Especial Thomas Vinterberg

Especial Thomas Vinterberg – Querida Wendy

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Querida Wendy é o trabalho mais controverso de Thomas Vinterberg até aqui. Apenas um ano após a realização de Dogma do Amor, o diretor apresentou um filme violento e que, ao mesmo tempo que não recrimina o uso de armas de fogo, também não as incentiva. A polêmica em torno do filme certamente foi muito grande por todos os eventos que já ocorreram nos Estados Unidos relacionados a jovens portando armas. A história do filme inclusive se passa lá.

Escrito pelo sempre parceiro Lars Von Trier (a esta altura, Von Trier já havia ganho muito mais notoriedade no cinema mundial do que Vinterberg), Querida Wendy têm muitos resquícios de Dogville, filme de Von Trier de 2003. Para quem já o assistiu, a alusão fica evidente na cena em que é mostrado o mapa da cidade. Apesar das semelhanças, é possível notar a mão de Vinterberg na obra. No roteiro original de Von Trier, o elenco principal de jovens estava na casa dos 20 anos para cima. Vinterberg então optou por torná-los mais jovens, na casa dos 16, o que segundo Von Trier foi uma idéia brilhante.

Fora a estranha obsessão por armas e algumas cenas em particular, a obra não chama tanta atenção. Tem uma ótima trilha-sonora embalada pela banda sessentista The Zombies, grandes atuações, encabeçadas pelo sempre bom Jamie Bell (Billy Elliot), além de uma atmosfera agradável. mas não é o tipo de filme que se têm como referência do cinema de Vinterberg.

Essa parte da carreira do cineasta Dinamarquês é interessante, pois aqui creio eu que ele não poderia ser encaixado em nenhum tipo de característica. Opostamente ao seu colega fundador de Dogma 95, que sempre gerou grandes discussões sobre sua obra. Querida Wendy é sim um filme polêmico por tratar de um assunto delicado para os americanos (porte de armas, jovens com acesso à armas, etc) mas surpreende por essa liberdade em tocar no assunto sem se penalizar ou fazer qualquer tipo de propaganda. Permanecer neutro quanto a isso e realizar um longa-metragem com cenas bem interessantes é um mérito. Mas com certeza, algo que sempre irá se esperar de Thomas Vinterberg, Mesmo que não faça obras-primas, é inegável o brilhantismo de algumas cenas de seus filmes, o que certamente o deixa em um lugar privilegiado no cinema.

Querida Wendy não é um filme imperdível. Mas quando tiver um tempo, assista. Assim como na história do longa, o filme no fundo parece apenas uma brincadeira entre amigos.

No próximo Especial Thomas Vinterberg, a volta à origem dinamarquesa com Quando um Homem Volta para Casa.

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Querida Wendy (Dear Wendy). ITA/EUA/HOL/ESP/DIN/FRA/ALE/UK 2004. 105 min. Direção de Thomas Vinterberg. Com Jamie Bell, Bill Pullman, Michael Angarano, Danso Gordon, Chris Owen, Alison Pill.

NC: 5     NP: 5     IMDB: Querida Wendy

Por: Ricardo Lubisco

Especial Thomas Vinterberg – Dogma do Amor

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Cinco anos após ter realizado o cultuado Festa de Família, o diretor Thomas Vinterberg surpreendeu muitas pessoas ao anunciar seu mais recente filme, Dogma do Amor. Um título um tanto interesseiro que a distribuidora brasileira colocou no filme, fazendo uma relação com o movimento Dogma criado por Vinterberg e Lars Von Trier, como explicado no post anterior. O título original do filme é It’s All About Love.

Dogma do Amor, antes de tudo, é um filme muito, mas muito subestimado. Eu inclusive cheguei a ler críticas dizendo que era a pior interpretação de Joaquin Phoenix e Claire Danes no cinema, um insulto à dois atores que caíram muito bem no papel que foram escolhidos. O filme tem sim muitos defeitos. É demasiado maçante em alguns momentos ficar completamente perdido na história do filme, um misto de romance, suspense e ficção científica.

Ao mesmo tempo, existem algumas coisas que devem ser esclarecidas. É uma história extremamente criativa. Se Vinterberg não soube usar seu poder de direção e finalizar o roteiro com uma história mais conclusiva e dinâmica, ele incrementou a história com elementos que para mim, foram surpreendentes. Corpos humanos mortos nas ruas e as pessoas passando por cima do corpo sem se importar, apenas seguindo com as suas vidas (isso praticamente acontece nos dias de hoje, metaforicamente ou não), as mudanças climáticas fora de época em todo o mundo, e o mais impressionante, a perda de gravidade.

As atuações de Joaquin Phoenix e Claire Danes não deixam a desejar em nenhum momento, eles praticamente complementam a história com esse romance desconcertado, esse contraste do amor, em um mundo em que o amor é algo em extinção. O personagem representado por Sean Penn, este sim, não existe propósito algum. É desconexo com o restante da história, e se Vinterberg optou por não explorá-lo (como deveria), seria melhor se o tivesse cortado do filme.

Dogma do Amor foi massacrado pela crítica na época do seu lançamento, pois se esperava muito mais do prodigioso Thomas Vinterberg. A minha impressão é que não é para tanto. Eu havia visto Dogma do Amor há uns 6 anos atrás, e a minha impressão era completamente negativa. Revendo ele hoje, o que posso afirmar é que ao mesmo tempo em que o filme apresenta uma série de problemas, ele tem momentos muito relevantes, que o colocam em um patamar mediano perante muitos filmes. Vinterberg pode ter até tremido um pouco a mão na realização deste longa, mas não deixou em momento algum a criatividade e sutileza que guiam um cineasta para o mundo cinematográfico serem perdidas.

Na sequencia do Especial Thomas Vinterberg, o desconhecido mas adorável, Querida Wendy.

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Dogma do Amor (It’s All About Love).  ITA/FRA/CAN/ESP/EUA/JAP/SUE/UK/DIN/ALE/HOL 2003. Direção de Thomas Vinterberg. Com Joaquin Phoenix, Claire Danes, Sean Penn, Douglas Henshall, Alun Armstrong, Margo Martindale, Mark Strong.

NC: 5     NP:6     IMDB: Dogma do Amor

Por: Ricardo Lubisco

Especial Thomas Vinterberg – Festa de Família

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Em 1995 na Dinamarca, há exatos 18 anos, surgia o movimento cinematográfico internacional chamado DOGMA 95. Criado pelos dinamarqueses Thomas Vinterberg e Lars Von Trier, o Dogma 95 é um movimento com 10 simples regras que de forma alguma poderiam ser infringidas na realização de um filme, tais como usar somente luz natural nas filmagens, filmar somente com a câmera na mão, e etc. Um movimento realmente revolucionário na época e do qual surgiram filmes verdadeiramente bons, pois o principal objetivo do Dogma, é a de que o diretor aproveite a sua idéia da melhor forma possível, só que sem aspectos artificiais. Uma exaltação à realidade no cinema.

Festa de Família, do diretor e criador do manifesto Thomas Vinterberg, é o primeiro filme do movimento Dogma. Ao contrário do que muita gente pensa, este não é o primeiro filme do diretor. Vinterberg realizou um longa-metragem em 1996 intitulado De Storste Helte, mas é uma raridade do cinema, não sendo encontrado em locadoras e difícilmente na internet. Eu achei um Torrent único dele, e ainda estou aguardando a sua conclusão.

Em 1998 foi realizado o primeiro filme a receber o certificado Dogma 95, Festa de Família. Um filme que desde os seus primeiros minutos imprime a violência moral que vemos até o fim da projeção. Provavelmente o filme mais conhecido do diretor, e com certeza, o mais impactante dele que assisti até o momento. Festa de Família tem em sua história toda a realidade crua que o movimento dogma sugere. Muito bem montado e realizado, o longa é uma crescente de tensão psicológica e para quem não conhece a história e nunca ouviu falar, traz muitas surpresas ao desenrolar da história. Já faz alguns anos que o assisti pela primeira vez, e hoje revendo, não tive tantas surpresas, mas é inegável que ele continua transbordando qualidade. A câmera na mão, nem um pouco frequente na época de realização do filme, em 1998, é uma virtude. Todas as cenas feitas naturalmente trazem mais do que um charme ao filme, e só acrescentam para a história.

Festa de Família elevou o status de Thomas Vinterberg de desconhecido, para Diretor de Cinema mundialmente reconhecido, merecidamente. É com maestria que o diretor filma muitos momentos do filme e constrói uma história sólida e impactante. O filme concorreu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1998, perdendo para Uma Eternidade e Um Dia, do grego Theodoros Angelopoulos, e acabou levando o Prêmio do Júri. Concorreu ao Globo de Ouro de 1999 como Melhor Filme Estrangeiro, perdendo para o nosso Central do Brasil.

Uma incursão brilhante de Thomas Vinterberg ao reconhecimento mundial, com seu filme independente e realista. Festa de Família foi muito aclamado por Festivais em todas as partes do mundo e elevou o status do diretor, que realizou nos anos seguintes alguns filmes para TV, o clipe do grupo inglês Blur, No Distance Left to Run, e voltaria novamente ao cinema em 2003, com Dogma do Amor, filme que será abordado no próximo post Especial sobre o diretor Thomas Vinterberg.

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Festa de Família (Festen). DIN 1998. 105 min. Direção de Thomas Vinterberg (não creditado, uma norma do Dogma 95). Com Ulrich Thomsen, Henning Moritzen, Thomas Bo Larsen, Paprika Steen, Trine Dyrholm.

NC: 8     NP: 8     IMDB: Festa de Família

Por: Ricardo Lubisco

Especial Thomas Vinterberg

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É com muito orgulho que anuncio hoje uma série de posts abordando todos os filmes disponíveis do Dinamarquês, Thomas Vinterberg. Vinterberg é um importante diretor cinematográfico, tendo contribuído para o cinema com filmes cultuados como Festa de Família, assim como filmes igualmente importantes, mas desconhecidos do grande público como Querida Wendy. Vinterberg foi ainda o criador do Movimento Dogma 95, ao lado do também Dinamarquês, Lars Von Trier. 

É com muita felicidade que realizo este primeiro especial aqui do blog, coisa que tenho vontade de fazer há muito tempo. Que seja o primeiro de muitos! Logo mais, um post sobre o primeiro filme desse Especial!