Ricardo Darín

O Segredo dos Seus Olhos

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Este filme dispensa qualquer tipo de apresentação. O Segredo dos Seus Olhos foi um sucesso artisticamente e comercialmente sendo reverenciado na Argentina, seu país de origem, e no mundo todo, culminando com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Oscar este que não reflete a importância do longa, pois com todos os filmes que estavam disputando a premiação, este era um que poderia concorrer e ter levado o prêmio em no mínimo mais três categorias.

Juan José Campanella é sem dúvida alguma um dos melhores cineastas da nossa geração. Ele não faz filmes essencialmente de arte, como  Bergman ou  Godard fizeram, ou filmes tecnicamente perfeitos e grandiosos como Stanley Kubrick ou Sergio Leone. Diferentemente destes mestres de outras gerações, Campanella faz igualmente ótimos filmes, apenas com uma maneira diferente de realizá-los. É a partir do cotidiano, das relações pessoais, das memórias, de uma conversa em um café, de uma conversa na chuva.

É perceptível em seus filmes que o diálogo entre os personagens é quase sempre o protagonista. E é feito de uma maneira muito inteligente, sempre adicionando bom humor as falas, deixando-as dessa maneira interessantes e nem um pouco cansativas. A evolução do diretor vem desde o ótimo o mesmo amor, a mesma chuva (1999), filme com os mesmos protagonistas de O Segredo dos Seus Olhos, e que encanta pela simplicidade e competência. Simplicidade aliás, pode ser a palavra que define os filmes do diretor argentino. Neste que estamos comentando, em especial, Campanella realizou uma cena em plano-sequencia que deixou todos de boca aberta e foi a mais comentada do cinema no ano de 2010. Tanto por público como por cineastas e especializados nas questões técnicas. E o orçamento do longa foi de apenas 2 milhões de euros.

O Segredo dos Seus Olhos é um filme grandioso. Não só pela ótima cena em plano-sequencia que citei anteriormente, mas por todas as cenas muito bem construídas que podemos assistir no longa. Uma delas é a de Sandoval solucionando o mistérios dos nomes, em um bar. É um momento de êxtase interpretado da melhor forma possível. E são nestas cenas que está a grandiosidade deste filme. Não por ter uma história de mistério e deixar o espectador intrigado querendo descobrir o que aconteceu. Se fosse apenas isso, seria um filme comum com uma grande história. A diferença (e Campanella sabe muito bem disso) está no cuidado com as relações pessoais e na maneira com que o filme é conduzido até o seu desfecho final.

O mundo inteiro se rendeu ao cinema do diretor argentino a partir desta obra. Campanella com o seu cinema simplista e baseado nas relações pessoais, realizou algo muito melhor do que apenas um grandioso filme. Ele realizou algo que temos orgulho de assistir.

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O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos). ARG/ESP 2009. 129 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Eduardo Sacheri (romance e roteiro). Com Ricardo Darín, Soledad Villamil, Carla Quevedo, Pablo Rago, Javier Godino, Guillermo Francella.

NC: 9     NP: 10     IMDB: O Segredo dos Seus Olhos

Por: Ricardo Lubisco

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O Filho da Noiva

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Como bem disse Marcelo Hessel em sua crítica na época de lançamento do filme para o site Omelete, O Filho da Noiva é um exemplar de cinema.

O filme do hoje consagrado Juan José Campanella, é o resultado de um excelente roteiro (misturando ficção e realidade, pois a mãe do diretor sofre de Alzheimer), a grande atuação do elenco principal, e do bom gosto e naturalidade que permanece o tempo inteiro no filme.

No período entre 1999 e 2009, o diretor argentino concluiu um ciclo de 10 anos com quatro grandes filmes, sendo O Segredo de Seus Olhos (2009), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e o filme que definitivamente fez o mundo se reverenciar ao cinema de Campanella e o apresentou para quem ainda não o conhecia.

Como a maioria dos filmes do diretor, O Filho da Noiva traz uma história sensível permeada por momentos de muito bom humor. Pequenos detalhes que fazem toda a diferença no filme e o deixam com essa naturalidade latente e permeada por momentos geniais, como o da conversa do personagem de Darín com seu melhor amigo na gravação de um filme. Um momento impagável e certamente o meu favorito. Ricardo Darín inclusive tem grande parte no sucesso do filme, pois é um excelente ator. Já havia trabalhado com o diretor em o mesmo amor, a mesma chuva, filme de 1999, e demonstrado toda a sua genialidade. Fez Nove Rainhas em 2000, e este filme em 2001.

O Filho da Noiva concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002, juntamente com o francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, sendo que os dois perderam para Terra de Ninguém, da Bósnia. Fora o Oscar, o filme recolheu prêmios mundo afora, incluindo 3 Kikitos no Festival de Gramado.

Um filme charmoso, engraçado e encantador.  Juan José Campanella pode não ser um Eistein, um Bill Gates ou um Dick Watson, mas com certeza é um grande cineasta.

Se for ver o filme, continue assistindo após os créditos.

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O Filho da Noiva (El hijo de la novia). ARG/ESP 2001. 123 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Fernando Castets. Com Ricardo Darín, Héctor Alterio, Norma Aleandro, Eduardo Blanco, Natalia Verbeke.

NC: 8     NP: 9     IMDB: O Filho da Noiva

Por: Ricardo Lubisco

#71 O mesmo amor, a mesma chuva

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Este filme é um daqueles em que redescobrimos o porquê gostamos tanto de cinema.

O mesmo amor, a mesma chuva, foi realizado por Juan José Campanella quando o diretor argentino ainda não era reconhecido pelo seu enorme talento cinematográfico, o que inevitavelmente faz este filme ser não só o primeiro grande filme realizado pelo diretor, como uma maravilhosa obra deixada para o cinema em geral.

Ricardo Darín (um desconhecido do grande público naqueles tempos) é um gigante em cena, sendo um dos responsáveis pela felicidade do longa, mais precisamente por conseguir encontrar o equilíbrio para interpretar um personagem com tantas características diferentes. Culpa do roteiro, muito bem escrito e englobando não apenas um par de protagonistas, mas vários personagens que fazem o filme soar como música.

Um filme charmoso e marcante. Não leve em consideração o título que apela para um romance cafona. Leve para o lado da poesia, do cinema, de contos, de possibilidades, de vida. O mesmo amor, a mesma chuva não é tão grandioso quanto O Segredo de Seus Olhos (2009), filme que Campanella realizou dez anos mais tarde e que com certeza absoluta, não tem o charme encontrado neste filme. Entrou para a minha lista de favoritos.

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O mesmo amor, a mesma chuva ( El mismo amor, la misma lluvia). ARG/EUA 1999. 100 min. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de Juan José Campanella e Fernando Castets. Com Ricardo Darín, Soledad Villamil, Ulises Dumont, Eduardo Blanco, Alfonso de Grazia.

NC: 8     NP: 10     IMDB: O mesmo amor, a mesma chuva

Por: Ricardo Lubisco

 

 

#38 Nove Rainhas

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Quando fui convidado pelo meu amigo Adriano de Oliveira (Cine Revista) para compor uma lista com as melhores obras cinematográficas da década de 2000, não tive dúvida alguma em incluir nessa lista o longa argentino Nove Rainhas. Nem o final (para muitos grandioso) desnecessário tira o brilho deste grande filme realizado por nossos hermanos.

A maior qualidade do primeiro longa-metragem de Fabián Bielinsky, é o roteiro muito bem construído, com diálogos dinâmicos e nem um pouco vagos. Aliás, nada que o filme mostre está ali por acaso. Junte ao precioso argumento, um trabalho de atuação sensacional de Ricardo Darín e Gastón Pauls (Alô, Oscar?), e cenas com uma filmagem surpreendentemente segura e bem executada, e temos um dos grandes filmes argentinos desse novo século e de todos os tempos. O estilo de filmagem me lembra grandes filmes Sul-Americanos e Europeus como Whisky (2003) e Irreversível (2002), coincidentemente, filmes do começo da década passada.

Me recordo claramente do filme ser encontrado apenas em VHS até alguns anos atrás, o que aumentou e muito o boca-a-boca dele aqui no Brasil, tornando-o um filme cultuado para os ratos de locadora.

Nove Rainhas tem como ponto de ebulição a vontade de Fabián Bielinsky em realizar um grande filme, e nesse quesito, ele é impecável.

Para variar, o filme ganhou um remake americano em 2004, com produção de Soderbergh e de um bom elenco. Mas como todo bom apreciador de um bom cinema, tenho as minhas convicções, e uma delas é a de que remakes são desnecessários.

Por acaso alguém sabe o nome daquela música da Rita Pavone?

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Nove Rainhas (Nueve Reinas). ARG 2000. 114 min. Direção e Roteiro de Fabián Bielinsky. Com Ricardo Darín, Gastón Pauls, Leticia Brédice.

NC: 8     NP: 8     IMDB: Nove Rainhas

Por: Ricardo Lubisco