Década de 80

Nascido Para Matar

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É impossível entrar no gênero de guerra e não se lembrar do filme de Stanley Kubrick. Realizado sete anos após o clássico O Iluminado (1980), Nascido Para Matar conta a história específica de alguns soldados americanos desde o treinamento, até o confronto na Guerra do Vietnã.

Revendo o filme, ficou muito claro o apelo visual de Kubrick no cinema. É a parte mais talentosa e que se destaca do diretor, com planos de câmera geniais e surpreendentes. A história do filme parece não ter tanta importância para ele quanto um bom ângulo de filmagem, nada mais normal que isso sendo que antes de se tornar cineasta Kubrick era fotógrafo. Mas não falo isso por achar a história do filme ruim. É interessante acompanhar a formação dos soldados, a pressão vivida durante o treinamento militar, parte mais memorável do filme inclusive, com uma atuação brilhante de R. Lee Ermey como o sargento linha dura e desumano.

Com a segunda parte do filme, completamente diferente e deslocada da primeira parte, Kubrick mostra no filme o dia-a-dia de um pelotão aguardando até o momento de entrar realmente em combate com o inimigo. Assim como na primeira parte, aonde a loucura se junta ao cotidiano, os soldados pouco a pouco começam a ter a sua personalidade alterada devido aos horrores da Guerra. O personagem principal dessa mudança, presente desde a primeira parte do filme é o soldado Joker, que leva a contradição do patriotismo consigo em um momento brilhante do filme, em que confronta a demora em ir para a “guerra de verdade”, e quando ela explode, assustado, diz não estar preparado. A contradição do soldado Joker, inclusive, é mostrada em todos os momentos da segunda parte do filme, usando um broche da paz ao mesmo tempo que em seu capacete está escrito Born to Kill (Nascido para Matar).

Como não poderia deixar de ser em um filme de Kubrick, o filme contém o máximo possível de realidade do que realmente aconteceu nessa Guerra. Os americanos o tempo inteiro com abundância de armamento, enquanto os Vietnamitas em número reduzido, se aproveitaram do desconhecimento do inimigo perante as suas terras, e se rechearam de armadilhas, o que é mostrado no filme de maneira eficiente.

A minha idéia de Nascido Para Matar antes de ontem à noite era uma, e hoje já é outra. Me parece claramente que Apocalypse Now (1979) é um filme muito mais completo, mais ousado e que retrata muito melhor a loucura que foi a Guerra do Vietnã. Está longe de ser o melhor filme de Kubrick, mas continua memorável para muitas pessoas, pela genialidade do diretor em criar momentos inesquecíveis em qualquer um de seus filmes, bem como a melhor atuação que ele poderia ter extraído de seu elenco. Aqui, vemos momentos brilhantes e inesquecíveis. O penúltimo trabalho do diretor antes de sua morte. Kubrick só voltaria a filmar em 1997, dez anos depois, com De Olhos bem Fechados.

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Nascido Para Matar (Full Metal Jacket). UK/EUA 1987. 116 min. Direção de Stanley Kubrick. Roteiro de Stanley Kubrick, Gustav Hasford (romance e roteiro), Michael Herr. Com Matthew Modine, Adam Baldwin, Vincent D’Onofrio, R. Lee Ermey, Dorian Harewood, Arliss Howard.

NC: 9     NP: 8     IMDB: Nascido Para Matar

Por: Ricardo Lubisco

O Exterminador do Futuro

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James Cameron pode ser considerado hoje como um dos maiores cineastas americano de nosso tempo. Da mesma forma que John Ford, Steven Spielberg, e outros nomes de grandes produções no cinema marcaram seu tempo. Além de ter uma mente visionária, criou duas das maiores bilheterias atuais no cinema (com Titanic e Avatar), da mesma forma que criou clássicos instantâneos como O Exterminador do Futuro.

O filme se for analisado, tem um roteiro simples, mas complicado de ser realizado devido a seus efeitos especiais para a época. Isso fica evidente, em uma cena aonde Arnold Schwarzenegger arranca o seu olho e no lugar aparece uma luz vermelha do ciborgue que ele é. Neste momento em que aparece a luz, fica claro que não é o ator, e sim um boneco mecânico idêntico a ele, que mexe de uma maneira abobada a cabeça. Esses eram os efeitos especiais da época, assim como a parte em que é mostrado os ciborgues perseguindo a personagem principal, Um diretor saber que seus efeitos são limitados, usar o máximo possível deles para a realização do filme, e imaginar que durante a filmagem pode parecer ridículo, mas que na tela vai encaixar e dar certo, é ser um diretor visionário. Tudo que James Cameron é.

O Exterminador do Futuro é um dos primeiros filmes de Cameron, praticamente o seu cartão de visitas, e não poderia ser melhor. Mesmo sendo limitado em alguns momentos, é um filme clássico dos anos 80. Fez a sua história por ter um bom roteiro e um terminator a altura da história, que é Schwarzenegger.  Se comparado com O Exterminador do Futuro 2, realizado sete anos mais tarde, parece bem inferior, pois a experiência de Cameron e os efeitos especiais são nitidamente superiores, fazendo com que a continuação seja muito mais filme que este primeiro.

O Exterminador do Futuro mantém um charme devido a época em que foi filmado. Muitos clássicos instantâneos brotaram dos anos 80, e considerando os filmes Blockbuster, este é um daqueles imbatíveis. Recomendado em todos os níveis para quem gosta de cinema, pois mesmo não sendo um grande fã de filmes do gênero, Terminator é um daqueles filmes que já fazem parte da história do cinema e da cultura popular. É dele que vem o reconhecimento ao talento de James Cameron e uma boa franquia de filmes com uma história muito interessante.

No site IMDB, ocupa a 175ª posição, dos 250 maiores filmes da história segundo voto popular.

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O Exterminador do Futuro (The Terminator). UK/EUA 1984. 107 min. Direção de James Cameron. Roteiro de James Cameron, Gale Anne Hurd, William Wisher Jr. Com Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Michael Biehn, Bill Paxton.

NC: 7    NP: 7     IMDB: O Exterminador do Futuro

Por: Ricardo Lubisco

A Difícil Arte de Amar

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Essa é uma das raras vezes em que o nome de um título no Brasil é melhor do que o original. Lançado em 1986, Heartburn (título original) é um romance auto-biográfico da escritora e roteirista americana Nora Ephron. Ela mesma escreveu o roteiro para o filme sobre amor, casamento, divórcio e filhos.

A minha visão sobre o filme não é ruim, apesar de as qualidades cinematográficas dele serem muito poucas. Mas partindo do princípio que o filme mostra exatamente a história como ela é, acredito que o diretor Mike Nichols realizou um trabalho competente.

É um filme agradável  e com uma ótima atuação da Meryl Streep, que protagoniza o filme ao lado de Jack Nicholson. Há ainda uma pontinha de Kevin Spacey, que realizou seu primeiro trabalho no cinema neste filme.

Os problemas de casamento são bem retratados e mostrados de maneira natural, representados de uma maneira simples pelos atores, com alguns momentos de destaque. Como disse Roger Ebert em sua crítica na época de lançamento do filme, a história poderia talvez não ser tão auto-biográfica e ser mais envolvente em alguns momentos, principalmente o adultério e como o personagem de Jack Nicholson lidava com isso. A visão que temos é em todo o momento da personagem de Meryl.

Sobre o título em português, ele resume todo o filme em apenas uma frase.

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A Difícil Arte de Amar (Heartburn). EUA 1986. 108 min. Direção de Mike Nichols. Roteiro de Nora Ephron. Com Meryl Streep, Jack Nicholson, Jeff Daniels, Maureen Stepleton, Milos Forman, Kevin Spacey.

NC: 5     NP: 6     IMDB: A Difícil Arte de Amar

Por: Ricardo Lubisco

#66 O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas

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Um dos primeiros filmes dirigidos por Joel Schumacher, que retrata uma época da vida de grandes amigos nos anos 80.

Como este bom título brasileiro (em inglês é St. Elmo’s Fire) entrega, o filme retrata jovens recém formados na faculdade, enfrentando o seu primeiro ano de fase “adulta”. O prestígio por trás da história está no grupo de atores recrutados  para darem vida a estes sete amigos. Emilio Estevez, Rob Lowe, Demi Moore, Judd Nelson, Ally Sheedy, todos eles conhecidos da geração oitentista. E me parece que eles tinham realmente algo especial, pois contracenando juntos, eles são o retrato de uma época, assim como vários outros atores que estamos acostumados a ver em filmes dos anos 80.

Com uma história madura, ótimos atores, baita trilha-sonora, Joel Schumacher imprimiu um bom ritmo de direção, e o filme flui naturalmente, inclusive imprimindo o humor sarcástico de um dos personagens que em vários momentos fala “Love Sucks”, e que coincidentemente ou não, lembra o estilo do Chandler, na tão querida série dos anos 90. Friends inclusive acredito ter sido muito inspirada neste filme em particular, pois as semelhanças são muitas, principalmente o fato de um grupo de amigos se encontrarem quase que diariamente em um bar.

Apesar de tudo, é um filme limitado artisticamente. Coisa que em momento algum, tira o brilho desse registro de Schumacher.

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O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire). EUA 1985. 110 min. Direção de Joel Schumacher. Roteiro de Joel Schumacher e Carl Kurlander. Com Emilio Estevez, Rob Lowe, Andrew McCarthy, Demi Moore, Judd Nelson, Ally Sheedy, Mare Winningham, Andie MacDowell.

NC: 6     NP: 7     IMDB: O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas

Por: Ricardo Lubisco

#48 Vincent

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Ao contrário do que muitas pessoas pensam, Vincent (1982) não é o primeiro trabalho de Tim Burton. Mas com certeza é  o mais importante antes do cineasta se envolver com longas-metragem.

O curta em stop motion é uma homenagem ao ator Vincent Price, extremamente reconhecido por sua atuação em diversos filmes de terror e fantásticos, que inclusive é o narrador da história. E que bela narração. A voz de Vincent Price pontua os momentos da história, um poema que parece saído de algum conto de Edgar Allan Poe (homenageado também no curta), trazendo toda a emoção que talvez fosse perdida por uma narração casual.

Esse primeiro trabalho de Tim Burton é muito importante em relação ao seu cinema, pois desde o começo da carreira do diretor podemos ver características que são determinantes em seus mais conhecidos filmes, como O Estranho Mundo de Jack (1993) e Edward Mãos de Tesoura (1990). Já está lá o bizarro, o sobrenatural, o diferente, o obscuro.

Hoje em dia, Tim Burton virou um diretor popular, conhecido pelas mais diferentes faixas etárias, e mesmo assim, manteve sempre em seus filmes a sua proposta de excentricidade, impressa em Vincent.

Seis minutos muito bem aproveitados, e por ser em stop motion, deve ter levado muito tempo para ser feito. Para quem ainda não viu, vou colocar o link dele logo abaixo do post.

Vincent. EUA 1982. 6 min. Direção e Roteiro de Tim Burton. Narração de Vincent Price.

NC: 6     NP: 7     IMDB: Vincent

Por: Ricardo Lubisco

 

#44 Conta Comigo

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Conta Comigo hoje em dia talvez seja mais conhecido pela presença de River Phoenix (astro em ascendência, falecido em 1993 precocemente por insuficiência cardíaca induzida por drogas) e pela trilha sonora que têm a música Stand By Me (nome original do filme).

Baseado em um conto de Stephen King, Conta Comigo é uma história sobre amizade e personalidade na infância/adolescência. Não li a história que originou o filme, mas tenho certeza que o diretor Rob Reiner captou a essência que precisava para tornar a história algo mais. O algo mais que digo, é um pouco além do espírito cinematográfico dos anos 80. É uma história de amizade, que talvez não como no filme, mas todos tivemos quando éramos mais novos e cheios de espírito de aventura.

O resultado final do filme é agradável e hoje em dia é um clássico contemporâneo do cinema. Em relação a técnicas de filmagem e técnicas cinematográficas, não me acrescentou nada demais. Mas este é um daqueles filmes em que a história supera essas qualidades marcantes do cinema. Um filme que nunca é tarde para se assistir, e nunca demais para ser revisto. Fica a sensacional presença em cena do jovem River Phoenix e atuações de ótimos atores do cinema dos anos 80.

É relatado pela internet que este conto é inspirado em uma experiência pessoal de Stephen King.

*Este artigo foi escrito quando eu estava levemente alterado pelo álcool, qualquer erro gramatical ou repetição de frases é puro efeito da bebida.

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Conta Comigo (Stand By Me). EUA 1986. 89 min. Direção de Rob Reiner. Roteiro de Raynold Gideon, Bruce A. Evans e Stephen King (história). Com Will Weathon, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O’Connell, Kiefer Sutherland, John Cusack.

NC: 7     NP: 6     IMDB: Conta Comigo

Por: Ricardo Lubisco

#40 Interlúdio

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Este curta-metragem do diretor gaúcho Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil, é de 1983. Mesmo ano que Gerbase fez o longa-metragem Inverno, e um ano antes de Verdes Anos. Duas obras do cinema gaúcho, que acredito até hoje não serem encontradas em DVD, mas procurando na internet é possível achá-las.

Interlúdio se passa quase todo dentro de um supermercado, e é atrativo de diversas maneiras. A narração de Júlio Conte, o argumento de Gerbase que é bem interessante, e como eu sempre gosto de ver em filmes e curtas gaúchos, as referências a Porto Alegre, como o Xis, o Zaffari, o Cine Coral, e o bairro Partenon.

Foi um dos primeiros trabalhos, tanto de Giba quanto de Gerbase. Vale a pena conferir para ver o retrato dessa então jovem geração de cineastas gaúchos, mas também porque os trabalhos de começo de carreira de Gerbase são os seus melhores trabalhos.

Interlúdio. Brasil 1983. 8 min. Direção e Roteiro de Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil. Com Júlio Conte, Marta Biavaschi, Marília Mosnann, Márcia do Canto.

NC: 4     NP: 5     IMDB: Interlúdio

Por: Ricardo Lubisco