Curta-metragem

#36 Temporal

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Furtado em uma entrevista para a revista Superinteressante definiu o seu primeiro filme como “uma adaptação ruim de um ótimo conto de Luís Fernando Veríssimo”, mas apesar de não conhecer o conto, vou ter que discordar. Tirando o começo robótico (característico de filmes e curtas brasileiros), o curta-metragem diverte em seus 11 minutos de exibição. Essencialmente para um primeiro trabalho no cinema, não deixa de ser bem feito.

Temporal é fantasia e loucura, e a julgar pela animação que existe no curta, e por ter uma filmagem sem comprometimentos, eu defino como um bom trabalho. Vale mais pela curiosidade em descobrir o primeiro filme de um dos grandes nomes do cinema gaúcho a partir da década de 80.

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Temporal. Brasil 1984. Dirigido por Jorge Furtado e José Pedro Goulart. Com Biratã Vieira, Isabel Ibias, Xala Felippi. Márcia Erig.

NC: 3     NP: 4    IMDB: Temporal 

Por: Ricardo Lubisco

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#35 Ilha das Flores

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Jorge Furtado já havia mostrado seu enorme talento com o curta O Dia em Que Dorival Encarou a Guarda (1986), mas foi com Ilha das Flores (1989) que o seu nome ganhou repercussão nacional e internacional. Obviamente muito mais do que isso, ele mostrou o maior problema da (des)humanidade em apenas 13 minutos.

Com uma narração firme de Paulo José, o argumento de Ilha das Flores é um texto escrito para ensinar algo a crianças, com tudo que aparece em cena sendo descrito detalhadamente. Claro que as crianças do texto de Furtado são todos os seres-humanos com polegares opositores, que em grande escala, não conseguem agir como tal. O cineasta tentou fazer com que seu documentário fosse uma aula para milhões de pessoas que tiveram acesso a este curta, e com isso talvez proporcionar um futuro melhor para seres-humanos que “não tem dinheiro, nem dono”.

Ilha das Flores é um marco não só dos curtas gaúchos, mas também de cinema no Brasil. É um filme reconhecido mundialmente pela sua importância, e premiado em diversos festivais pelo mundo, inclusive com o Urso de Prata em Berlim para Melhor Curta-Metragem.

Um vídeo que deveria até hoje ser transmitido para as escolas primárias, quem sabe assim, evitando o desperdício e a proporção esmagadora de seres-humanos miseráveis no Brasil.

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Ilha das Flores. Brasil 1989. 13 min. Direção e Argumento de Jorge Furtado. Com Paulo José, Ciça Reckziegel, Douglas Traini, Júlia Barth, Irene Schmidt.

NC: 8     NP: 8     IMDB: Ilha das Flores

Por: Ricardo Lubisco

Ninguém quer brincar comigo

Curta-metragem do Herzog de 1976. Muito bom, por sinal. Ele é bem simples e sutil. Um gurizinho que é excluído do grupo de brincadeiras dos coleguinhas. Ele fica escondido em um canto da sala observando, mas gostaria muito de brincar com eles, que não o aceitam.

Eu fico imaginando que apesar de parecer simples de ser feito, a maior dificuldade deve ser o próprio trabalho com as crianças. E quase sempre elas se superam. Não olham para a câmera, agem normalmente brincando e interagindo umas com as outras. O trabalho em off  para as deixar confortáveis em cena deve ser grande. E cuidadoso. Mas tudo isso, eu digo de uma forma geral.

O curioso desse curta é que ele mostra os dois lados da coisa. Como as ações podem ser feitas tanto para o lado bom como para o ruim, e como um pequeno gesto faz toda a diferença.

Ninguém quer brincar comigo (Mit mir will keiner spielen). ALE 1976. 14 min. Direção de Werner Herzog.

NC: 7     NP: 7     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0074907/

Por: R. Lubisco