Tom Cruise

#78 Oblivion

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De todas as críticas que li sobre Oblivion, nenhuma me chamou realmente a atenção dizendo algo relevante. A maioria apontava problemas de ritmo (por que as pessoas tem tantos problemas com filmes longos?), falta de originalidade, entre outras coisas. Uma maneira errada de ver e entender o filme.

A minha opinião é de que Oblivion é um filmão.

A história criada e dirigida por Joseph Kosinski, novato no mundo cinematográfico, tendo como única referência a direção de Tron: O Legado, é uma ótima ficção científica como há tempos não via. Com certeza, em diversos momentos, o que vemos na tela são características de outros grandes filmes de ficção, como não poderia ser diferente. Tirando uma referência exagerada à 2001- Uma Odisséia no Espaço na história, ainda assim, o filme têm vida própria. E apesar de eu particularmente estar cansado de ver Tom Cruise salvador da pátria, ele é uma peça fundamental que faz o filme funcionar. Assim como a bela participação de Olga Kurylenko.

Não vou citar as cenas aqui para não estragar qualquer surpresa (quem me conhece sabe que sou extremamente contra os trailers, sinopses e críticas que revelam a história, mania que herdei do meu amigo Jacson Soares), mas na maioria do tempo o filme segue sem problemas. A meu ver, a parte final do filme faz ele decair um pouco. Tem furos de roteiro e mais algumas cenas desnecessárias que fazem o filme descer alguns degraus do topo que conseguiu manter em muitos momentos.

Uma coisa em particular que gostei muito foi o surgimento do personagem de Morgan Freeman em cena, extremamente imponente e o transformando em um dos melhores momentos do filme. Uma pena que o personagem não tenha sido suficientemente explorado, o que faria o filme ganhar muito em questão de história.

Apesar de alguns detalhes que fazem toda a diferença para o filme não ser maior, Oblivion é um trabalho que merece reconhecimento, trazendo um novo fôlego para todos que gostam de ver um bom filme de ficção/ação. Com certeza, é um dos bons filmes realizados neste ano, com destaque para Joseph Kosinski, de quem podemos esperar algo muito bom no futuro. A parte visual do filme é impecável, assim como o trabalho sonoro, que cria todo o ambiente de tensão no filme. Ah, e tem Led Zeppelin na trilha-sonora.

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Oblivion. EUA 2013. 124 MIN. Direção de Joseph Kosinski. Roteiro de Karl Gajdusek, Michael Arndt, Joseph Kosinski (graphic novel). Com Tom Cruise, Morgan Freeman, Olga Kurylenko, Andrea Riseborough, Melissa Leo, Nicolaj Coster – Waldau.

NC: 7     NP: 7     IMDB: Oblivion

Por: Ricardo Lubisco

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#42 De Olhos Bem Fechados

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Muita coisa se falou desde que Stanley Kubrick anunciou a produção de De Olhos Bem Fechados, e inevitavelmente segue até hoje como motivo para discussões e argumentações em rodas de amigos cinéfilos, para uma melhor compreensão do último trabalho de um dos melhores cineastas de todos os tempos.

Muitas histórias circulam os bastidores do filme. O tempo que precisou levar para ser completado (algo em torno de três anos), a dureza que Nicole Kidman e Tom Cruise passaram nas mãos de Kubrick (um perfeccionista, muitas vezes taxado de tirano por sua equipe), a reposição de atores por causa da demora nas filmagens (inicialmente, Harvey Keitel e Jennifer Jason Leigh fariam os papéis que acabaram ficando com Sydney Pollack e Marie Richardson), entre outros detalhes.

Há alguns anos atrás, li um livro escrito por Frederic Raphael, co-roteirista do filme ao lado de Kubrick, chamado “De Olhos Bem Abertos”, sobre as conversas que ele tinha com o excêntrico gênio do cinema que envolviam a construção do roteiro do filme. Não me lembro de muitas coisas, mas o que me marcou daquela leitura (aliás, uma ótima maneira de conhecer melhor Kubrick) foi o perfeccionismo e paixão que Stanley Kubrick tinha pelo roteiro que estava construindo e pela maneira como ia fazer isso. Ele analisava cada diálogo, cada cena, cada movimento de câmera, de luz, para criar o melhor ambiente para a história. Se questionava o por quê tal coisa seria importante na cena, se devia mesmo estar lá. Uma leitura reveladora que explica um pouco a demora para realização do filme, e todos os mitos que o envolvem. Na minha opinião, Kubrick não devia explicação alguma sobre isso. Não lembro de existir atualmente um diretor como ele, com tamanho brilho, inteligência, e amor pelo cinema. É uma notícia oficial a de que ele tenha entregue para a Warner Bros a versão final do filme quatro dias antes de morrer, mas eu tenho minhas dúvidas quanto a isso. Kubrick era extremamente perfeccionista, e é claro em alguns momentos do filme um pequeno excesso de tempo, provavelmente descartável nas mãos de Kubrick.

O filme que foi abarrotado de críticas negativas na época de seu lançamento, divide opiniões ainda hoje. Não foi indicado para grandes prêmios e é lembrado por muitas pessoas até hoje como o último trabalho ruim daquele ótimo diretor. Mas a minha opinião é um pouco diferente.

De Olhos Bem Fechados encerra com louvor a carreira de Kubrick. Certamente todos esperavam uma obra-prima do homem que fez 2001 – Uma Odisséia no Espaço, O Iluminado (massacrado na época do lançamento, hoje mais que cultuado), Dr. Fantástico, entre outros. E De Olhos Bem Fechados não é uma obra-prima, não é um clássico do cinema. Mas é um filme tecnicamente de altíssimo nível. Ele tem um roteiro complexo de adaptação, pela maneira como Kubrick o escreveu, mas realiza a direção das cenas magistralmente, como ninguém faria tão bem. É um prazer ver Cruise adentrar algum ambiente e a Steady-Cam o acompanhar até seu destino. É um prazer entrar no universo criado por Kubrick e suas cenas extremamente trabalhadas e caracterizadas, como a excêntrica loja de fantasias, o apartamento dos protagonistas, e a casa de orgias. Uma direção de arte sensacional.

Kubrick mais do que ninguém sabia o que estava realizando, e a meu ver finalizou a sua carreira com um filme digno de Stanley Kubrick. Praticamente impecável.

A história que inspirou Kubrick a realizar este filme se chama Breve Romance de um Sonho, romance austríaco de 1926 escrito por Arthur Schnitzler.

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De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut). EUA/UK 1999. 159 min. Direção de Stanley Kubrick. Roteiro de Stanley Kubrick, Frederic Raphael e Arthur Schnitzler (romance). Com Tom Cruise, Nicole Kidman, Sidney Pollack, Todd Field, Julienne Davis, Marie Richardson.

NC: 9     NP: 9    IMDB: De Olhos Bem Fechados

Por: Ricardo Lubisco

 

 

Jack Reacher – O Último Tiro

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Baseado no Best Seller do escritor Lee Child, “O Último Tiro” é um filme policial convincente e muito bem realizado. Com uma passagem um tanto discreta pelos cinemas, é um dos grandes lançamentos do primeiro semestre cinematográfico em 2013.

O filme produzido e estrelado por Tom Cruise traz uma trama muito bem bolada, um protagonista ágil e lógico, que em certos momentos lembra os astros do cinema nos anos 80, e coadjuvantes de se tirar o chapéu. Um deles, o grande cineasta Werner Herzog (Aguirre – A Cólera dos Deuses, 1972). Além de me deixar muito contente, ver Herzog, Robert Duvall e Richard Jenkins no mesmo filme, o torna maior do que parece. E o maior que eu quero dizer significa que há muito tempo não assistia um filme policial com uma trama bem escrita e protagonizada. Acho que desde “Os Homens Que não Amavam as Mulheres, 2009“. Você ao ler isso pode dizer: “Ah, Ricardo, tu vem me dizer que um blockbuster policial do Tom Cruise é um filmão?” É exatamente isso. Guardadas as devidas proporções, é um baita filme.

O diretor, Christopher McQuarrie, é mais conhecido por seus trabalhos de roteirista em “Os Suspeitos, 1995” (filme que deu o Oscar de Roteiro Original para Christopher), “Operação Valquíria, 2008“, e “O Turista, 2010“. É principiante na direção, tendo realizado apenas um longa em 2000 chamado “The Way of The Gun“.

Enfim, uma recomendação que faço com prazer à todos que possam se interessar. Li em alguns sites que não faz muita diferença ler o livro ou ver o filme primeiro. Além disso, o filme recebeu muitos méritos por ser leal aos acontecimentos do livro.

O Último Tiro” é o nono, de um total de 13 volumes escritos sobre Jack Reacher. Ou seja: acredito que muita coisa boa vai pintar no cinema relacionada a esta série, isto é, se for mantida a mesma competência e desempenho deste filme. Fico meio tranquilo quanto a isso, pois na telona, Jack Reacher não é Jack Reacher sem Tom Cruise.

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PS: Que pôster terrível hein? Bã!

O Último Tiro (Jack Reacher). EUA 2012. 130 min. Direção de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise, Werner Herzog, Robert Duvall, Richard Jenkins, Rosamund Pike.

NC: 7     NP: 8     IMDB: Jack Reacher

Por: Ricardo Lubisco

Jerry Maguire – A Grande Virada

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Cameron Crowe conseguiu manter uma média de bons filmes durante todos esses anos, desde a sua ótima estréia em 1992 com Singles – Vida de Solteiro. Alguns excelentes, outros apenas bons. Jerry Maguire fica entre o bom e o excelente. Tem coisas que não são tão grandiosas, mas ao mesmo tempo tem momentos inesquecíveis, fazendo com que o filme seja um dos mais queridos da carreira do diretor e um dos mais lembrados.

A sensacional interpretação de Cuba Gooding Jr (a melhor de sua carreira) lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, em 1997. É certamente um personagem inesquecível, assim como a sua fala mais poderosa e uma das cenas mais engraçadas do filme: – “Show Me The Money!!!!!”. Fala essa que virou uma das frases mais conhecidas da história do cinema.

Muitas pessoas me falaram que acharam um dos melhores filmes do Tom Cruise, mas eu não sei se concordo. Achei ele muito bom no filme, mas os filmes de começo de carreira tem o seu valor. Além é claro de outro filme de Cameron Crowe com ele, que eu gosto muito, chamado Vanilla Sky (uma refilmagem do espanhol Abre los Ojos, que por incrível que pareça, nas mãos de Crowe ficou melhor que o original).

Jerry Maguire ainda é virtuoso em sua trilha-sonora (uma das melhores características dos filmes do diretor) trazendo músicas de Paul McCartney, Neil Young, Bruce Springsteen, The Who, Bob Dylan e outros. Mas não se deixe enganar, o melhor do filme está em sua história.

Resumindo, é um filmão que tem muitas características positivas para engrandecer ainda mais a charmosa história do filme. Apela em certas cenas para um draminha que não precisava, mas parando pra pensar, elas não fazem muita diferença no resultado final.

Jerry Maguire é um filme que deve ser assistido.

O filme foi indicado a 5 Oscar em 1997, vencendo apenas na categoria Melhor Ator Coadjuvante. As outras categorias eram Melhor Ator (Tom Cruise), Melhor Edição (Joe Hutshing), Melhor Filme e Melhor Roteiro Original (Cameron Crowe). Tom Cruise ainda ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia/Musical.

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Jerry Maguire – A Grande Virada (Jerry Maguire). EUA 1996. 139 min. De Cameron Crowe. Com Tom Cruise, Renée Zellweger, Cuba Gooding Jr, Kelly Preston, Jay Mohr, Bonnie Hunt, Regina King e Jonathan Lipnicki.

NC: 7    NP: 8     IMDB: Jerry Maguire

Por: Ricardo Lubisco

Cocktail

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Qual a primeira coisa que vêm a sua cabeça quando você pensa no filme Cocktail? Provavemente, Tom Cruise. Se sim, é perfeitamente normal. Cruise é o que mais se destaca nesse filme do mediano Roger Donaldson. A estrela em ascensão já havia protagonizado Negócio Arriscado, Top Gun, e A Cor do Dinheiro antes de fazer este filme, e ele caiu perfeitamente no papel de um barman honestíssimo e gente fina, tentando fazer sua vida. Apesar de um roteiro mediano e faltando aquele “algo a mais” para poder ser chamado de grande filme, Cocktail ganhou um certo charme após tantos anos, e hoje em dia vale como um dos filmes que Cruise fez quando era bem novo.

A rotina de quem trabalha em bar, a arte de fazer drinks, coisas que realmente acontecem na noite de uma grande cidade, dentro de um bar. Coisas que aos olhos comuns podem parecer até tolas, mas que são verdadeiramente grandes aventuras.

O filme tem todos os ingredientes de uma Sessão da Tarde (aquelas Sessões da Tarde dos anos 90), e é um bom entretenimento. Deixou a desejar, pois eu esperava muito mais. Pela proposta do enredo, cumpre bem o seu papel.

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Cocktail. EUA 1988. 104 min. Direção de Roger Donaldson. Com Tom Cruise, Bryan Brown, Elisabeth Shue, Lisa Banes e Kelly Lynch.

NC: 5     NP:     IMDB: Cocktail

Por: Ricardo Lubisco