Jennifer Lawrence

Trapaça

american-hustle-amy-adams-christian-bale-fat-comb-over-70s-review

Antes de tudo, é preciso dizer que o diretor David O. Russel realizou um belo trabalho neste filme. Li muitas críticas após assistir ao filme, e em todas havia algo relacionando-o ao cinema de Martin Scorsese (como reverência ou cópia), o que eu acho de certa forma um exagero.

Scorsese é um diretor clássico, foi um dos pioneiros de sua geração ao fazer cinema de qualidade nos Estados Unidos, influenciado pela nouvelle vague. Um exemplo de sua qualidade de criador, é a cena final de Taxi Driver (76) com um ângulo de câmera diferenciado. David O. Russel a meu ver, faz um tipo de cinema completamente diferente do de Scorsese. Ele não se importa tanto com o roteiro do filme, dando liberdade para os seus atores improvisarem o quanto for necessário, e desta forma criar grandes personagens. Qualidade inegável de Russel, reconhecida com as indicações a Melhor Ator/Atriz em todas as categorias do Oscar neste ano, e no ano passado também.

Em Trapaça, são os atores que tornam o filme mais atrativo em todos os sentidos. É por um Christian Bale (mais uma vez com alterações de peso) espetacular em cena, por Amy Adams roubando a cena em quase todos os momentos, por um Bradley Cooper motivadasso a construir um personagem sagaz ao extremo, e por uma pequena mas elegante participação de Robert De Niro, que Trapaça merece ser visto e saboreado sem comparações com Scorsese ou qualquer outro diretor, e sim com um certo reconhecimento pela competência de Russel em dirigir um elenco tão forte como esse e conseguir extrair os melhores resultados possíveis.

Claro que nem tudo é maravilhoso e o filme, sim, é um pouco arrastado e pretensioso. Existem algumas cenas que poderiam facilmente ter sido removidas durante a edição final e deixado o filme mais dinâmico. A cena com a Jennifer Lawrence surtando dentro de casa ao som de “Live and Let Die” é completamente descartável e por instantes transformou o filme em um clipe da MTV. A atuação de Lawrence, inclusive, não surpreende em momento algum. É a pior entre todos os atores.

Fica a sensação de que David O. Russel poderia ter construído um filme emblemático e memorável, mas não é o que acontece aqui. Ainda assim, é uma obra interessante e que merece uma atenção maior do que apenas a mera comparação ao cinema de Scorsese.

american_hustle_ver6

 

Trapaça (American Hustle). EUA 2013. 138 min. Direção de David O. Russel. Roteiro de David O. Russel e Eric Warren Singer. Com Amy Adams, Christian Bale, Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Jeremy Renner, Robert De Niro.

NC: 7     NP: 7     IMDB: Trapaça

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos: 

Marcelo Hessel (Omelete) – ♠♠♠

Lucas Salgado (Adoro Cinema) – ♠♠♠♠

Matheus Pannebecker (Cinema e Argumento) – 6,0

Adriano de Oliveira (Cine Revista) – ♠♠

Michel Simões (Toca do Cinéfilo) – ♠♠½

Pablo Villaça (Cinema em Cena) – ♠♠♠♠

Chico Fireman (Filmes do Chico) – ♠♠

Rubens Ewald Filho (Rubens Ewald Filho) – ♠♠♠½

Anúncios

Jogos Vorazes

Still-from-The-Hunger-Gam-008

Jogos Vorazes apenas é um sucesso devido à burrice das pessoas, a eterna mania de se contentar com qualquer coisa moldada para agradar a gregos e troianos, e a inevitável arte do cinema, a qual diferentemente da pintura, leitura, e tantas outras artes, não precisamos de qualquer discernimento e conhecimento prévio, apenas ter um par de olhos e deixá-los parados em frente a uma tela.

Mas calma, não se espantem com o tom revoltado com o qual dei início a este texto. Jogos Vorazes está longe de ser um filme tão ruim assim, mas se sustenta apenas na atuação da ótima Jennifer Lawrence. Todo o resto que vemos na tela, é uma cópia descarada de tudo que já foi visto em Batoru rowaiaru ou Battle Royale, como é mais conhecido esse filme japonês lançado no ano 2000. Bem, não é exatamente uma cópia descarada, pois devido as proporções Hollywoodianas, foram adicionadas pitadas de romance e açúcar. Resumidamente, me parece o enredo de Battle Royale misturado com a baboseira de Crepúsculo. Um forte indicativo disto, são os fãs dos dois filmes. Exatamente iguais.

Apesar de tantos pontos negativos no filme, as atuações de Woody Harrelson, Donald Sutherland, e da Jennifer Lawrence (já citada anteriormente) são muito boas e garantem os melhores momentos do filme. A jovem atriz carrega o filme nas costas com uma atuação respeitável, demonstrando muito talento, e o motivo pelo qual faturou o Oscar desse ano com O Lado Bom da Vida.

Ainda assim, Jogos Vorazes acaba sendo um entretenimento muito barato, focado no público adolescente para fazer rios de dinheiro.

Me senti um pouco pessimista escrevendo este texto, mas acredito que qualquer apreciador de um bom cinema tenha uma opinião parecida com a minha. Como diz a letra de uma música dos Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Ou seja: não me venha com entretenimento barato, cópia de um filme japonês, e que parece o romance dos vampiros modificado. Me traga algo realmente instigante, um entretenimento leve e divertido, um filme para querer rever, uma ficção utópica. Qualquer coisa que seja original e bem feita. Qualquer idéia, sentimento, ou pensamento único. Mas, por favor, não me faça de panaca com um filme adaptado de um livro para uma faixa etária de 13 à 16 anos, disfarçado de uma ficção surpreendente.

É a triste máquina de Caça-Níqueis trabalhando incessantemente em algum lugar da Califórnia.

hunger_games_ver24

 

Jogos Vorazes (The Hunger Games). EUA 2012. 142 min. Direção de Gary Ross. Roteiro de Gary Ross, Suzanne Collins (romance), Billy Ray. Com Jennifer Lawrence, Stanley Tucci, Josh Hutcherson, Woody Harrelson, Donald Sutherland.

NC: 6     NP: 4     IMDB: Jogos Vorazes

Por: Ricardo Lubisco

O Lado Bom da Vida

THE SILVER LININGS PLAYBOOK

Por ser um filme sobre relacionamentos, O Lado Bom da Vida já me deixou uma impressão desde o começo de que eu saberia como o filme iria terminar. E aconteceu exatamente como imaginei, mas não sem realizar isso com um certo charme, uma certa classe que vemos não muitas vezes nos filmes. Fiquei pensando sobre isso, e cheguei a conclusão de que é isso que realmente importa no cinema. Você pode ter uma história horrível em mãos, mas dependendo da forma como realiza esta história em frente as câmeras, como você define o quanto de sentimento irá colocar, é o que realmente faz a obra final que separamos um tempo de nossos dias para assistir. E em todos os momentos do filme é possível sentir o comprometimento do diretor David O. Russel.

Este trabalho que era para ser realizado por Sydney Pollack e produzido por Anthony Minghella (infelizmente ambos faleceram em 2008), foi realizado por David O. Russel com algumas características essenciais para Sydney Pollack: complicado para ter emoção, problemático, engraçado e romântico.

As qualidades desse filme vão desde a permanência de uma seriedade durante o tempo inteiro, o que faz com que o seu valor não se perca em alguns momentos clichê, até a importância de cada personagem no contexto geral da história. É um filme que não te faz deixar de gostar de algum personagem por determinada característica, mas sim enxergar o lado racional de cada um. Atuações que te levam junto com a onda de acontecimentos da história, uma familiarização das situações que ocorrem. Robert De Niro em uma atuação como há tempos não se via dele, Bradley Cooper para mim como a maior surpresa do filme numa grande atuação, e Jennifer Lawrence contrariando tudo que eu havia dito até agora, não deixou de merecer em nenhum momento o Oscar de Melhor Atriz que levou para casa na noite do último dia 24 de fevereiro.

Me lembrei de alguns filmes antigos de Hollywood assistindo O Lado Bom da Vida. Foi uma das coisas que mais me chamou a atenção, e por isso escrevi que o filme mantinha uma certa classe. Ele é sincero como o personagem de Bradley Cooper e não se enrola em momento algum por não saber para onde ir, pois é certeiro em suas escolhas.

Lembra em muitos momentos Pequena Miss Sunshine, desde cenas específicas até o sucesso nas premiações por ser o filme “alternativo” perto de seus concorrentes.

O filme mostra um surto que muitos temos em determinados momentos da vida, e que vão além de um simples relacionamento. Ele é só a base para uma confrontação existencial, para rever certos aspectos da vida. Muito bem retratado.

Baseado na obra de Matthew Quick, O Lado Bom da Vida foi indicado a 8 Oscar (2013), incluindo Melhor Filme, e acabou levando somente o de Melhor Atriz para Jennifer Lawrence.

silver_linings_playbook

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook). EUA 2012. 122 min. Direção de David O. Russel. Com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver, Chris Tucker, Anupam Kher e Julia Stiles.

NC: 8     NP: 8    IMDB: O Lado Bom da Vida

Por: Ricardo Lubisco