John Lee Hancock

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

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Assisti à Walt nos Bastidores de Mary Poppins, filme que entrou em cartaz recentemente nos cinemas do país, e que recebeu uma recepção bem morna da crítica especializada por não retratar com mais realidade a conturbada relação do poderoso Walt Disney com a escritora P. L. Travers, criadora da famosa babá voadora, e que roteirizou o musical de 1964, tema deste filme.

O problema deste longa, dirigido por John Lee Hancock (Um Sonho Possível), é a passividade em contar uma história que poderia render um grande filme. O que na verdade não é uma grande surpresa quando foi a própria Disney que produziu o filme, certamente com uma ideia de celebração dos 50 anos do clássico de 1964.

Então aqui temos Tom Hanks, com uma atuação mediana encarnando Walt Disney, e mostrando alguns detalhes pessoais e interessantes do criador do Mickey Mouse, como o hábito de fumar escondido de todos. Temos Paul Giamatti, em um pequeno papel, mas que se torna um dos melhores personagens do filme devido a grandeza do ator, que nos brinda há tempos com ótimos momentos no cinema. Temos Jason Schwartzman, como um dos irmãos Sherman, responsáveis pela premiada trilha-sonora do filme original, que está de certa forma ofuscado (o famoso não fede, nem cheira) e não faz jus as ótimas atuações que estamos acostumados a ver nos filmes de Wes Anderson. A principal atuação vem de Emma Thompson, que interpreta de maneira excelente a escritora mal humorada e cheia de manias, tema principal do filme.

A história que envolve os acontecimentos da vida pessoal da escritora com a criação da personagem Mary Poppins, assim como a sua relação intransigente de trabalho durante a construção do musical de 64, erra feio ao misturar flashbacks da infância de Travers na história principal do filme, que é a relação dela com Disney, e com o trabalho de roteirizar a sua personagem para o cinema com os funcionários do estúdio. São momentos descartáveis em que o filme perde o espectador, para tentar dar sentido ao comportamento da escritora, o que torna o filme demasiado longo e cansativo. Falta uma instigação de querer fazer cinema de verdade, de se aprofundar na história e nos personagens. É um filme sobre a escritora P. L. Travers, mas falta muita personalidade de P. L. Travers para o filme ser bom.

Contudo, é uma boa opção para os cinéfilos curiosos com a criação do clássico musical, e para conferir a ótima atuação de Emma Thompson. Fora isso, parece ser um desperdício de uma boa história a ser contada, pois John Lee Hancock criou um filme padrão Disney, para a Disney.

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Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks). EUA/UK/AUS 2013. 125 min. Direção de John Lee Hancock. Roteiro de Kelly Marcel e Sue Smith. Com Emma Thompson, Tom Hanks, Colin Farrel, Paul Giamatti, Jason Schwartzman.

NC: 5     NP: 6     IMDB: Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos:

Natália Bridi (Omelete) – ♠♠♠

Francisco Russo (Adoro Cinema) – ♠♠♠

Michel Simões (Toca do Cinéfilo) – ♠♠½

Pablo Villaça (Cinema em Cena) – 

Um Sonho Possível

Eu vou fazer uma comparação tosca e qualquer um pode me crucificar depois, mas Um Sonho Possível é um filme do mesmo nível de Avatar, tirando a tecnologia revolucionária (blábláblá). Ou seja, sim, é um filme repleto de clichês, mas nem por isso ele é ruim. Da mesma forma que Avatar não é. É apenas um filme que quando começa, você sabe como vai terminar. É previsível e limitado. Mas dentro desse parâmetro, ele consegue manter um padrão. A atuação de Sandra Bullock é de alto nível, e não vejo porque ela não ganhar finalmente um Oscar, até porque as concorrentes não apresentavam também um trabalho espetacular. A única coisa que me irritava na Bullock era o sotaque. Se eu fechasse os olhos poderia imaginar o Owen Wilson pronunciando as frases (hehehe).

Não esquecendo que o filme é baseado em fatos reais. Então não dá pra inventar algo completamente mirabolante no roteiro para tornar o filme melhor, e como já disse, dentro dos padrões possíveis o filme se mantém bem até o final, sendo que mal senti  desconforto pela duração de mais de duas horas.  A história que é contada, a meu ver, é positiva. Além de mostrar a merda que sofrem as crianças com pais que não estão nem se importando com o seu futuro, é também virtuoso ao mostrar a importância que uma educação decente tem na vida de uma pessoa. A importância de se ter uma base confiável. No caso, a família.

Acho que a maioria das pessoas deve gostar, porque não é nem de longe um filme ruim.

O diretor John Lee Hancock é o roteirista de Um Mundo Perfeito e Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal. O Álamo (2004) e O Treinador (2002) estão entre seus trabalhos de direção.

Um Sonho Possível (The Blind Side). EUA 2009. 129 min. Direção de John Lee Hancock. Com Sandra Bullock, Tim Mcgraw, Quinton Aaron, Jae Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Kathy Bates.

NC: 6     NP: 6     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0878804/

Por: R. Lubisco