Paul Giamatti

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

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Assisti à Walt nos Bastidores de Mary Poppins, filme que entrou em cartaz recentemente nos cinemas do país, e que recebeu uma recepção bem morna da crítica especializada por não retratar com mais realidade a conturbada relação do poderoso Walt Disney com a escritora P. L. Travers, criadora da famosa babá voadora, e que roteirizou o musical de 1964, tema deste filme.

O problema deste longa, dirigido por John Lee Hancock (Um Sonho Possível), é a passividade em contar uma história que poderia render um grande filme. O que na verdade não é uma grande surpresa quando foi a própria Disney que produziu o filme, certamente com uma ideia de celebração dos 50 anos do clássico de 1964.

Então aqui temos Tom Hanks, com uma atuação mediana encarnando Walt Disney, e mostrando alguns detalhes pessoais e interessantes do criador do Mickey Mouse, como o hábito de fumar escondido de todos. Temos Paul Giamatti, em um pequeno papel, mas que se torna um dos melhores personagens do filme devido a grandeza do ator, que nos brinda há tempos com ótimos momentos no cinema. Temos Jason Schwartzman, como um dos irmãos Sherman, responsáveis pela premiada trilha-sonora do filme original, que está de certa forma ofuscado (o famoso não fede, nem cheira) e não faz jus as ótimas atuações que estamos acostumados a ver nos filmes de Wes Anderson. A principal atuação vem de Emma Thompson, que interpreta de maneira excelente a escritora mal humorada e cheia de manias, tema principal do filme.

A história que envolve os acontecimentos da vida pessoal da escritora com a criação da personagem Mary Poppins, assim como a sua relação intransigente de trabalho durante a construção do musical de 64, erra feio ao misturar flashbacks da infância de Travers na história principal do filme, que é a relação dela com Disney, e com o trabalho de roteirizar a sua personagem para o cinema com os funcionários do estúdio. São momentos descartáveis em que o filme perde o espectador, para tentar dar sentido ao comportamento da escritora, o que torna o filme demasiado longo e cansativo. Falta uma instigação de querer fazer cinema de verdade, de se aprofundar na história e nos personagens. É um filme sobre a escritora P. L. Travers, mas falta muita personalidade de P. L. Travers para o filme ser bom.

Contudo, é uma boa opção para os cinéfilos curiosos com a criação do clássico musical, e para conferir a ótima atuação de Emma Thompson. Fora isso, parece ser um desperdício de uma boa história a ser contada, pois John Lee Hancock criou um filme padrão Disney, para a Disney.

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Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks). EUA/UK/AUS 2013. 125 min. Direção de John Lee Hancock. Roteiro de Kelly Marcel e Sue Smith. Com Emma Thompson, Tom Hanks, Colin Farrel, Paul Giamatti, Jason Schwartzman.

NC: 5     NP: 6     IMDB: Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos:

Natália Bridi (Omelete) – ♠♠♠

Francisco Russo (Adoro Cinema) – ♠♠♠

Michel Simões (Toca do Cinéfilo) – ♠♠½

Pablo Villaça (Cinema em Cena) – 

12 Anos de Escravidão

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Foi com o intuito de assistir aos principais filmes indicados ao Oscar, premiação norte americana que acontece neste domingo, que separei um tempo para prestigiar 12 Anos de Escravidão. O curioso é que no começo do filme eu fui rapidamente enganado (não costumo ler sinopses e nem críticas antes de assistir algo) imaginando que estava prestes a assistir um dramalhão construído basicamente para colecionar as famosas estatuetas douradas, devido a trilha-sonora (o excelente tema do filme composto por Hans Zimmer) emocional executada logo no princípio da história. Mas bastaram apenas alguns minutos para eu ver que estava prestes a assistir uma obra visualmente impressionante e extremamente bem realizada.

Escravidão é um tema muito delicado de se tocar em qualquer discussão e mostrar imagens reproduzindo aqueles tempos é mais delicado ainda de se assistir. No meu caso, fiquei imaginando se eu estivesse passando por aquela experiência não teria a paciência e força necessária para aguentar o que estas pessoas passaram, incluindo Solomon Northup, personagem principal deste filme que é baseado em sua história de vida, escrita por ele em 1853.

Surpreendente foi a brilhante condução que Steve McQueen (Shame), diretor relativamente novo, manteve durante a construção do filme e nas interpretações que conseguiu extrair de seu elenco. A fotografia do filme tem momentos sublimes, enquanto a trilha-sonora de Hans Zimmer não nos deixa esquecer, mesmo em uma belíssima cena em que árvores cortam um céu azul em um fim de tarde, os tensos dias de escravidão que estão sendo representados. É assim o tempo inteiro. Uma realidade crua que insiste em permanecer ativa e pulsante em todos os momentos, tal qual  aquelas pessoas sofreram, mas deixando de pender para um drama excessivo, fácil armadilha em filmes de biografia. A atuação de Chiwetel Ejiofor (que recentemente ganhou o Bafta de Melhor Ator por sua intensa interpretação neste filme) é ótima e ponderada. Ele demonstra muito bem a raiva que o personagem guarda por toda a injustiça que vive, e a desconta nos devidos momentos, em explosões de temperamento muito bem registradas. O elenco conta ainda com a ótima Lupita Nyong’o, Michael Fassbender (que participou de todos os três longa-metragens do diretor), Paul Dano, Brad Pitt, Paul Giamatti e Benedict Cumberbatch.

Minha consideração final é a de que 12 Anos de Escravidão é um filme que surpreende por sua profunda imersão no tema e nas dores da escravidão, mantendo seu ar épico do começo ao fim, tornando-o um filme equilibrado e muito bem realizado. Dos que assisti até agora, é um dos meus favoritos para vencer o Oscar.

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12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave). EUA/UK 2013. 134 min. Direção de Steve McQueen. Roteiro de Solomon Northup (autobiografia) e John Ridley. Com Chiwetel Ejiofor, Lupita Nyong’o, Michael Fassbender, Paul Dano, Brad Pitt, Paul Giamatti, Benedict Cumberbatch.

NC: 9     NP: 8     IMDB: 12 Anos de Escravidão

Por: Ricardo Lubisco

Cotação dos Críticos:

Pablo Villaça (Cinema em Cena♠♠♠♠♠

Érico Borgo (Omelete♠♠♠♠♠

Lucas Salgado (Adoro Cinema♠♠♠♠½

Michel Simões (Toca do Cinéfilo♠♠♠♠

#23 Mandando Bala

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O filme do diretor Michael Davis é caricato e absurdo. Ele é puro entretenimento, e não se assuste com o enredo enlouquecido, fora de sentido, impossível e todos os substantivos possíveis. É de propósito e funciona, mas não passa de uma alegoria.

Partindo da atuação de Clive Owen e Paul Giamatti, é fácil notar uma homenagem aos filmes de ação. Porém, isso não basta para transformar um roteiro sem sentido e cheio de cenouras em algo produtivo, e Mandando Bala cria em torno de si um status de filme ruim mas divertido. E isso ao meu ponto de vista é algo negativo.

De um modo geral, se possível não assista. Ele é tão bom quando Todo Mundo em Pânico e filmes desse gênero.

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Mandando Bala (Shoot ‘Em Up). Direção e Roteiro de Michael Davis. Com Clive Owen, Paul Giamatti, Monica Bellucci, Stephen McHattie.

NC: 4     NP: 4     IMDB: Mandando Bala

Por: Ricardo Lubisco

O Mundo de Andy

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Um filme especial, com certeza. Todas as vezes que assisto O Mundo de Andy, tenho uma sensação enorme de felicidade e criatividade. Acho que tudo se encaixou muito bem aqui. Direção, atuações, história, trilha-sonora. O modo como foi levado a sério o projeto, muito mais do que um simples projeto, a vida de Andy. Tenho certeza que todos que já assistiram o filme se sentiram um pouco mais próximos de toda a genialidade que circundava esse homem. A sua maneira diferenciada de ver as coisas e não ter receio algum de arriscar tudo.

Milos Forman com uma direção precisa, Jim Carrey fazendo o que de melhor sabe (imitações, representações) e acho que ele caiu como uma luva para o papel, o sempre excelente Paul Giamatti, e o também sempre bom Danny DeVito.

Há tempos queria deixar esse filme registrado aqui no blog. É um filme do qual sinto orgulho em ter assistido, e se você ainda não viu, saiba que uma grande obra o aguarda.

Um ponto negativo, mas que foi usado no filme para pontuar a dramatização acredito, foi a apresentação de Andy no Carnegie Hall. Ela aconteceu 4 anos antes da data apresentada no filme. Quem assistiu o filme, sabe a enorme diferença que essa informação traz.

Que venham sempre bons filmes como esse, grandes mentes como a de Andy, grandes músicas como as do R.E.M ( Man On The Moon e The Great Beyond são trilhas do filme) para fazer a diferença em momentos da nossa vida.

Vencedor de 1 Globo de Ouro na categoria Melhor Ator Comédia/Musical para Jim Carrey em 2000 e 1 Urso de Prata em Berlim, para a direção de Milos Forman.

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O Mundo de Andy (Man On The Moon). UK/ALE/JAP/EUA 1999. 118 min. Direção de Milos Forman. Com Jim Carrey, Danny DeVito, Paul Giamatti e Courtney Love.

NC: 9     NP: 10     IMDB: O Mundo de Andy

Por: Ricardo Lubisco