Brad Pitt

12 Anos de Escravidão

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Foi com o intuito de assistir aos principais filmes indicados ao Oscar, premiação norte americana que acontece neste domingo, que separei um tempo para prestigiar 12 Anos de Escravidão. O curioso é que no começo do filme eu fui rapidamente enganado (não costumo ler sinopses e nem críticas antes de assistir algo) imaginando que estava prestes a assistir um dramalhão construído basicamente para colecionar as famosas estatuetas douradas, devido a trilha-sonora (o excelente tema do filme composto por Hans Zimmer) emocional executada logo no princípio da história. Mas bastaram apenas alguns minutos para eu ver que estava prestes a assistir uma obra visualmente impressionante e extremamente bem realizada.

Escravidão é um tema muito delicado de se tocar em qualquer discussão e mostrar imagens reproduzindo aqueles tempos é mais delicado ainda de se assistir. No meu caso, fiquei imaginando se eu estivesse passando por aquela experiência não teria a paciência e força necessária para aguentar o que estas pessoas passaram, incluindo Solomon Northup, personagem principal deste filme que é baseado em sua história de vida, escrita por ele em 1853.

Surpreendente foi a brilhante condução que Steve McQueen (Shame), diretor relativamente novo, manteve durante a construção do filme e nas interpretações que conseguiu extrair de seu elenco. A fotografia do filme tem momentos sublimes, enquanto a trilha-sonora de Hans Zimmer não nos deixa esquecer, mesmo em uma belíssima cena em que árvores cortam um céu azul em um fim de tarde, os tensos dias de escravidão que estão sendo representados. É assim o tempo inteiro. Uma realidade crua que insiste em permanecer ativa e pulsante em todos os momentos, tal qual  aquelas pessoas sofreram, mas deixando de pender para um drama excessivo, fácil armadilha em filmes de biografia. A atuação de Chiwetel Ejiofor (que recentemente ganhou o Bafta de Melhor Ator por sua intensa interpretação neste filme) é ótima e ponderada. Ele demonstra muito bem a raiva que o personagem guarda por toda a injustiça que vive, e a desconta nos devidos momentos, em explosões de temperamento muito bem registradas. O elenco conta ainda com a ótima Lupita Nyong’o, Michael Fassbender (que participou de todos os três longa-metragens do diretor), Paul Dano, Brad Pitt, Paul Giamatti e Benedict Cumberbatch.

Minha consideração final é a de que 12 Anos de Escravidão é um filme que surpreende por sua profunda imersão no tema e nas dores da escravidão, mantendo seu ar épico do começo ao fim, tornando-o um filme equilibrado e muito bem realizado. Dos que assisti até agora, é um dos meus favoritos para vencer o Oscar.

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12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave). EUA/UK 2013. 134 min. Direção de Steve McQueen. Roteiro de Solomon Northup (autobiografia) e John Ridley. Com Chiwetel Ejiofor, Lupita Nyong’o, Michael Fassbender, Paul Dano, Brad Pitt, Paul Giamatti, Benedict Cumberbatch.

NC: 9     NP: 8     IMDB: 12 Anos de Escravidão

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos:

Pablo Villaça (Cinema em Cena♠♠♠♠♠

Érico Borgo (Omelete♠♠♠♠♠

Lucas Salgado (Adoro Cinema♠♠♠♠½

Michel Simões (Toca do Cinéfilo♠♠♠♠

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Clube da Luta

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E nem parece que já se passaram 14 anos desde a estréia de Clube da Luta nos cinemas. 

Me lembro que na época (eu tinha 12 anos) não dei muita importância para o filme, a não ser pelas manchetes de todo o país do jovem que havia entrado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping em São Paulo e atirado contra a platéia que assistia ao filme. Revendo o filme ontem a noite, apesar de todo o impacto mental e visual (lembro que a primeira vez que o assisti fiquei realmente impressionado e com uma injeção de ânimo e sabedoria) não consigo imaginar uma pessoa tendo a reação que este estudante teve. Mesmo com as idéias e o estilo de vida retratado, nunca se deve esquecer o que é ficção, e o que é a realidade. Acho que esta introdução no texto do filme serve para acabar de uma vez por todas com a opinião de que filmes e games violentos influenciam nos crimes que algumas pessoas cometem. Não, definitivamente não. A pessoa já têm aquela índole, aquele pensamento, a idéia de se virar contra tudo e contra todos e cometer uma loucura.

O filme Clube da Luta surgiu a partir do livro de 1996 de Chuck Palahniuk, de mesmo título, e virou um clássico instantâneo. Tanto que apenas três anos depois, em 1999, chegava aos cinemas a adaptação feita pelo diretor David Fincher, que vinha de um ótimo trabalho no cinema com Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995). Mas o que David Fincher realizou em Clube da Luta não é nada parecido com o que estávamos acostumados até então. A filmagem clássica de cinema alinhada com incontáveis zoom in e zoom out, além de incrementar o tempo inteiro uma incrível tecnologia digital para ditar o ritmo da história e definir Clube da Luta como um dos melhores filmes dos anos 90, e de 1999 para cá. A exaltação pelo trabalho de Fincher deve existir, pois de maneira alguma seria fácil a adaptação de uma história recheada de detalhes, de uma maneira tão intensa e tão bem realizada.

A história do filme é genial. Como disse anteriormente, é uma injeção de ânimo, sabedoria vontade de mudar as coisas em uma cabeça adolescente. Sabotar as grandes empresas, largar os bens materiais, aproveitar a sua vida. Existem muitos momentos do filme que podem ser apontados como cenas maravilhosas. Uma delas é quando o personagem de Brad Pitt, Tyler Durden, entra em uma loja de conveniência e traz o atendente até o estacionamento, aponta uma arma para sua cabeça e diz: “Fulano, hoje você vai morrer”. Ele assusta um pouco o rapaz, e logo após diz para ele seguir os planos que tinha abandonado ou do contrário ele o perseguiria o resto da vida. No fim, Tyler diz: – Amanhã ele terá o melhor dia de sua vida. Um momento que nós nunca saberemos como é. Você não é as roupas que você usa. O seu emprego não te define.

Momentos como esse fazem de Clube da Luta um filme inigualável e extremamente marcante para todos que o assistem. A atuação do trio de protagonistas é em todos os momentos muito dedicada e emblemática. Não há o que dizer de Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter. Caíram muito bem em seus respectivos papéis e têm o espírito necessário para dar vida a personagens confusos e vibrantes.

Baseado em um roteiro brilhante, Clube da Luta é definitivamente um dos filmes mais importantes dos últimos 20 anos no cinema. Entrou para a cultura popular e definiu toda uma geração que cresceu com as idéias do filme na cabeça. Pode ser colocado ao lado de Trainspotting, filme do diretor Danny Boyle como exemplos de filmes controversos e brilhantes dos anos 90. Nos dias de hoje, quase 15 anos após o seu lançamento, continua muito atual e moderno. Clássico instantâneo e obrigatório para todos que gostam de um bom cinema.

Se você ainda não assistiu, se prepare. Seu ponto de vista sobre o mundo capitalista nunca mais será o mesmo.

Ps: Recomendação feita por Victor Hugo Gavino Silva Turatti, de São Paulo.

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Clube da Luta (Fight Club). EUA/ALE 1999. 139 min. Direção de David Fincher. Roteiro de Jim Uhls e Chuck Palahniuk (romance). Com Brad Pitt, Edward Norton, Helena Bonham Carter, Meat Loaf, Jared Leto.

NC: 9     NP: 10     IMDB: Clube da Luta

Por: Ricardo Lubisco

#52 Guerra Mundial Z

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Um alucinante filme sobre como  a humanidade lidaria com uma epidemia de zumbis por todo o planeta, perfeitamente adaptado do livro de Max Brooks, certo? Pra ser sincero, a realidade é um pouco diferente.

Guerra Mundial Z, é um filme com muita tecnologia envolvida e funciona muito bem nesse aspecto, ainda mais sendo visto em Imax 3D. Mas isso não esconde uma série de problemas que o filme tem, ainda mais a fraca adaptação da história criada por Brooks.

O filme tem uma série de problemas de roteiro, que por todas as dificuldades encontradas para a realização do filme e as vezes que o roteiro foi reescrito, acabou tendo um resultado melhor do que o esperado, mas não bom o suficiente. Brad Pitt é o astro do filme, e como bem colocou Marcelo Hessel em uma crítica do site Omelete, é um filme de um homem só. Com toda uma epidemia tomando conta do planeta, temos uma rápida introdução à família do personagem e tudo que acontece e aparece no filme mais tarde é relacionado a ele. Do princípio de que a idéia do filme é uma guerra mundial de zumbis, somos introduzidos na vida de um personagem e ficamos ali. Para uma premissa de uma super produção zumbi, acho que todos esperavam algo revolucionário ou uma história além das expectativas.

Apesar de termos uma nova categoria de zumbis, correndo muito rápido e com uma mutação acelerada, Guerra Mundial Z me pareceu um apanhado de grandes filmes com essa temática, em uma nova história com um astro do cinema para fazer bilheteria. E isso é broxante no cinema. O filme ainda tem vestígios (os zumbis acelerados) de Extermínio, filme de 11 anos atrás do diretor Danny Boyle, com a mesma temática e que é muito mais filme do que este.

A impressão geral é decepcionante, apesar de ficar claro que o grande problema do filme está em seu roteiro, e não na direção do criativo Marc Forster, que acredito fazer aqui um trabalho à altura de sua carreira.

Confuso no começo, melhor na segunda parte, Guerra Mundial Z talvez seja a grande decepção dos blockbusters deste ano, mas nunca é demais assistir à um filme novo de zumbis, ainda mais em 3D e com a melhor tecnologia disponível. Vale pela diversão, e só.

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Guerra Mundial Z (World War Z). EUA/MAL 2013. 116 min. Direção de Marc Forster. Roteiro de Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard, Damon Lindelof, J. Michael Straczynski, Max Brooks (história). Com Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, Fana Mokoena, Matthew Fox.

NC: 6     NP: 5     IMDB: Guerra Mundial Z

Por: Ricardo Lubisco

O Homem da Máfia

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Um título um tanto ordinário para um exemplo de cinema bem feito. O filme mais recente do diretor neozelandês Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) que em inglês se chama Killing Them Softly (Matando-os Suavemente), não é exatamente tão violento assim como foi comentado na mídia, e dos filmes que vi esse ano, é uma das boas surpresas. Há sim uma violência um tanto quanto parecida com a que vemos nos filmes de Tarantino, mas ela é focada em momentos específicos. É uma violência crua e condizente com a proposta do filme, violência essa que pode ser comparada também com dois filmes recentes do diretor David Cronenberg, Marcas da Violência (2005) e Senhores do Crime (2008).

Baseado no romance de George V. Higgins – Cogan’s Trade – e com diálogos aprofundados e marcantes, o filme se destaca por manter-se em cenas sempre bem encaixadas. Uma excelente edição. Além disso, ótimas atuações de um grande elenco, incluindo uma ponta de Sam Shepard. Brad Pitt, mais uma vez, se destaca pela imersão no personagem. A trilha sonora igualmente boa, pontua os momentos mais marcantes do filme. De Johnny Cash à Lou Reed.

Fica a indicação para quem gosta de bons filmes. Por vezes lembra Marcas da Violência, por vezes lembra Drive (2011), por vezes um filme de Tarantino, mas O Homem da Máfia têm o seu próprio estilo combinado de muitas boas referências, e faz dessa segunda parceria entre Andrew Dominik e Brad Pitt, um filme um tanto destacado. Há uma cena em particular no filme, em que Pitt olha para o discurso da posse de Obama que está passando na TV e diz a seguinte frase:

“Esse cara quer me dizer que nós vivemos em uma comunidade. Não me faça rir. Eu vivo nos Estados Unidos, e nos Estados Unidos, você está por sua conta. Estados Unidos não é um país, é só um negócio.”

A simples verdade. Não poderia ter dito melhor.

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O Homem da Máfia (Killing Them Softly). EUA 2012. 97 min. Direção de Andrew Dominik. Com Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini, Richard Jenkins, Ray Liotta e Sam Shepard.

NC:     NP:    IMDB: O Homem da Máfia

Por: Ricardo Lubisco