Rooney Mara

Ela

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Como todos os outros trabalhos dirigidos por Spike Jonze, Ela não é um filme convencional e não irá agradar a todos, mas têm em sua essência uma inteligência  e criatividade absurda, fatores que o tornam uma experiência muito interessante de se assistir.

Dando uma passeada pelos sites de críticas de fora do Brasil (em outros países o filme já está em cartaz), é unânime  a qualidade do filme e a maneira com que o diretor construiu uma história intensa sobre um futuro não tão distante. O mais impressionante para mim a abordagem que Jonze fez de tantos assuntos, todos conectados com a história principal. A solidão do personagem em um mundo aonde todos estão conectados o tempo inteiro em um mundo virtual, metáfora indiscutível dos dias de hoje, aonde ao pegarmos um ônibus ou metrô vemos 90% das pessoas com seus fones de ouvido conectados ao Facebook ou qualquer outra rede social. O diferencial do filme é a maneira como o diretor constrói essa história futurística, dando humanidade a tecnologia na personagem de Scarlett Johansson, que participa somente com sua voz e dá vida ao programa de computador.

É meio complicado escrever sobre um filme complexo como Ela, mas vamos lá. O visual do filme é incrível, cada detalhe no set parece ter sido arrumado e organizado para ser esteticamente perfeito, assim como a vivacidade das cores. A trilha-sonora ficou sobre responsabilidade do Arcade Fire, e tem belíssimos temas no piano, além de uma canção do grupo The Breeders, o que particularmente me deixou muito contente. Há também aquele tipo de “canção mela cueca” tão utilizada nos filmes moderninhos de hoje em dia, com ukelele e uma voz infantil. É bonita sim, mas a forma constante com que esse tipo de música é usada em “filmes bonitinhos” dá um certo asco.

Mas vale lembrar que nada disso seria possível sem a presença de Joaquin Phoenix. Um dos maiores atores americanos da atualidade ao lado de uns dois ou três, mas certamente, o mais versátil. O seu trabalho em Ela é de uma grandiosidade absurda, sendo que ele contracenou praticamente sozinho o tempo inteiro. Joaquin Phoenix é um verdadeiro camaleão, interpretando na mesma densidade papéis tão diferentes, fazendo uma rápida comparação de Ela com O Mestre. Phoenix é a alma do filme.

Spike Jonze criou e dirigiu um dos filmes mais interessantes para se assistir este ano, que tem em sua força certamente a história, estranha e bonita ao mesmo tempo. A relação do personagem principal com o programa de computador é tão natural quanto uma relação pessoal normal. Não é uma obra tão ficcional assim, porque no fim das contas todos nós procuramos algo que complete os espaços vazios nos nossos dias. É um filme de um homem só, sobre solidão e amor, amor e solidão, inteligência artificial e amor, solidão, amor artificial…

*Spike Jonze recentemente venceu o Globo de Ouro de Melhor Roteiro por este filme.

*A primeira vez que você mexer no seu celular logo após assistir o filme o fará se sentir muito estranho.

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Ela (Her). EUA 2013. 126 min. Direção e Roteiro de Spike Jonze. Com Joaquin Phoenix, Rooney Mara, Scarlett Johansson, Amy Adams.

NC: 9     NP: 7     IMDB: Ela

Por: Ricardo Lubisco

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#12 Terapia de Risco

Side-Effects

Recentemente comentei sobre o primeiro trabalho de direção de Steven Soderbergh com Sexo, Mentiras e Videotape. Aliás, foi o filme que deu início a esta saga de 1000 filmes/1000 dias. Na metade do ano passado, Soderbergh anunciou a sua “aposentadoria” do cinema para se dedicar a pintura. Apesar de haver um registro para o lançamento de um filme com Matt Damon ainda esse ano, Terapia de Risco é para ser o último trabalho de Soderbergh na direção (sobre essa informação, Terapia de Risco pode ter sido finalizado após Behind the Candelabra, filme anunciado para junho nos cinemas de Londres).

O fator de maior importância nesse filme é o roteiro de Scott Z. Burns, que traz uma história que remete aos grandes suspenses do cinema, me arrisco inclusive a dizer que é uma história digna de Hitchcock (imaginem esse filme nas mãos dele). E por ter um roteiro tão bom, fica difícil o filme ser ruim. Claro que talentos compartilhados criam algo grande, e acho que foi isso que aconteceu aqui.

O filme ainda tem a participação da atriz Rooney Mara, indicada ao Oscar por seu papel em Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (2009). Outro ator que está excelente aqui é Jude Law. Na minha opinião, um dos grandes atores do cinema atualmente, ofuscado por suas escolhas cinematográficas.

Soderbergh já havia trabalhado com o roteirista Scott Z. Burns em O Desinformante (2009) e Contágio (2011). O diretor ainda diz que sua maior influência durante a realização do filme foi o trabalho de Adrian Lyne, principalmente Atração Fatal (1987).

Não leia críticas que contem a história do filme, ou que digam mais do que o necessário. Apenas assista com o intuito de que é um filme bem interessante.

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Terapia de Risco (Side Effects). EUA 2013. Direção de Steven Soderbergh. Roteiro de Scott Z. Burns. Com Jude Law, Rooney Mara, Channing Tatum, Catherine Zeta-Jones.

NC: 7     NP: 7     IMDB: Terapia de Risco

Por: Ricardo Lubisco 

A Rede Social

David Fincher (Clube da Luta) apresenta em seu mais recente trabalho, um filme inteligente permeado por diálogos ágeis. O ritmo dado ao longa é um acerto de Fincher, dando um tom não muito distante de um documentário para contar a história da criação do Facebook. Os destaques deste filme vão para a atuação de Andrew Garfield, a excelente edição e fotografia, fazendo valer a pena os 120 minutos de produção, assim como a ótima trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross . Não é toa que o filme foi premiado com o Oscar de Melhor Trilha Sonora e Melhor Montagem. Recebeu também um Oscar por Melhor Roteiro Adaptado, premiando o bom trabalho de Aaron Sorkin (Questão de Honra). A questão é: O filme poderia ter rendido muito mais nas mãos de Fincher. Não vejo nenhuma surpresa em sua boa direção, e não existe a impressão de que ele acrescentou algo de tão grandioso a ponto de ser lembrado por este trabalho. Fica a sensação de ser um filme superestimado, assim como a história (idolatrada por muitos) de Mark Zuckerberg.

The Social Network. EUA 2010. 120 min. Direção de David Ficher. Com Jesse Eisenberg, Rooney Mara, Bryan Barter e Andrew Garfield.

NC: 7     NP:    IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1285016/

Por: Renata Sobrosa