Cine Revista

Melhores Filmes de 2013

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– Amor – de Michael Haneke
O mundo se rendeu ao diretor austríaco Michael Haneke a partir do aclamado Caché (2005), mas é desde o primeiro filme de sua carreira, O Sétimo Continente (1989), que ele demonstra uma frieza e técnicas impressionantes para compor excelentes longas-metragens. Em Amor, Haneke realiza sua obra-prima. Palavras não traduzem a beleza artística e sentimental que o filme é capaz de produzir.

 

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– Django Livre – de Quentin Tarantino
É difícil o diretor americano Quentin Tarantino realizar um filme e ele não constar nas listas dos melhores filmes do ano. Com uma tema envolvendo vingança e cenas ágeis de humor refinado, Django é mais uma grande obra na carreira de Tarantino. Se a maioria dos diretores de ação e comédia realizasse filmes como esse, o “cinemão” seria um prato muito bem servido.

 

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– Azul é a Cor Mais Quente – de Abdellatif Kechiche
Provavelmente o filme mais polêmico deste ano que terminou, o longa de Abdellatif Kechiche é profundamente marcado pela descoberta do primeiro amor, e das marcas que essa experiência imprimem para o resto da vida, seja ela homossexual ou não. Com uma filmagem sutil e bela, levou a Palma de Ouro em Cannes indiscutivelmente.

 

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– No – de Pablo Larraín 
No me pareceu de uma grandeza imensurável. É mais uma grande obra que o Chile produz, reforçando a notoriedade do cinema sul-americano. Com um tema um pouco delicado de ser abordado, Pablo Larraín, que já havia demonstrado seu talento com Tony Manero (2008), fez um filme para ficar marcado na história do cinema chileno como uma das melhores produções realizadas pelo País.

 

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– O Mestre – de Paul Thomas Anderson
Um filme aclamado pela crítica especializada e rejeitado pelas grandes premiações do cinema (acabou não levando nenhum prêmio importante), o filme do diretor Paul Thomas Anderson é um deleite visual com sintomas de filme épico. São poucos filmes como esse que temos o prazer de ver serem feitos. O prazer de separar um tempo para assistir. E com certeza estar aberto a sutilidades que acontecem durante o filme, como a bela cena da motocicleta no deserto.

 

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– O Som ao Redor – de Kléber Mendonça Filho 
Certamente a maior surpresa do ano foi este tremendo trabalho do pernambucano Kléber Mendonça Filho. Ele construiu um filme muito difícil de ser realizado no Brasil, pois mantém a seriedade o tempo inteiro, sem apelar para a tentativa de realizar um cult Europeu na América do Sul. É um filme que tem uma identidade própria, e como bem diz o título, se aproveita da sonoridade como coadjuvante para o resultado final. Merece todas os comentários e honras recebidos. Um fôlego para o cinema brasileiro.

 

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– Sete Psicopatas e um Shih Tzu – de Martin McDonagh
Desprezado pela grande maioria e taxado de cópia do cinema de Tarantino,Sete Psicopatas é mais um ótimo trabalho realizado pelo diretor inglês, que já havia demonstrado seu talentoso humor negro com Na Mira do Chefe(2008). Vida longa ao bom humor que desta forma é empregado: politicamente incorreto, louco, nonsense, vertiginoso, escrachado, absurdo. Sam Rockwell está delirantemente grandioso. Como não foi indicado em nenhuma premiação importante?

 

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– O Lugar Onde Tudo Termina – de Derek Cianfrance
Um excelente nível de atuação, Ennio Morricone participando ativamente da construção da trilha-sonora, e uma direção segura e arrojada. O diretor Derek Cianfrance realiza aqui um filme que vai além de uma história filmada. Ele registra a história em momentos distintos mas relacionados pelos personagens, pelos lugares, pelos objetos, e claro, pela vida. Um dos melhores filmes do ano passado, com certeza absoluta.

 

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– Rush: No Limite da Emoção – de Ron Howard 
Um filme realizado por Ron Howard, mas sou da opinião de que o grande responsável para o sucesso dele é o diretor de fotografia Anthony Dod Mantle (Festa de FamíliaDogvilleExtermínio) que adiciona tons da época na filmagem mesclados com tecnologia digital, criando um efeito surpreendente e inovador. Rush não se limita a ser um filme sobre automobilismo, é um grande filme de uma grande história, que desperta os mais variados sentimentos.

*Lista originalmente publicada no site Cine Revista (Adriano de Oliveira), composta por filmes em cartaz na cidade de Porto Alegre entre o período de 02 de dezembro de 2012 à 06 de dezembro de 2013.

Piores Filmes de 2013

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 A Viagem – de Tom Tyker, Andy Wachowski e Lana Wachowski
Um dramalhão confuso, cheio de atores conhecidos, e de todas as formas tentando ser um filme rico em inteligência, tudo que na verdade ele não é.

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– Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha – de Jeff Tremaine
Quem quer que seja que teve a idéia de levar essa produção para os cinemas, tem uma percepção distorcida do que realmente vale a pena categorizar como um filme e chamá-lo como tal.

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– Truque de Mestre – de Louis Leterrier 
Truque de Mestre, por todo o seu marketing e reunião de bons atores, é uma das grandes decepções do ano, certamente um dos piores filmes lançados neste 2013. É um filme sem sentido, feito para surpreender o espectador em um final esperado e com flashbacks “reveladores”. O desenvolvimento dos personagens é raso, sendo todos eles mal construídos no roteiro. E o pior de tudo é que uma continuação já foi anunciada.

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– Jobs – de Joshua Michael Stern
O desperdício de uma história que poderia render uma ótima cinebiografia, com um filme feito às pressas e com um dos piores atores do cinema americano. Nada salva esta versão, realizada especificamente para fazer bilheteria e não arte.

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– Crô – O Filme – de Bruno Barreto
O que faz um país aceitar levar ao cinema e construir uma história em torno de um personagem de novela? Esta obra obviamente produzida pela Globo Filmes, é mais um exemplo do atraso cinematográfico brasileiro em relação aos outros países da América do Sul. Enquanto continuarmos levando qualquer coisa para o cinema, filmes ótimos como O Som ao Redor (presente na minha lista de Melhores do Ano) serão cada vez mais raros.

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– Para Maiores – Vários
Mais uma prova de que o cinema de humor americano tem muito a aprender com o humor britânico. Mais um exemplo de filme que entra como um dos piores feitos no ano, enquanto um britânico no mesmo estilo (Sete Psicopatas e um Shih Tzu) entra na lista de Melhores. O mau gosto às vezes parece não ter limites.

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– O Tempo e o Vento – de Jayme Monjardim
O clássico de Érico Veríssimo adaptado para o cinema por um diretor de novelas da Globo: o resultado é um filme banal, mais parecido com uma minissérie do que com um longa-metragem. Escolher Thiago Lacerda como protagonista de um filme é assinar o seu fracasso. Salva-se uma boa fotografia, e nada mais.

*Lista originalmente publicada no site Cine Revista (Adriano de Oliveira), composta por filmes em cartaz na cidade de Porto Alegre entre o período de 02 de dezembro de 2012 à 06 de dezembro de 2013.

Homenagem ao Cine Revista – 11 Anos Online!

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Adriano de Oliveira é um cinéfilo convicto. Me lembro que o conheci em alguma tarde de 2008, trabalhando na locadora Espaço Vídeo, aqui em Porto Alegre. Aliás, se tirei proveito de algo neste trabalho foi a companhia, amizade e conversa com diversas pessoas que sentem a mesma atração que eu pelo cinema. Adriano, figura muito cativante, logo me proporcionou os melhores papos e piadas sobre cinema que eu teria naquele lugar. Amizade esta que se estendeu por esses 6 anos entre contribuições solidárias (o apoio fundamental na reabertura da sala de cinema Norberto Lubisco), participações minhas no Cine Revista em algumas listas, e uma participação mais do que especial do Adriano aqui no blog (confira a excelente crítica sobre um dos filmes mais inovadores do cinema A Paixão de Joana d’Arc). 

Com mais de uma década disponibilizando ensaios, críticas, listas e informações sobre cinema no Cine Revista, Adriano chega à 10ª edição das Listas de Melhores e Piores Filmes do Ano. Um feito notável neste mundo tão inconstante da internet, em que sites e blogs desaparecem tão rápido quanto aparecem. E a história do Cine Revista pode ser comparada a de um diretor autoral, que sem grandes produtores, realiza a sua obra-prima no dia-a-dia, e na paixão de viver trabalhando com cinema.

Vida longa ao Cine Revista, e a todos que como o Adriano, mantém este fascínio pelo cinema escrito pelas loucas páginas da internet.

Abaixo, o link para a 10ª Edição das Listas, e um baita especial realizado pelo site com os melhores filmes da década passada:

10ª Edição Listas do Ano

Os Melhores Filmes da Década:

– Alexandre Mesquita – Lista

– Adriano de Oliveira – Lista

– Luiz Santiago – Lista

– João Pedro Fleck – Lista

– Adriana Androvandi – Lista

– Ricardo Rangel – Lista

– Miguel Maineri – Lista

– Ricardo Lubisco – Lista

A Paixão de Joana d’Arc

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É necessário ver – ou rever – um dos maiores filmes, não apenas do Cinema Mudo, mas da Sétima Arte como um todo: A Paixão de Joana d’Arc (1928), do dinamarquês Carl Theodor Dreyer (1889-1968). Uma oportunidade rara de se fazer isso em tela grande é conferi-lo na mostra Grandes Personagens Femininos da História do Cinema, que começou ontem (terça-feira, 5 de março) e segue até o próximo dia 10, no Cine Bancários (Rua General Câmara, 424 – Centro Histórico de Porto Alegre).

Trata-se de uma experiência interessante não apenas pela importância que esse título representa, porém inclusive pelo modo como é exibido: sem banda musical enxertada, ele se apresenta mudo tal qual foi gerado. Quando assistido coletivamente, torna-se um evento insólito: apenas a respiração e as expressões sonoras de emoção da plateia são ouvidas, pois o filme é totalmente silencioso.

E nem precisaria haver eloquência maior. Mesmo econômica no uso de intertítulos, a película fala através de cada cena pelo uso poético da linguagem do cinema, tornando a sua mensagem universal, independentemente de país, credo ou época, e exibindo indiscutível beleza.

A atuação de Maria (também chamada de Renée e aqui creditada como Melle) Falconetti como a personagem-título é simplesmente antológica e, desde sempre, um marco. Tão sublime que parece estar em transe o tempo todo.

A Paixão de Joana d’Arc se mostra um filme revolucionário em sua gramática, uma vez que faz extenso emprego de close-ups na narrativa, bem como angulações e movimentos de câmera inusitados para o seu tempo, tornando-se assim um expoente da vanguarda cinematográfica.

O longa se acha repleto de simbologias e, a cada que vez que se assiste a ele, acaba por revelar novas camadas de significado. A sequência final, que une o martírio de Joana d’Arc a uma insurreição popular duramente reprimida, é a apoteose delirante e deleitante de uma tão genuína quanto singular aula de Cinema.

* Texto publicado originalmente no site Cine Revista

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A PAIXÃO DE JOANA D’ARC (La Passion de Jeanne d’Arc, França, 1928)

Direção: Carl Theodor Dreyer.

Elenco principal: Melle Falconetti, Eugene Silvain, Antonin Artaud, Michel Simon, Maurice Schutz, André Berley, Louis Ravet.

NC: 10     NP: 10     IMDB: A Paixão de Joana d’Arc

Por: Adriano de Oliveira (Coordenador do site Cine Revista e membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, e da Associação Brasileira de Críticos de Cinema)

Convidados

Não é de hoje que o meu blog recebe convidados. Não foram muitos, mas os que participaram fizeram isso com muito carinho, o que é o mais importante de tudo. Aliás, o blog só existe por iniciativa minha juntamente com outra pessoa, o Jacson Soares (Artista Plástico, Tatuador, Desenhista, Cartunista, e claro, Cinéfilo), que há algum tempo deixou a escrita um pouco de lado.

E é uma meta minha para o Blog receber cada vez mais convidados, assim como começar a realizar textos sobre temas especiais, filmografia de diretores e etc.

E tenho o maior orgulho em dizer que o convidado mais novo do Uma Dose de Cinema, é o meu amigo e crítico de cinema, Adriano de Oliveira. O Adriano tem um site muito conceituado, o Cine Revista, no qual escreve críticas extremamente técnicas e ao mesmo tempo, muito pessoais em certos momentos. É uma ótima pessoa  que tive a felicidade de conhecer e que inaugura hoje então, uma colaboração ocasional com o Uma Dose de Cinema, e que eu espero que dure por muito tempo!

 

Cine Revista – 9ª Edição das Listas de Melhores e Piores Filmes do Ano

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Mantendo uma tradição respeitável, as listas de Melhores e Piores Filmes do Ano do site Cine Revista, comandado pelo estimadíssimo Adriano de Oliveira, chegam a sua 9ª edição.

Adriano, um queridão que tive a felicidade de conhecer quando trabalhava na Espaço Vídeo (uma das poucas coisas boas da minha experiência lá), me convidou novamente para participar das Listas. Pela 3ª vez participo, não opinando como anteriormente, mas somente citando os melhores e piores do ano. Para quem quiser conferir segue o link: Listas do Ano Cine Revista 2012.

Novamente gostaria de agradecer ao Adriano pelo convite e reafirmar que acompanho e gosto muito do Cine Revista, que é um dos mais tradicionais sites de crítica cinematográfica aqui do Rio Grande do Sul. Feito por pessoas que são verdadeiramente apaixonadas pelo cinema e levam o site como sua segunda profissão.

Adriano, você é mais do que convidado a escrever um artigo, crítica, ou qualquer texto sobre cinema aqui no meu modesto blog.

Adriano além de Coordenador do site, é membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, e integrante do Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). 

Os Melhores Filmes da Década de 2000

Já está lá no site Cine Revista, a minha lista dos melhores filmes da década. Foi com muito prazer que aceitei o convite do meu amigo, Adriano de Oliveira. Crítico de cinema e criador do site, Adriano vêm mantendo o site há 6 anos com críticas construtivas e opiniões bem elaboradas. Uma grande dica pra quem gosta de cinema.

A elaboração da lista foi complicada. Porque sempre algum filme bom vai ficar de fora. Mas a fiz com o pensamento de que esses sejam talvez os essenciais.

Link para a lista: http://www.cinerevista.com.br/artigos/ListaDecada00RLubisco.htm