Bradley Cooper

Trapaça

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Antes de tudo, é preciso dizer que o diretor David O. Russel realizou um belo trabalho neste filme. Li muitas críticas após assistir ao filme, e em todas havia algo relacionando-o ao cinema de Martin Scorsese (como reverência ou cópia), o que eu acho de certa forma um exagero.

Scorsese é um diretor clássico, foi um dos pioneiros de sua geração ao fazer cinema de qualidade nos Estados Unidos, influenciado pela nouvelle vague. Um exemplo de sua qualidade de criador, é a cena final de Taxi Driver (76) com um ângulo de câmera diferenciado. David O. Russel a meu ver, faz um tipo de cinema completamente diferente do de Scorsese. Ele não se importa tanto com o roteiro do filme, dando liberdade para os seus atores improvisarem o quanto for necessário, e desta forma criar grandes personagens. Qualidade inegável de Russel, reconhecida com as indicações a Melhor Ator/Atriz em todas as categorias do Oscar neste ano, e no ano passado também.

Em Trapaça, são os atores que tornam o filme mais atrativo em todos os sentidos. É por um Christian Bale (mais uma vez com alterações de peso) espetacular em cena, por Amy Adams roubando a cena em quase todos os momentos, por um Bradley Cooper motivadasso a construir um personagem sagaz ao extremo, e por uma pequena mas elegante participação de Robert De Niro, que Trapaça merece ser visto e saboreado sem comparações com Scorsese ou qualquer outro diretor, e sim com um certo reconhecimento pela competência de Russel em dirigir um elenco tão forte como esse e conseguir extrair os melhores resultados possíveis.

Claro que nem tudo é maravilhoso e o filme, sim, é um pouco arrastado e pretensioso. Existem algumas cenas que poderiam facilmente ter sido removidas durante a edição final e deixado o filme mais dinâmico. A cena com a Jennifer Lawrence surtando dentro de casa ao som de “Live and Let Die” é completamente descartável e por instantes transformou o filme em um clipe da MTV. A atuação de Lawrence, inclusive, não surpreende em momento algum. É a pior entre todos os atores.

Fica a sensação de que David O. Russel poderia ter construído um filme emblemático e memorável, mas não é o que acontece aqui. Ainda assim, é uma obra interessante e que merece uma atenção maior do que apenas a mera comparação ao cinema de Scorsese.

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Trapaça (American Hustle). EUA 2013. 138 min. Direção de David O. Russel. Roteiro de David O. Russel e Eric Warren Singer. Com Amy Adams, Christian Bale, Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Jeremy Renner, Robert De Niro.

NC: 7     NP: 7     IMDB: Trapaça

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos: 

Marcelo Hessel (Omelete) – ♠♠♠

Lucas Salgado (Adoro Cinema) – ♠♠♠♠

Matheus Pannebecker (Cinema e Argumento) – 6,0

Adriano de Oliveira (Cine Revista) – ♠♠

Michel Simões (Toca do Cinéfilo) – ♠♠½

Pablo Villaça (Cinema em Cena) – ♠♠♠♠

Chico Fireman (Filmes do Chico) – ♠♠

Rubens Ewald Filho (Rubens Ewald Filho) – ♠♠♠½

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O Lugar Onde Tudo Termina

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Contrariando as massivas críticas que podem ser encontradas na internet dizendo que o filme é previsível e arrastado, o trabalho do diretor Derek Cianfrance (Namorados Para Sempre) é notável, e talvez tenha passado despercebido pela grande parte do público devido ao seu estendido tempo de duração (2h20). O Lugar Onde Tudo Termina é um filme muito bem realizado, com um excelente nível de atuação de todos os envolvidos, com uma marcante trilha-sonora (com o gênio Ennio Morricone matando a pau) ditando o ritmo dos momentos mais tensos do filme, e uma direção segura e arrojada, bem como o personagem principal da história interpretado por um ator em ascensão no cinema desde O Mundo de Leeland (2003), e que atualmente é um dos favoritos de Hollywood devido ao seu carisma e aos recentes ótimos trabalhos, Ryan Gosling.

Para mim, não existe essa história de filme muito longo, cansativo, e etc. Se é uma obra bem realizada ninguém fica de saco cheio do que está vendo. E O Lugar Onde Tudo Termina é um daqueles filmes que nos prendem a atenção em todos os momentos. É uma história muito bem construída, dividida em três períodos de tempo diferentes, mas o que realmente faz a diferença aqui é a maneira como os atores carregam a intensidade da história nos personagens. À primeira vista, pode parecer um drama barato com uma história pesada. Mas o filme está longe, muito longe disso. É possível perceber isso logo nos minutos iniciais, com uma excelente sequencia de introdução comandada pelo diretor, em que o personagem de Gosling vai de seu camarim até o “Globo da Morte” para fazer o seu número, atravessando todas as tendas, imprimindo em seu personagem a mesma atmosfera inquietante até o fim.

Ryan Gosling é um caso a parte. É o ator do momento, mas vêm fazendo ótimos trabalhos no cinema há pelo menos dez anos. Pode-se creditar o excelente Drive (2011) como o filme responsável pelo “boom” em sua carreira, mas as escolhas por papéis diferenciados foram certamente decisivas para o seu sucesso. Neste filme em particular, ele é o grande responsável pela introdução da história, mas ela continua viva e pulsante nos demais atores. Ótimos trabalhos de Eva Mendes, Bradley Cooper, Ray Liotta, e dos jovens Emory Cohen e Dane DeHaan.

Em uma época de muitos filmes ruins e poucos filmes com alguma qualidade latente, pode-se dizer que O Lugar Onde Tudo Termina é ótimo, mesmo eu acreditando que bons trabalhos realizados sejam atemporais. E a beleza deste filme está repartida por diversos momentos, assim como a história que ela apresenta. Desde uma panorâmica de uma motocicleta na estrada, passando pelas descobertas de um passado obscuro, até uma fotografia dobrada em uma carteira. O diretor Derek Cianfrance realiza aqui um filme que vai além de uma história filmada. Ele registra a história em momentos distintos mas relacionados, pelos personagens, pelos lugares, pelos objetos, e claro, pela vida.

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O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines). EUA 2012. 140 min. Direção de Derek Cianfrance. Roteiro de Derek Cianfrance, Ben Coccio, Darius Marder. Com Ryan Gosling, Eva Mendes, Bradley Cooper, Ray Liotta, Emory Cohen, Dane DeHaan.

NC: 8     NP: 8      IMDB: O Lugar Onde Tudo Termina

Por: Ricardo Lubisco

O Lado Bom da Vida

THE SILVER LININGS PLAYBOOK

Por ser um filme sobre relacionamentos, O Lado Bom da Vida já me deixou uma impressão desde o começo de que eu saberia como o filme iria terminar. E aconteceu exatamente como imaginei, mas não sem realizar isso com um certo charme, uma certa classe que vemos não muitas vezes nos filmes. Fiquei pensando sobre isso, e cheguei a conclusão de que é isso que realmente importa no cinema. Você pode ter uma história horrível em mãos, mas dependendo da forma como realiza esta história em frente as câmeras, como você define o quanto de sentimento irá colocar, é o que realmente faz a obra final que separamos um tempo de nossos dias para assistir. E em todos os momentos do filme é possível sentir o comprometimento do diretor David O. Russel.

Este trabalho que era para ser realizado por Sydney Pollack e produzido por Anthony Minghella (infelizmente ambos faleceram em 2008), foi realizado por David O. Russel com algumas características essenciais para Sydney Pollack: complicado para ter emoção, problemático, engraçado e romântico.

As qualidades desse filme vão desde a permanência de uma seriedade durante o tempo inteiro, o que faz com que o seu valor não se perca em alguns momentos clichê, até a importância de cada personagem no contexto geral da história. É um filme que não te faz deixar de gostar de algum personagem por determinada característica, mas sim enxergar o lado racional de cada um. Atuações que te levam junto com a onda de acontecimentos da história, uma familiarização das situações que ocorrem. Robert De Niro em uma atuação como há tempos não se via dele, Bradley Cooper para mim como a maior surpresa do filme numa grande atuação, e Jennifer Lawrence contrariando tudo que eu havia dito até agora, não deixou de merecer em nenhum momento o Oscar de Melhor Atriz que levou para casa na noite do último dia 24 de fevereiro.

Me lembrei de alguns filmes antigos de Hollywood assistindo O Lado Bom da Vida. Foi uma das coisas que mais me chamou a atenção, e por isso escrevi que o filme mantinha uma certa classe. Ele é sincero como o personagem de Bradley Cooper e não se enrola em momento algum por não saber para onde ir, pois é certeiro em suas escolhas.

Lembra em muitos momentos Pequena Miss Sunshine, desde cenas específicas até o sucesso nas premiações por ser o filme “alternativo” perto de seus concorrentes.

O filme mostra um surto que muitos temos em determinados momentos da vida, e que vão além de um simples relacionamento. Ele é só a base para uma confrontação existencial, para rever certos aspectos da vida. Muito bem retratado.

Baseado na obra de Matthew Quick, O Lado Bom da Vida foi indicado a 8 Oscar (2013), incluindo Melhor Filme, e acabou levando somente o de Melhor Atriz para Jennifer Lawrence.

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O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook). EUA 2012. 122 min. Direção de David O. Russel. Com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver, Chris Tucker, Anupam Kher e Julia Stiles.

NC: 8     NP: 8    IMDB: O Lado Bom da Vida

Por: Ricardo Lubisco