Richard Jenkins

#63 Fora de Controle

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A carreira do diretor Roger Michell é inconstante, alternando filmes bem sucedidos com outros de pouco prestígio. Fora de Controle é um dos que estão exatamente entre estes dois extremos.

De todas as críticas que li, acho que o meu pensamento é de certa forma uma exceção, pois foi um filme bem recebido pela crítica na época do lançamento e hoje em dia ainda tem uma boa cotação. Mas Fora de Controle é um pouco esquisito na maneira que sustenta a sua história.

Começando pela terrível atuação de Ben Affleck, que em mais uma oportunidade, nos desafia a aguentá-lo interpretando personagens sem a mínima profundidade e com as mesmas manias e expressões de sempre. Sorte do público cinéfilo, que o “ator”, resolveu investir na direção, e neste caso sim, já demonstrou ter um enorme talento. A atuação de Samuel L. Jackson é mediana também, e não chama a atenção em momento algum. Mas talvez isso não seja culpa dele, e sim do filme morno e com coadjuvantes confusos que vão aparecendo na história.

A história inclusive, vista por muitas pessoas como redentora, como um exemplo, engana a si mesma em diversos momentos. Os personagens são genuinamente problemáticos e sem escrúpulos, e nem mesmo alguns diálogos confortáveis e cenas emocionantes invertem a atitude que tiveram durante toda a história. Um marido infiel, que o tempo todo está com a amante, se surpreende quando a mulher dele é uma trapaceira, e torna isto no filme seu principal motivo para perder a fé no mundo. Ora, mas como um trapaceiro, que é o “mocinho” da história, pode se chocar quando encontra outro trapaceiro? Que tipo de argumento é esse? O outro (Samuel L. Jackson) é pior ainda, pois tenta cometer um assassinato e é retratado no fim como uma boa pessoa que teve um dia difícil e atrapalhado? Uma barra puramente forçada para contemplar os personagens com um final bonito e ganhar a audiência.

Ao meu ver, o extremo do ridículo.

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Fora de Controle (Changing Lanes). EUA 2002. 89 min. Direção de Roger Michell. Roteiro de Chap Taylor e Michael Tolkin. Com Ben Affleck, Samuel L. Jackson, Toni Collette, Sydney Pollack, Richard Jenkins, William Hurt.

NC: 4     NP: 3     IMDB: Fora de Controle

Por: Ricardo Lubisco

 

Jack Reacher – O Último Tiro

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Baseado no Best Seller do escritor Lee Child, “O Último Tiro” é um filme policial convincente e muito bem realizado. Com uma passagem um tanto discreta pelos cinemas, é um dos grandes lançamentos do primeiro semestre cinematográfico em 2013.

O filme produzido e estrelado por Tom Cruise traz uma trama muito bem bolada, um protagonista ágil e lógico, que em certos momentos lembra os astros do cinema nos anos 80, e coadjuvantes de se tirar o chapéu. Um deles, o grande cineasta Werner Herzog (Aguirre – A Cólera dos Deuses, 1972). Além de me deixar muito contente, ver Herzog, Robert Duvall e Richard Jenkins no mesmo filme, o torna maior do que parece. E o maior que eu quero dizer significa que há muito tempo não assistia um filme policial com uma trama bem escrita e protagonizada. Acho que desde “Os Homens Que não Amavam as Mulheres, 2009“. Você ao ler isso pode dizer: “Ah, Ricardo, tu vem me dizer que um blockbuster policial do Tom Cruise é um filmão?” É exatamente isso. Guardadas as devidas proporções, é um baita filme.

O diretor, Christopher McQuarrie, é mais conhecido por seus trabalhos de roteirista em “Os Suspeitos, 1995” (filme que deu o Oscar de Roteiro Original para Christopher), “Operação Valquíria, 2008“, e “O Turista, 2010“. É principiante na direção, tendo realizado apenas um longa em 2000 chamado “The Way of The Gun“.

Enfim, uma recomendação que faço com prazer à todos que possam se interessar. Li em alguns sites que não faz muita diferença ler o livro ou ver o filme primeiro. Além disso, o filme recebeu muitos méritos por ser leal aos acontecimentos do livro.

O Último Tiro” é o nono, de um total de 13 volumes escritos sobre Jack Reacher. Ou seja: acredito que muita coisa boa vai pintar no cinema relacionada a esta série, isto é, se for mantida a mesma competência e desempenho deste filme. Fico meio tranquilo quanto a isso, pois na telona, Jack Reacher não é Jack Reacher sem Tom Cruise.

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PS: Que pôster terrível hein? Bã!

O Último Tiro (Jack Reacher). EUA 2012. 130 min. Direção de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise, Werner Herzog, Robert Duvall, Richard Jenkins, Rosamund Pike.

NC: 7     NP: 8     IMDB: Jack Reacher

Por: Ricardo Lubisco

O Homem da Máfia

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Um título um tanto ordinário para um exemplo de cinema bem feito. O filme mais recente do diretor neozelandês Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) que em inglês se chama Killing Them Softly (Matando-os Suavemente), não é exatamente tão violento assim como foi comentado na mídia, e dos filmes que vi esse ano, é uma das boas surpresas. Há sim uma violência um tanto quanto parecida com a que vemos nos filmes de Tarantino, mas ela é focada em momentos específicos. É uma violência crua e condizente com a proposta do filme, violência essa que pode ser comparada também com dois filmes recentes do diretor David Cronenberg, Marcas da Violência (2005) e Senhores do Crime (2008).

Baseado no romance de George V. Higgins – Cogan’s Trade – e com diálogos aprofundados e marcantes, o filme se destaca por manter-se em cenas sempre bem encaixadas. Uma excelente edição. Além disso, ótimas atuações de um grande elenco, incluindo uma ponta de Sam Shepard. Brad Pitt, mais uma vez, se destaca pela imersão no personagem. A trilha sonora igualmente boa, pontua os momentos mais marcantes do filme. De Johnny Cash à Lou Reed.

Fica a indicação para quem gosta de bons filmes. Por vezes lembra Marcas da Violência, por vezes lembra Drive (2011), por vezes um filme de Tarantino, mas O Homem da Máfia têm o seu próprio estilo combinado de muitas boas referências, e faz dessa segunda parceria entre Andrew Dominik e Brad Pitt, um filme um tanto destacado. Há uma cena em particular no filme, em que Pitt olha para o discurso da posse de Obama que está passando na TV e diz a seguinte frase:

“Esse cara quer me dizer que nós vivemos em uma comunidade. Não me faça rir. Eu vivo nos Estados Unidos, e nos Estados Unidos, você está por sua conta. Estados Unidos não é um país, é só um negócio.”

A simples verdade. Não poderia ter dito melhor.

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O Homem da Máfia (Killing Them Softly). EUA 2012. 97 min. Direção de Andrew Dominik. Com Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini, Richard Jenkins, Ray Liotta e Sam Shepard.

NC:     NP:    IMDB: O Homem da Máfia

Por: Ricardo Lubisco