason Statham, Steven Mackintosh, Vinnie Jones, Lenny McLean.

NC: 8     NP: 8     IMDB: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes

Por: Ricardo Lubisco

#81 Os Amantes do Círculo Polar

amantescirculo

Os Amantes do Círculo Polar é um dos primeiros longa-metragens do cineasta Julio Medem, e sempre me chamou a atenção pelo título, e por até alguns anos atrás ser encontrado somente em VHS.

Eu já havia ouvido alguns comentários sobre o filme, inclusive me lembro do Eduardo Marques me recomendando ele, e dizendo que assistiu numa maratona de filmes no fim de algum ano. De qualquer maneira, as recomendações ficaram gravadas na minha memória e finalmente assisti o filme.

Extremamente poético e divisor de opiniões, o filme segue uma linha de coincidências que romantiza ao mesmo tempo tanto o destino como os imprevistos da vida. É sem dúvida alguma um bom filme, trabalhado muito bem durante a sua montagem, e que ganhou diversos prêmios em festivais pelo mundo, inclusive no Festival de Gramado.

A história de amor dos personagens principais atravessa algumas décadas e encanta pela maneira como é tratada durante todo o filme, assim como alguns detalhes que constroem a história, como o círculo polar do título. A beleza do filme está justamente na construção dessa história que muitos acreditam ser contemplada de clichês, mas que história de amor não é? Além disso, a maneira poética como a história é tratada, desde os aviões de papel até a explicação do “círculo polar” do título é que faz a diferença. Certamente o filme tem uma agradabilidade muito maior sendo espanhol e distante do que estamos acostumados a ver no cinema americano. Um charme, pode-se dizer.

A certeza é a de que é um belo filme de um ótimo diretor. Os Amantes do Círculo Polar vale todas as recomendações que foram feitas.

amantesposter

 

Os Amantes do Círculo Polar (Los Amantes del Circulo Polar). ESP/FRA 1998. 112 min. Direção e Roteiro de Julio Medem. Com Najwa Nimri, Fele Martínez, Nancho Novo, Maru Valdivielso, Peru Medem, Sara Valiente.

NC: 8     NP: 8     IMDB: Os Amantes do Círculo Polar

Por: Ricardo Lubisco

#72 Cassino

Casino 1

Foi preciso passar um café para pensar com mais calma neste épico (178 min!) de Martin Scorsese, que é inquestionavelmente um grande filme. Mesmo com um “porém” me incomodando severamente, Cassino têm uma combinação fatal para ser um sucesso.

Tudo começa no livro escrito por Nicholas Pileggi, de mesmo título do filme, com uma história sensacional sobre a máfia e o mundo dos cassinos em Las Vegas. Soma-se a isso, uma direção segura e criativa de Martin Scorsese, Pileggi sendo co-roteirista ao lado do diretor de Táxi Driver (1976), e uma carta de ótimos atores, entre eles Robert De Niro, Sharon Stone e Joe Pesci.

Cassino foi naturalmente concebido uma excelente produção cinematográfica. Seus personagens são marcantes, a sua história muito bem explicada, técnicas de câmera a que estamos acostumados nos filmes de Scorsese, mas apesar de todo esse sucesso, aquele “porém” que eu já relatei estar me incomodando, é bem significativo. Significativo o bastante para os 178 minutos de filmagem não serem o suficientes para ele ser deixado de lado. É inclusive uma das coisas que mais me desanimam em um filme, e a minha surpresa em encontrar um erro tão absurdo em um filme do Scorsese foi do tamanho de um abismo.

Casino 3

Bem no começo do filme, mais precisamente na primeira cena, quando o carro em que está o Robert De Niro explode, é nítida a visão da película do filme sendo editada e um manequim (pois é, José), explodindo junto com o carro. Manequim este que seria o De Niro. Mas ora, aonde está o trabalho de edição que foi capaz de cometer tamanho deslize? Eu fiquei envergonhado pelo Scorsese, que deve ter visto esse erro e começar a ter a sensação de um ataque cardíaco. E todo o resto do filme, na minha visão, foi prejudicado por um erro infantil. Claro, quem sou eu para julgar um dos diretores mais reconhecidos no meio, e que eu tenho o maior respeito e aprecio a maior parte de sua filmografia. Sou um apaixonado por filmes, provavelmente como você que está lendo este texto, que acredita em uma preocupação e perfeição estética no cinema. Um cuidado que nunca faltou em diretores que eu considero mestres do cinema como Stanley Kubrick, Sérgio Leone e Federico Fellini.

O resultado final é um filme muito bom, marcante, e que apesar de um pequeno erro comprometer toda a sua grandeza, irá manter um status de “filme a ser visto” durante muito tempo.

casino_ver1

 

Cassino (Casino). EUA/FRA 1995. 178 min. Direção de Martin Scorsese. Roteiro de Martin Scorsese e Nicholas Pileggi. Com Robert De Niro, Sharon Stone, Joe Pesci, James Woods, Frank Vincent, Kevin Pollack.

NC: 8     NP: 7     IMDB: Cassino

Por: Ricardo Lubisco