Sandra Bullock

Gravidade

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Remando contra a maré, achei Gravidade um filme superestimado tanto por público quanto por críticos, elevando-o a um patamar de clássico instantâneo que não condiz com a realidade do filme, nem com a história do cinema.

Alfonso Cuarón é um cineasta que há tempos demonstra um grande talento para a direção. Muitas pessoas acabaram conhecendo seu trabalho a partir de E Sua Mãe Também (2001), mas é desde o bom remake de Grandes Esperanças (1998) que o mexicano demonstrava que levava jeito para a profissão. O ponto alto de sua carreira é certamente Filhos da Esperança (2006), uma das melhores ficções científicas realizadas na década passada. E este seu mais recente trabalho em Gravidade é muito bem feito, mas está longe de ser uma obra-prima como todos estão pintando em críticas e comentários.

Gravidade realiza o que se compromete de uma maneira muito competente. É um filme blockbuster com um tema muito interessante e pouco explorado no cinema, que é a solidão dos astronautas em suas missões espaciais. Aliado a este tema está o deslumbrante visual do filme, todo digital, que serve como “fundo de tela” para tudo que está acontecendo ao redor. E qualquer coisa filmada com este visual já ganha uma importância natural. Para completar as boas coisas do filme, alguns momentos isolados (como a suposta homenagem à 2001 – Uma Odisséia no Espaço [1968], em que Sandra Bullock flutua como um feto), e o bem construído personagem de George Clooney, este destaque inegável do filme. Há ainda a melhor qualidade do filme, que é a sensação angustiante/sufocante que é transmitida com muito louvor por Cuarón.

Fica notável a ausência de uma expressão artística maior, aonde a pretensão de criar algo genuíno, maior do que apenas mais um filmão pipoca de Hollywood, é colocada de lado. Sandra Bullock tem alguns bons momentos de interpretação graças a uma pequena transformação de personalidade da personagem, mas não deixa de ser mais do mesmo.

Quando o filme estava disponível somente para jornalistas e críticos, foi criada uma expectativa na mídia que não condiz com a realidade do filme. Comparar este filme com as grandes ficções, com Stanley Kubrick por exemplo, é uma besteira sem tamanho. Gravidade só é grande o suficiente até o sucesso de bilheteria como um blockbuster, tipo Armageddon (1998). Cinematograficamente é um filme mediano, sendo relevante pelos excelentes efeitos digitais aqui realizados, que tornaram o filme visualmente perfeito.

O melhor trabalho do diretor mexicano continua sendo o mundo utópico aonde as mulheres não mais engravidam, pois falta muito para Gravidade alcançar o patamar em que supostamente o colocaram.

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Gravidade (Gravity). EUA 2013. 91 min. Direção de Alfonso Cuarón. Roteiro de Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, George Clooney (colaborador não creditado). Com Sandra Bullock, George Clooney, Ed Harris.

NC: 7     NP: 6     IMDB: Gravidade

Por: Ricardo Lubisco

Um Sonho Possível

Eu vou fazer uma comparação tosca e qualquer um pode me crucificar depois, mas Um Sonho Possível é um filme do mesmo nível de Avatar, tirando a tecnologia revolucionária (blábláblá). Ou seja, sim, é um filme repleto de clichês, mas nem por isso ele é ruim. Da mesma forma que Avatar não é. É apenas um filme que quando começa, você sabe como vai terminar. É previsível e limitado. Mas dentro desse parâmetro, ele consegue manter um padrão. A atuação de Sandra Bullock é de alto nível, e não vejo porque ela não ganhar finalmente um Oscar, até porque as concorrentes não apresentavam também um trabalho espetacular. A única coisa que me irritava na Bullock era o sotaque. Se eu fechasse os olhos poderia imaginar o Owen Wilson pronunciando as frases (hehehe).

Não esquecendo que o filme é baseado em fatos reais. Então não dá pra inventar algo completamente mirabolante no roteiro para tornar o filme melhor, e como já disse, dentro dos padrões possíveis o filme se mantém bem até o final, sendo que mal senti  desconforto pela duração de mais de duas horas.  A história que é contada, a meu ver, é positiva. Além de mostrar a merda que sofrem as crianças com pais que não estão nem se importando com o seu futuro, é também virtuoso ao mostrar a importância que uma educação decente tem na vida de uma pessoa. A importância de se ter uma base confiável. No caso, a família.

Acho que a maioria das pessoas deve gostar, porque não é nem de longe um filme ruim.

O diretor John Lee Hancock é o roteirista de Um Mundo Perfeito e Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal. O Álamo (2004) e O Treinador (2002) estão entre seus trabalhos de direção.

Um Sonho Possível (The Blind Side). EUA 2009. 129 min. Direção de John Lee Hancock. Com Sandra Bullock, Tim Mcgraw, Quinton Aaron, Jae Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Kathy Bates.

NC: 6     NP: 6     IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0878804/

Por: R. Lubisco

Maluca Paixão

É o tipo de filme que já deve ser visto como uma comédia bobinha, o que na verdade é o objetivo do filme. E talvez sendo visto dessa forma, sem muitas expectativas, acabe tornando-se até um filme agradável e divertido. E é o que acontece com esta nova comédia produzida e interpretada por Sandra Bullock. O filme fica interessante pela excentricidade e caracterização dos personagens, além da boa atuação dos coadjuvantes e de Bullock.

Maluca Paixão (All About Steve). EUA 2009. 98 min. Direção de Phil Traill. Com Sandra Bullock, Thomas Haden Church, Bradley Cooper, Ken Jeong, Katy Mixon, Dj Qualls.

NC: 6     NP: 5     IMDB:   http://www.imdb.com/title/tt0881891/

Por: R. Lubisco