Philip Seymour Hoffman

Até breve…

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Doses amargas de tristeza pelas mortes de Eduardo Coutinho e Philip Seymour Hoffman é o que sinto em relação ao cinema neste momento. Poucas pessoas imaginariam um domingo tão triste para os amantes do cinema como este que o destino acabou construindo. A violência com que foi assassinado o cineasta brasileiro e a perplexidade pela overdose de um ator que tinha um gigantesco talento.

Não digo um adeus, apenas um até breve, pois é neste distinto universo cinematográfico que posso ter o prazer de ver e rever as obras que estes dois grandes nomes construíram. Por enquanto, apenas o luto.

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#65 Synecdoche, New York

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O único filme de direção do excêntrico Charlie Kaufman até então, é uma utopia filmada. Fazendo o que sabe fazer desde a sua estréia em longa-metragens com o brilhante Quero Ser John Malkovich (1999), Kaufman exercita a sua mente criativa na construção e descontrução de uma história em todos os sentidos.

Synecdoche tem um milhão de referências intelectuais, e um roteiro que a meu ver, é montado para depois ser desmontado ao longo do filme, e entre os personagens soltos por entre as cenas, são reconstruídas várias histórias paralelas, sem começo, meio e fim. A forma de narrativa utilizada é aqui é extremamente original e nada convencional, sendo um filme de uma compreensão difícil, e nem um pouco agradável ao público em geral, que com certeza deve ter achado o filme terrível.

O brilhantismo de Synecdoche é puramente a criatividade de Kaufman. E para suportar todas estas idéias e devaneios, ele escalou um dos melhores atores contemporâneos, Philip Seymour Hoffman. Essa junção de talentos transforma o filme, em algo grandioso. Hoffman absorve o personagem para dentro de si, e faz uma interpretação magistral.

A história do filme reflete um pouco a realidade, com uma história fictícia, tão confusa quanto o filme em si. Mas é nessa confusão, que Kaufman deixou uma portinhola aberta para espiarmos um pouco do seu gênio criativo, borbulhando histórias e possibilidades.

Uma poesia conturbada, sobre vida e morte, tempo, relações, família.

Um filme difícil, mas que acaba sendo uma experiência única e enriquecedoramente criativa.

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Synecdoche, New York. EUA 2008. 124 min. Direção e Roteiro de Charlie Kaufman. Com Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Tom Noonan, Michelle Williams, Jennifer Jason Leigh, Emily Watson.

NC: 8     NP: 9     IMDB: Synecdoche, New York

Por: Ricardo Lubisco

#29 O Primeiro Mentiroso

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Acredito que a melhor qualidade de O Primeiro Mentiroso é ter sido escrito, dirigido e protagonizado por Ricky Gervais.

Este longa, que é o primeiro de Ricky em todos os sentidos (ele só havia feito trabalhos para a televisão) não passa de mediano, mas tem um certo crédito pela história que é interessante, e pela ironia que é usada de forma brilhante algumas vezes. Todas as cenas envolvendo a igreja e Deus estão incluídas nessa ironia. Além disso, as participações de Philip Seymour Hoffman e Jonah Hill como coadjuvantes engrandecem um pouco o elenco, dando mais credibilidade ao filme.

Fora isso, o que eu vi foi um filme regular que por vezes foge um pouco de sua proposta, a de que as pessoas vivem em um mundo onde ninguém sabe o que é a mentira e todos falam a verdade. Foge, porque as pessoas falam o que pensam compulsivamente, ao invés de apenas não mentirem. É um mundo onde além de não mentir, você é obrigado a dizer o que pensa seja bom ou ruim, o que eu achei forçar um pouco a história.

O Primeiro Mentiroso parece uma comédia bobinha, mas por trás das verdades cuspidas a qualquer custo e do romance que sempre acompanha essas comédias, tem uma crítica bem forte sobre o que acreditamos e cremos no mundo em que vivemos.

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O Primeiro Mentirosa (The Invention of Lying). EUA 2009. Direção de Ricky Gervais e Matthew Robinson. Roteiro de Ricky Gervais e Matthew Robinson. Com Ricky Gervais, Jennifer Garner, Jonah Hill, Louis C.K., Rob Lowe, Philip Seymour Hoffman.

NC: 5     NP: 6    IMDB: O Primeiro Mentiroso

Por: Ricardo Lubisco

#25 Ninguém é Perfeito

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Ninguém é Perfeito é um filme desconhecido do grande público, mas quem viu ou ouviu alguma menção sobre, sabe que é aquele do Robert De Niro com o Philip Seymour Hoffman. Ou seja, ficou conhecido por ser um baita filme com bons atores, mas, desconhecido.

O filme é do diretor Joel Schumacher, um conhecido diretor que já realizou longas como O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (1985), Os Garotos Perdidos (1987), Um Dia de Fúria (1993) e muitos outros. Joel carrega muito bem esse filme que é também roteirizado por ele. Muito bem realizado e com interpretações sensacionais de ambos atores citados antes. Destaco muito a atuação de Philip Seymour, que na época do filme já havia realizado ótimos longas como Felicidade (1998) e Boogie Nights (1997), conseguindo uma atuação superior em todos os sentidos, digno de indicação ao Oscar.

Joel conduz com sutileza a história, sendo áspero quando preciso, e agradável à sua maneira. Aborda um tema muito interessante, como a conveniência das situações para aceitarmos coisas que em uma realidade normal desprezaríamos. Um personagem conservador como o de Robert De Niro, lidando com o travestismo de seu vizinho que o ajuda a superar um derrame. Um tema que aborda muita discussão, e que Joel mostrou de uma forma muito boa como as pessoas conseguem ser ignorantes com seu conservadorismo, deixando de conhecer pessoas maravilhosas.

Outro ponto positivo do filme é a maneira de filmagem. Joel utilizou um estilo muito interessante, que me lembra muito os melhores filmes independentes dos anos 90.

 

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Ninguém é Perfeito (Flawless). EUA 1999. 112 min. Direção e Roteiro de Joel Schumacher. Com Robert De Niro, Philip Seymour Hoffman, Barry Miller, Chris Bauer.

NC: 7     NP: 8     IMDB: Ninguém é Perfeito

Por: Ricardo Lubisco

The Master

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É difícil colocar em palavras a grandiosidade da atuação de Joaquin Phoenix, no novo filme de Paul Thomas Anderson, The Master. Ele não somente atua, mas constrói todas as características perturbadoras do personagem somente com a sua expressão facial. É magnífico. Sendo um dos concorrentes ao Oscar de Melhor Ator deste ano, que inclusive acontece no próximo domingo (24), é o meu favorito para ganhar o prêmio. Em comparação com a atuação de Denzel Washington (outro concorrente ao Oscar de Melhor Ator por O Voo), Phoenix faz o eterno Hurricane parecer aspirante a ator. Para fazer uma comparação mais justa, em determinados momentos do filme Joaquin Phoenix me lembrou muito de Klaus Kinski. A forma de atuar e construir as facetas de seus personagens com olhares, gestos, expressões. Coisa que a grande parte dos atores conhecidos do cinema mundial hoje em dia não consegue fazer; Fugir de si mesmos, incorporar um pensamento e estilo de interpretação. Joaquin é grandioso.

Quanto ao filme, confesso que esperava um pouco mais de intensidade. Talvez ele tenha suficiente, mas eu particularmente esperava mais. Sempre se espera mais de Paul Thomas. O filme tem um ar épico deste a sua introdução. É indiscutível sua beleza artística. Senti falta de indicações ao Oscar nas categorias Fotografia e Melhor Trilha Sonora. Duas coisas que são constantes e muito bem executadas o tempo inteiro. The Master é o primeiro filme em 16 anos a ser filmado inteiramente no formato de 65mm. O último havia sido Hamlet (1996).

É um filme de uma mente incansável e talentosa. Fico com a sensação de que ele poderia ter sido mais.Ter passado a barreira de grandioso para inesquecível. Podia ser melhor, mas não acho que Paul Thomas tenha se perdido em algum momento durante sua obra, é mais fácil que eu não tenha experiência o suficiente para compreender hoje em dia. São poucos filmes como esse que temos o prazer de ver serem feitos. O prazer de separar um tempo para assistir. E com certeza estar aberto a sutilidades que acontecem durante o filme, como a bela cena da motocicleta no deserto.

The Master concorre em 3 categorias ao Oscar: Melhor Ator (Phoenix), Melhor Ator Coadjuvante (Hoffman) e Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams). Minha torcida está toda com o Joaquin Phoenix.

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O Mestre (The Master). EUA 2012. 144 min. Direção de Paul Thomas Anderson. Com Joaquin Phoenix, Phillip Seymour Hoffman, Amy Adams e Laura Dern.

NC: 9     NP: 9     IMDB: O Mestre

Por: Ricardo Lubisco