Oscar

#50 A Vida é Bela

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A Vida é Bela é um filme italiano, vencedor de mais de 55 prêmios ao redor do mundo, incluindo 3 Oscar (Melhor Filme Estrangeiro, Ator, Trilha-Sonora) em 1999 e também o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 1998. Prêmios muito mais do que merecidos, para o grande filme que Roberto Benigni deixou para nós.

É provável que muitas pessoas lembrem-se do filme apenas por ser “aquele italiano que ganhou do Central do Brasil” no Oscar. Mas ele é muito mais do que isso. É daqueles filmes que nunca cansamos de assistir, que têm realmente algo para passar para o seu público, e o “pano de fundo” da história realmente aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial.

Roberto Benigni é um dos meus cineastas preferidos, tanto em direção como atuação. Adoro seus trabalhos em Down By Law (1986), Uma Noite Sobre a Terra (1991) e O Monstro (1994). É um artista fantástico e completo, sendo capaz de entreter o público da mesma maneira e proporção com que emociona (caso de A Vida é Bela). E a história que ele criou ao lado de Vincenzo Cerami (parceiro de Benigni há décadas) é fantástica e atemporal. É preciso muita criatividade e competência para criar uma fábula envolvendo algo tão sério e triste como o Holocausto, e realizar isso perfeitamente.

Esse filme trouxe um reconhecimento merecido ao trabalho de Roberto Benigni, além de mostrar um passado vergonhoso da história da humanidade. Ver algo tão belo ser realizado em cima disso, é impagável. Palmas para esse cineasta gigante que temos o prazer de poder assistir.

 

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A Vida é Bela. (La Vitta è Bella). ITA 1997. Direção: Roberto Benigni e Rod Dean. Roteiro de Roberto Benigni e Vincenzo Cerami. Com Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Giorgio Cantarini, Marisa Paredes.

NC: 9     NP: 10     IMDB: A Vida é Bela

Por: Ricardo Lubisco

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The Master

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É difícil colocar em palavras a grandiosidade da atuação de Joaquin Phoenix, no novo filme de Paul Thomas Anderson, The Master. Ele não somente atua, mas constrói todas as características perturbadoras do personagem somente com a sua expressão facial. É magnífico. Sendo um dos concorrentes ao Oscar de Melhor Ator deste ano, que inclusive acontece no próximo domingo (24), é o meu favorito para ganhar o prêmio. Em comparação com a atuação de Denzel Washington (outro concorrente ao Oscar de Melhor Ator por O Voo), Phoenix faz o eterno Hurricane parecer aspirante a ator. Para fazer uma comparação mais justa, em determinados momentos do filme Joaquin Phoenix me lembrou muito de Klaus Kinski. A forma de atuar e construir as facetas de seus personagens com olhares, gestos, expressões. Coisa que a grande parte dos atores conhecidos do cinema mundial hoje em dia não consegue fazer; Fugir de si mesmos, incorporar um pensamento e estilo de interpretação. Joaquin é grandioso.

Quanto ao filme, confesso que esperava um pouco mais de intensidade. Talvez ele tenha suficiente, mas eu particularmente esperava mais. Sempre se espera mais de Paul Thomas. O filme tem um ar épico deste a sua introdução. É indiscutível sua beleza artística. Senti falta de indicações ao Oscar nas categorias Fotografia e Melhor Trilha Sonora. Duas coisas que são constantes e muito bem executadas o tempo inteiro. The Master é o primeiro filme em 16 anos a ser filmado inteiramente no formato de 65mm. O último havia sido Hamlet (1996).

É um filme de uma mente incansável e talentosa. Fico com a sensação de que ele poderia ter sido mais.Ter passado a barreira de grandioso para inesquecível. Podia ser melhor, mas não acho que Paul Thomas tenha se perdido em algum momento durante sua obra, é mais fácil que eu não tenha experiência o suficiente para compreender hoje em dia. São poucos filmes como esse que temos o prazer de ver serem feitos. O prazer de separar um tempo para assistir. E com certeza estar aberto a sutilidades que acontecem durante o filme, como a bela cena da motocicleta no deserto.

The Master concorre em 3 categorias ao Oscar: Melhor Ator (Phoenix), Melhor Ator Coadjuvante (Hoffman) e Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams). Minha torcida está toda com o Joaquin Phoenix.

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O Mestre (The Master). EUA 2012. 144 min. Direção de Paul Thomas Anderson. Com Joaquin Phoenix, Phillip Seymour Hoffman, Amy Adams e Laura Dern.

NC: 9     NP: 9     IMDB: O Mestre

Por: Ricardo Lubisco

Jerry Maguire – A Grande Virada

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Cameron Crowe conseguiu manter uma média de bons filmes durante todos esses anos, desde a sua ótima estréia em 1992 com Singles – Vida de Solteiro. Alguns excelentes, outros apenas bons. Jerry Maguire fica entre o bom e o excelente. Tem coisas que não são tão grandiosas, mas ao mesmo tempo tem momentos inesquecíveis, fazendo com que o filme seja um dos mais queridos da carreira do diretor e um dos mais lembrados.

A sensacional interpretação de Cuba Gooding Jr (a melhor de sua carreira) lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, em 1997. É certamente um personagem inesquecível, assim como a sua fala mais poderosa e uma das cenas mais engraçadas do filme: – “Show Me The Money!!!!!”. Fala essa que virou uma das frases mais conhecidas da história do cinema.

Muitas pessoas me falaram que acharam um dos melhores filmes do Tom Cruise, mas eu não sei se concordo. Achei ele muito bom no filme, mas os filmes de começo de carreira tem o seu valor. Além é claro de outro filme de Cameron Crowe com ele, que eu gosto muito, chamado Vanilla Sky (uma refilmagem do espanhol Abre los Ojos, que por incrível que pareça, nas mãos de Crowe ficou melhor que o original).

Jerry Maguire ainda é virtuoso em sua trilha-sonora (uma das melhores características dos filmes do diretor) trazendo músicas de Paul McCartney, Neil Young, Bruce Springsteen, The Who, Bob Dylan e outros. Mas não se deixe enganar, o melhor do filme está em sua história.

Resumindo, é um filmão que tem muitas características positivas para engrandecer ainda mais a charmosa história do filme. Apela em certas cenas para um draminha que não precisava, mas parando pra pensar, elas não fazem muita diferença no resultado final.

Jerry Maguire é um filme que deve ser assistido.

O filme foi indicado a 5 Oscar em 1997, vencendo apenas na categoria Melhor Ator Coadjuvante. As outras categorias eram Melhor Ator (Tom Cruise), Melhor Edição (Joe Hutshing), Melhor Filme e Melhor Roteiro Original (Cameron Crowe). Tom Cruise ainda ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia/Musical.

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Jerry Maguire – A Grande Virada (Jerry Maguire). EUA 1996. 139 min. De Cameron Crowe. Com Tom Cruise, Renée Zellweger, Cuba Gooding Jr, Kelly Preston, Jay Mohr, Bonnie Hunt, Regina King e Jonathan Lipnicki.

NC: 7    NP: 8     IMDB: Jerry Maguire

Por: Ricardo Lubisco