Juan José Campanella

O Segredo dos Seus Olhos

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Este filme dispensa qualquer tipo de apresentação. O Segredo dos Seus Olhos foi um sucesso artisticamente e comercialmente sendo reverenciado na Argentina, seu país de origem, e no mundo todo, culminando com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Oscar este que não reflete a importância do longa, pois com todos os filmes que estavam disputando a premiação, este era um que poderia concorrer e ter levado o prêmio em no mínimo mais três categorias.

Juan José Campanella é sem dúvida alguma um dos melhores cineastas da nossa geração. Ele não faz filmes essencialmente de arte, como  Bergman ou  Godard fizeram, ou filmes tecnicamente perfeitos e grandiosos como Stanley Kubrick ou Sergio Leone. Diferentemente destes mestres de outras gerações, Campanella faz igualmente ótimos filmes, apenas com uma maneira diferente de realizá-los. É a partir do cotidiano, das relações pessoais, das memórias, de uma conversa em um café, de uma conversa na chuva.

É perceptível em seus filmes que o diálogo entre os personagens é quase sempre o protagonista. E é feito de uma maneira muito inteligente, sempre adicionando bom humor as falas, deixando-as dessa maneira interessantes e nem um pouco cansativas. A evolução do diretor vem desde o ótimo o mesmo amor, a mesma chuva (1999), filme com os mesmos protagonistas de O Segredo dos Seus Olhos, e que encanta pela simplicidade e competência. Simplicidade aliás, pode ser a palavra que define os filmes do diretor argentino. Neste que estamos comentando, em especial, Campanella realizou uma cena em plano-sequencia que deixou todos de boca aberta e foi a mais comentada do cinema no ano de 2010. Tanto por público como por cineastas e especializados nas questões técnicas. E o orçamento do longa foi de apenas 2 milhões de euros.

O Segredo dos Seus Olhos é um filme grandioso. Não só pela ótima cena em plano-sequencia que citei anteriormente, mas por todas as cenas muito bem construídas que podemos assistir no longa. Uma delas é a de Sandoval solucionando o mistérios dos nomes, em um bar. É um momento de êxtase interpretado da melhor forma possível. E são nestas cenas que está a grandiosidade deste filme. Não por ter uma história de mistério e deixar o espectador intrigado querendo descobrir o que aconteceu. Se fosse apenas isso, seria um filme comum com uma grande história. A diferença (e Campanella sabe muito bem disso) está no cuidado com as relações pessoais e na maneira com que o filme é conduzido até o seu desfecho final.

O mundo inteiro se rendeu ao cinema do diretor argentino a partir desta obra. Campanella com o seu cinema simplista e baseado nas relações pessoais, realizou algo muito melhor do que apenas um grandioso filme. Ele realizou algo que temos orgulho de assistir.

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O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos). ARG/ESP 2009. 129 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Eduardo Sacheri (romance e roteiro). Com Ricardo Darín, Soledad Villamil, Carla Quevedo, Pablo Rago, Javier Godino, Guillermo Francella.

NC: 9     NP: 10     IMDB: O Segredo dos Seus Olhos

Por: Ricardo Lubisco

O Filho da Noiva

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Como bem disse Marcelo Hessel em sua crítica na época de lançamento do filme para o site Omelete, O Filho da Noiva é um exemplar de cinema.

O filme do hoje consagrado Juan José Campanella, é o resultado de um excelente roteiro (misturando ficção e realidade, pois a mãe do diretor sofre de Alzheimer), a grande atuação do elenco principal, e do bom gosto e naturalidade que permanece o tempo inteiro no filme.

No período entre 1999 e 2009, o diretor argentino concluiu um ciclo de 10 anos com quatro grandes filmes, sendo O Segredo de Seus Olhos (2009), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e o filme que definitivamente fez o mundo se reverenciar ao cinema de Campanella e o apresentou para quem ainda não o conhecia.

Como a maioria dos filmes do diretor, O Filho da Noiva traz uma história sensível permeada por momentos de muito bom humor. Pequenos detalhes que fazem toda a diferença no filme e o deixam com essa naturalidade latente e permeada por momentos geniais, como o da conversa do personagem de Darín com seu melhor amigo na gravação de um filme. Um momento impagável e certamente o meu favorito. Ricardo Darín inclusive tem grande parte no sucesso do filme, pois é um excelente ator. Já havia trabalhado com o diretor em o mesmo amor, a mesma chuva, filme de 1999, e demonstrado toda a sua genialidade. Fez Nove Rainhas em 2000, e este filme em 2001.

O Filho da Noiva concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002, juntamente com o francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, sendo que os dois perderam para Terra de Ninguém, da Bósnia. Fora o Oscar, o filme recolheu prêmios mundo afora, incluindo 3 Kikitos no Festival de Gramado.

Um filme charmoso, engraçado e encantador.  Juan José Campanella pode não ser um Eistein, um Bill Gates ou um Dick Watson, mas com certeza é um grande cineasta.

Se for ver o filme, continue assistindo após os créditos.

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O Filho da Noiva (El hijo de la novia). ARG/ESP 2001. 123 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Fernando Castets. Com Ricardo Darín, Héctor Alterio, Norma Aleandro, Eduardo Blanco, Natalia Verbeke.

NC: 8     NP: 9     IMDB: O Filho da Noiva

Por: Ricardo Lubisco

#71 O mesmo amor, a mesma chuva

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Este filme é um daqueles em que redescobrimos o porquê gostamos tanto de cinema.

O mesmo amor, a mesma chuva, foi realizado por Juan José Campanella quando o diretor argentino ainda não era reconhecido pelo seu enorme talento cinematográfico, o que inevitavelmente faz este filme ser não só o primeiro grande filme realizado pelo diretor, como uma maravilhosa obra deixada para o cinema em geral.

Ricardo Darín (um desconhecido do grande público naqueles tempos) é um gigante em cena, sendo um dos responsáveis pela felicidade do longa, mais precisamente por conseguir encontrar o equilíbrio para interpretar um personagem com tantas características diferentes. Culpa do roteiro, muito bem escrito e englobando não apenas um par de protagonistas, mas vários personagens que fazem o filme soar como música.

Um filme charmoso e marcante. Não leve em consideração o título que apela para um romance cafona. Leve para o lado da poesia, do cinema, de contos, de possibilidades, de vida. O mesmo amor, a mesma chuva não é tão grandioso quanto O Segredo de Seus Olhos (2009), filme que Campanella realizou dez anos mais tarde e que com certeza absoluta, não tem o charme encontrado neste filme. Entrou para a minha lista de favoritos.

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O mesmo amor, a mesma chuva ( El mismo amor, la misma lluvia). ARG/EUA 1999. 100 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Fernando Castets. Com Ricardo Darín, Soledad Villamil, Ulises Dumont, Eduardo Blanco, Alfonso de Grazia.

NC: 8     NP: 10     IMDB: O mesmo amor, a mesma chuva

Por: Ricardo Lubisco