Martin Scorsese

#72 Cassino

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Foi preciso passar um café para pensar com mais calma neste épico (178 min!) de Martin Scorsese, que é inquestionavelmente um grande filme. Mesmo com um “porém” me incomodando severamente, Cassino têm uma combinação fatal para ser um sucesso.

Tudo começa no livro escrito por Nicholas Pileggi, de mesmo título do filme, com uma história sensacional sobre a máfia e o mundo dos cassinos em Las Vegas. Soma-se a isso, uma direção segura e criativa de Martin Scorsese, Pileggi sendo co-roteirista ao lado do diretor de Táxi Driver (1976), e uma carta de ótimos atores, entre eles Robert De Niro, Sharon Stone e Joe Pesci.

Cassino foi naturalmente concebido uma excelente produção cinematográfica. Seus personagens são marcantes, a sua história muito bem explicada, técnicas de câmera a que estamos acostumados nos filmes de Scorsese, mas apesar de todo esse sucesso, aquele “porém” que eu já relatei estar me incomodando, é bem significativo. Significativo o bastante para os 178 minutos de filmagem não serem o suficientes para ele ser deixado de lado. É inclusive uma das coisas que mais me desanimam em um filme, e a minha surpresa em encontrar um erro tão absurdo em um filme do Scorsese foi do tamanho de um abismo.

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Bem no começo do filme, mais precisamente na primeira cena, quando o carro em que está o Robert De Niro explode, é nítida a visão da película do filme sendo editada e um manequim (pois é, José), explodindo junto com o carro. Manequim este que seria o De Niro. Mas ora, aonde está o trabalho de edição que foi capaz de cometer tamanho deslize? Eu fiquei envergonhado pelo Scorsese, que deve ter visto esse erro e começar a ter a sensação de um ataque cardíaco. E todo o resto do filme, na minha visão, foi prejudicado por um erro infantil. Claro, quem sou eu para julgar um dos diretores mais reconhecidos no meio, e que eu tenho o maior respeito e aprecio a maior parte de sua filmografia. Sou um apaixonado por filmes, provavelmente como você que está lendo este texto, que acredita em uma preocupação e perfeição estética no cinema. Um cuidado que nunca faltou em diretores que eu considero mestres do cinema como Stanley Kubrick, Sérgio Leone e Federico Fellini.

O resultado final é um filme muito bom, marcante, e que apesar de um pequeno erro comprometer toda a sua grandeza, irá manter um status de “filme a ser visto” durante muito tempo.

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Cassino (Casino). EUA/FRA 1995. 178 min. Direção de Martin Scorsese. Roteiro de Martin Scorsese e Nicholas Pileggi. Com Robert De Niro, Sharon Stone, Joe Pesci, James Woods, Frank Vincent, Kevin Pollack.

NC: 8     NP: 7     IMDB: Cassino

Por: Ricardo Lubisco

A Invenção de Hugo Cabret

A Invenção de um sonho. Poderia assim se chamar o mais recente (e um dos mais importantes) filme do grande Martin Scorsese. A tecnologia 3D utilizada no longa é apenas coadjuvante perante a declaração de amor ao cinema que Scorsese faz com seu excelente roteiro. Uma aventura juvenil como pano de fundo, para discorrer sobre a real essência do filme que é a história do lendário cineasta George Méliès. E assim como seu protagonista (Méliès), num passe de mágica, a história do frânces abusa de todos os espaços e preenche o filme com ternura e imaginação. Tudo se completa com a perfeita atuação de Ben Kingsley no papel do gênio Méliès, e a deliciosa trilha sonora, uma daquelas que sempre recordaremos do filme ao ouvir alguns acordes.

Para quem tem um pouco de conhecimento mais profundo da importância do trabalho de Méliès para a configuração de um cinema fantástico e mágico, o filme de Scorsese passa a ser muito mais do que um filme, quase um registro histórico da vida e obra do cineasta francês. Imperdível para todos os tipos de público. A essência do cinema e seu deslumbre visual poetizados por Scorsese em imagens à altura de um grande cineasta.

Das 11 indicações ao Oscar deste ano, Hugo levou 5. Fotografia, Direção de Arte, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais.

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo) – EUA 2011 – 126. Direção de Martin Scorsese. Com: Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Asa Butterfield, Chloe Grace Moretz, Christopher Lee e Helen McCrory.

NC: 8     NP:     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0970179/

Por: R. Lubisco

Ilha do Medo

Que o Scorsese é um bom diretor, isso é inquestionável. E dizer que ele ficou devendo algo a mais no seu novo filme, também é. Porque sempre vai se esperar mais dele. É óbvio que é uma obra de qualidade. Qualquer coisa que o cara fizer para o cinema vai ser de alto nível. Mas isso não significa que Ilha do Medo seja algo relevante em sua carreira. Se for pra fazer comparações com filmes anteriores dele, então a situação fica feia. Mas, de qualquer forma, sempre vai ser bom ver qualquer coisa do cara.

Bom elenco, bom suspense, bons efeitos, algumas partes chatinhas, sim, mas nada que tire o prazer de ir ao cinema ver o novo filme de um grande diretor, que tem crédito suficiente para fazer o que quiser daqui pra frente. Em certas partes do filme eu fiquei impressionado com o clima de tensão que o Scorsese foi capaz de criar. E ele já havia mostrado isso em Cabo do Medo.

Enfim, eu seria uma pessoa mais estúpida se falasse mal do filme. Até porque eu gosto de filmes, qualquer tipo de filme (antigamente não era assim), então procuro falar o mínimo possível negativamente. Claro que tem algumas exceções, mas na maioria dos casos é no mínimo um bom passatempo. E Ilha do Medo eu posso garantir que é muito mais do que passatempo, é puro suspense. E quem não gosta de um bom filme de suspense?

O grande mérito dele está na direção, nas atuações, nas reviravoltas da trama, – que podem dizer que é previsível, mas eu me enrolei muitas vezes – e no cenário sombrio e confuso que é Ilha do Medo. Em manter o clima de tensão durante 138 minutos, com uma primorosa trilha sonora. E isso, poucos conseguem fazer.

Bom, Scorsese, bom!

Ilha do Medo (Shutter Island). EUA 2010. 138 min. Direção de Martin Scorsese. Com Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Patricia Clarkson, Emily Mortimer.

NC: 8     NP: 7     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1130884/

Por: R. Lubisco