John Voight

Perdidos na Noite

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Eu não me lembrava de todo o surrealismo envolvente no filme mais importante da carreira do diretor John Schlesinger.  Perdidos na Noite nas minhas lembranças, era o imponente John Voight indo para a cidade grande e ficando amigo do personagem de Dustin Hoffman. Talvez todo o clima que percebi hoje assistindo a este longa de 1969, tenha passado por mim há uns 7 anos atrás, quando o vi pela primeira vez. Foi uma descoberta.

Desde o começo, o filme nos dita o ritmo que irá seguir, e nos introduz a forte personalidade e integridade do personagem de Joe Buck, junto com a belíssima canção, hoje clássica, “Everybody’s Talkin”. A partir deste momento, acontece uma viagem com passagem apenas de ida para o personagem, aonde ele nunca mais voltará a ser o mesmo.

Não há o que dizer das interpretações de Dustin Hoffman e John Voight, ambas são maravilhosas. John Voight evidencia os sentimentos do personagem com apenas um olhar. É uma excelente interpretação. Do filme também não. Eu me surpreendi revendo, notando coisas que antes haviam passado despercebidas. John Schlesinger acerta em todos os momentos, desde os mais simples até os psicodélicos. Não é a toa que venceu 3 Oscar, incluindo Melhor Filme, numa época em que ainda podia se dar um pouco de credibilidade ao prêmio. O ano de 1969 era um ano de mudanças em Hollywood, aonde filmes mais baratos e criativos estavam em destaque, diferentemente das grandiosas produções em decadência.

Perdidos na Noite não deixa de ser uma lição de vida. Ele mostra por diversos ângulos a sociedade pretensiosa e a transformação da inocência.

 

Uma bela obra do cinema norte-americano.

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Perdidos na Noite (Midnight Cowboy). EUA 1969. 113 min. Direção de John Schlesinger. Com John Voight, Dustin Hoffman, Sylvia Miles.

NC: 9     NP: 9     IMDB: Perdidos na Noite

Por: Ricardo Lubisco

#3 Amargo Pesadelo

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Uma obra recheada de lendas sobre a sua produção, Amargo Pesadelo é um clássico do cinema impossível de ser esquecido.

Para a época de realização, 1972, Amargo Pesadelo tinha uma história muito pesada. Fora isso, o diretor John Boorman não havia dinheiro o suficiente para a contratação de dublês, sendo que os atores teriam que realizar todas as suas cenas (e assim fizeram), mesmo as mais perigosas, sem qualquer tipo de ajuda. Esse é um dos motivos de Burt Reynolds ter quebrado uma costela durante as filmagens. Por conta disso, muitos atores foram cogitados para os papéis principais (Lewis e Ed) mas acabaram rejeitando justamente por não haver dublês, questões de idade, e temática. Nomes como Marlon Brando, Jack Nicholson, Lee Marvin, Donald Sutherland, Charlton Heston, entre outros.

Há também uma história que circula por aí, que o garoto da cena do “duelo de banjos” seria um autista que a produção acabou encontrando por acaso quando foi filmar uma cena, e que a cena que aparece no filme não estava no roteiro e o diretor acabou captando sem querer. Uma besteira sem tamanho. O garoto que parece um autista (ele foi maquiado justamente para este propósito) é na verdade um ator, que acabou trabalhando posteriormente com Tim Burton em Peixe Grande (2003).

Amargo Pesadelo pode ser lembrado por muitas coisas hoje em dia, suas lendas, todos os atores que não aceitaram participar do filme, seja pelas cenas perigosas ou pela temática pesada, mas o principal de tudo é que é um baita filme. Memorável por sua história, pelas excelentes atuações de John Voight, Burt Reynolds, Ned Beatty (seu primeiro filme) e Ronny Cox, pela trilha sonora exata em suas participações.

Um filme e tanto.

Amargo Pesadelo foi indicado para três Oscar em 1972. Melhor Filme, Melhor Edição e Melhor Direção.

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Amargo Pesadelo (Deliverance). EUA 1972. 110 min. Direção de John Boorman. Roteiro de James Dickey. Com Burt Reynolds, John Voight, Ned Beatty, Ronny Cox, Billy Redden.

NC: 8     NP: 7     IMDB: Amargo Pesadelo

Por: Ricardo Lubisco

O Homem que Fazia Chover

Certamente O Homem que Fazia Chover não é o mais conhecido dos filmes do grande cineasta que é Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão), mas em compensação, é uma das melhores adaptações ao cinema já feita das conhecidas obras de John Grisham (O Júri, O Dossiê Pelicano).

O filme é simples e deve ter surpreendido muitos desavisados nos créditos finais ao apresentar o nome de Coppola, que é mais conhecido por suas grandiosas obras. Particularmente, sinto um certo prazer em assistir a estes filmes “menores” de diretores consagrados. E quem esperava assistir a um filme banal, se engana redondamente. O Homem que Fazia Chover acerta em quase todos os aspectos, desde o seu roteiro muito bem escrito (Coppola de novo), aos atores escolhidos e muito bem colocados em cada papel. Matt Damon ainda em começo de carreira com uma atuação muito boa ( o filme é de 1997, mesma época de Gênio Indomável, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, escrito por Damon e Ben Aflleck), com Danny DeVito no papel do sócio atrapalhado/fracassado, além de ótimas participações de Mickey Rourke, John Voight e Claire Danes, entre outros nomes conhecidos do cinema.

Quem é fanático por filmes de tribunal, talvez se decepcione. Mesmo sendo um longa voltado para este tema, o filme peca em focar sua atenção nas partes técnicas de um julgamento e vai muito mais para o lado do drama, de redenção, etc. De maneira alguma isto é um ponto negativo, e acredito que o filme alcança o máximo que se poderia ter baseado em sua história.

O filme é limitado e deve ter sido visto por muitos, como um dos filmes mais fracos de Coppola. A minha opinião pessoal é de que é um filme bom, de bom entretenimento, e apenas isso. Vale pela história humanitária e pelas ótimas atuações.

Algumas curiosidades do filme:

– A primeira versão final do filme tinha aproximadamente 6 horas de duração.

– É a adaptação favorita de John Grisham, de todos os seus livros.

– É o último filme da atriz Teresa Wright.

– Edward Norton fez o teste para o papel principal, do advogado recém formado Rudy Baylor.

O Homem que Fazia Chover (The Rainmaker). EUA 1997. Direção de Francis Ford Coppola. Com Matt Damon, Danny DeVito, Claire Danes, John Voight, Teresa Wright, Danny Glover, Mickey Rourke, Dean Stockwell, Mary Kay Place.

NC: 6     NP: 7     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0119978/

Por: Ricardo Lubisco

amargo regresso

É com certa dificuldade que vou tentar escrever algo válido deste filme de Hal Ashby, pois tudo que tem que ser dito está ali no filme. Um ótimo exemplo de cinema, bom em todos os aspectos, retratando as marcas que a guerra deixa em cada um. Algumas visíveis, outras não. Excelentes atuações de John Voight e Jane Fonda. Para completar uma trilha sonora brilhante. Amargo Regresso recebeu oito indicações para o Oscar: Melhor Filme, Edição, Direção, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante, Roteiro Original, Melhor Atriz e Melhor Ator. Ganhou em Roteiro Original, Melhor Ator e Melhor Atriz. Jane Fonda ainda ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Globo de Ouro e John Voight além do Globo de Ouro, ganhou também em Cannes.

Amargo Regresso (Coming Home). EUA 1978. 127 min. Direção de Hal Ashby. Com John Voight, Jane Fonda, Bruce Dern, Penelope Milford, Robert Carradine.

NC: 8     NP: 8     IMDB:  http://www.imdb.com/title/tt0077362/

Por: R. Lubisco